Quando se fala em artrose, a imagem que vem à cabeça é a de uma pessoa idosa. Por isso, receber esse diagnóstico aos 30 ou 40 anos costuma causar surpresa e angústia: "mas eu sou muito novo para ter artrose!". A verdade é que a artrose não é exclusiva da terceira idade — ela também atinge adultos jovens, muitas vezes por motivos que podem ser compreendidos e trabalhados.
Neste artigo você vai entender por que a artrose aparece em pessoas jovens, quais são os principais fatores de risco e o que dá para fazer para proteger as articulações. Para entender a diferença em relação às artrites inflamatórias, veja artrose x artrite: qual a diferença.
1. Sim — a artrose também afeta os jovens
A artrose é mais frequente com o avançar da idade, mas está longe de ser só "coisa de idoso". Uma revisão de Ackerman e colaboradores (2017), no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, chama a atenção justamente para isso: a artrose de quadril e joelho afeta pessoas mais jovens também, incluindo adultos em idade produtiva, com impacto importante sobre trabalho e qualidade de vida [1].
Reconhecer isso tem um valor prático: quando se acredita que "artrose é só de velho", um adulto jovem com dor persistente pode demorar a procurar avaliação e a adotar as medidas que fazem diferença. Saber que a artrose pode aparecer cedo ajuda a agir no tempo certo.
2. A causa mais importante nos jovens: a lesão prévia
Existe um caminho especialmente relevante para a artrose em pessoas jovens: a artrose pós-traumática, que se desenvolve anos depois de uma lesão articular. Rupturas de ligamento (como o cruzado anterior), lesões de menisco, fraturas que envolvem a articulação e luxações aumentam o risco de artrose no futuro, mesmo quando bem tratadas na época.
Isso é particularmente importante no esporte. Uma análise de Caine e Golightly (2011), no British Journal of Sports Medicine, discute a artrose como um desfecho possível de lesões esportivas na infância e juventude [2]. Não significa que praticar esporte "dá artrose" — pelo contrário, atividade física protege —, mas sim que lesões articulares importantes, quando ocorrem, deixam a articulação mais vulnerável ao longo dos anos.
3. Os outros fatores de risco
Além das lesões prévias, os fatores de risco da artrose no jovem são, em boa parte, os mesmos da população geral — e vários deles são modificáveis:
- Obesidade e sobrepeso: aumentam a carga sobre joelhos e quadris e têm também um componente inflamatório; é um dos fatores mais importantes e mais modificáveis.
- Predisposição genética e história familiar: algumas pessoas herdam maior tendência à artrose.
- Sobrecarga mecânica repetida: certas atividades ocupacionais ou esportivas de altíssima carga, ao longo de muitos anos.
- Alterações do alinhamento ou da anatomia da articulação, que concentram carga em uma região.
As revisões de Hunter e Bierma-Zeinstra (2019), na The Lancet [3], e de Katz e colaboradores (2021), no JAMA [4], resumem esses determinantes. O ponto animador é que os principais fatores em que dá para agir — peso, força muscular e prevenção de lesões — estão, em boa medida, ao alcance da pessoa.
4. O que o jovem com (ou em risco de) artrose pode fazer
Ter artrose cedo não é uma sentença — é um chamado para cuidar das articulações com antecedência, e há muito a fazer:
- Manter-se ativo e forte: o exercício é protetor e faz parte do tratamento; músculos fortes protegem a articulação — veja exercícios de baixo impacto para artrose e por que a artrose melhora com movimento.
- Controlar o peso: cada quilo a menos alivia a sobrecarga sobre joelhos e quadris — veja perda de peso e artrose.
- Levar a sério as lesões: tratar bem lesões articulares e reabilitar de forma completa ajuda a reduzir o risco futuro.
- Não ignorar dor persistente: dor articular que não passa merece avaliação — quanto antes se entende o quadro, melhor.
A idade jovem, inclusive, costuma ser uma vantagem: mais capacidade de fortalecer, de mudar hábitos e de responder ao tratamento conservador. O diagnóstico precoce e um plano individual fazem grande diferença na trajetória — este texto é informação geral e não substitui a avaliação do seu caso.
Referencias
- Ackerman IN, Kemp JL, Crossley KM, Culvenor AG, Hinman RS. Hip and Knee Osteoarthritis Affects Younger People, Too. J Orthop Sports Phys Ther. 2017;47(2):67-79. link
- Caine DJ, Golightly YM. Osteoarthritis as an outcome of paediatric sport: an epidemiological perspective. Br J Sports Med. 2011;45(4):298-303. link
- Hunter DJ, Bierma-Zeinstra S. Osteoarthritis. Lancet. 2019;393(10182):1745-1759. link
- Katz JN, Arant KR, Loeser RF. Diagnosis and Treatment of Hip and Knee Osteoarthritis: A Review. JAMA. 2021;325(6):568-578. link
Perguntas Frequentes
Pessoas jovens podem ter artrose?
Sim. Embora a artrose seja mais comum com a idade, ela também atinge adultos jovens, inclusive em idade produtiva, com impacto sobre trabalho e qualidade de vida. Acreditar que "artrose é só de idoso" pode atrasar a procura por avaliação e as medidas que fazem diferença [1].
Por que uma pessoa jovem desenvolve artrose?
A causa mais característica no jovem é a artrose pós-traumática — que aparece anos depois de uma lesão articular importante, como ruptura de ligamento (cruzado anterior), lesão de menisco ou fratura que envolve a articulação. Obesidade, predisposição genética e sobrecarga repetida também contribuem [2,3].
Fazer esporte causa artrose nos jovens?
Praticar esporte, em si, é protetor e faz bem às articulações. O que aumenta o risco são as lesões articulares importantes quando ocorrem — por isso prevenir e tratar bem as lesões é tão relevante. Atividade física regular e bem conduzida não é vilã; a lesão mal resolvida é que pesa [2].
Ter artrose cedo significa que vou precisar de prótese jovem?
Não necessariamente. Diagnóstico precoce e tratamento conservador bem feito mudam a trajetória, e a idade jovem costuma ser uma vantagem: mais capacidade de fortalecer, mudar hábitos e responder ao tratamento. A cirurgia é considerada de forma individual, após esgotar as medidas conservadoras [4].
O que um jovem pode fazer para proteger as articulações?
Manter-se ativo e forte, controlar o peso, tratar e reabilitar bem eventuais lesões, e não ignorar dor articular persistente. Os principais fatores modificáveis — peso, força muscular e prevenção de lesões — estão em boa medida ao alcance da pessoa [1,3].
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