A cirurgia robótica e a navegação são ferramentas que ajudam o cirurgião a planejar e executar a prótese de joelho com mais precisão nos cortes do osso e no posicionamento do implante. O robô não opera sozinho. Quem planeja e conduz toda a cirurgia é o médico. A navegação usa sensores e uma câmera que mostram, em tempo real, a posição exata dos instrumentos dentro do joelho. O braço robótico ajuda a manter cada corte dentro dos limites que eu defini no planejamento.
Antes ou durante a cirurgia, eu monto um planejamento em três dimensões do seu joelho, muitas vezes a partir de uma tomografia (um exame de imagem detalhado). Durante o procedimento, o sistema me mostra o ângulo e a profundidade de cada corte e como estão o alinhamento da perna e o equilíbrio dos ligamentos. Isso me dá um controle fino sobre detalhes técnicos que, na técnica convencional, dependem mais de guias mecânicos e da experiência visual do cirurgião.
A tecnologia melhora a precisão de alguns detalhes técnicos, mas não muda a natureza da cirurgia. Os ganhos concretos para você, paciente, ainda estão sendo estudados. Ao longo desta página eu explico o que a ciência já provou e o que ainda é apenas uma expectativa. [5, 4]
O que muda no alinhamento da perna e nos cortes do osso?
Com o robô e a navegação, os cortes do osso e o alinhamento da perna ficam mais próximos do que foi planejado, com menos casos fora do alvo. Num estudo que comparou pacientes operados com robô e pela técnica convencional, o desvio do eixo da perna maior que 3 graus caiu de cerca de 41% na técnica convencional para cerca de 3% com o sistema robótico.
Revisões que reúnem vários estudos confirmam esse ganho de precisão. Em média, a prótese feita com robô fica menos de 1 grau afastada do alinhamento planejado e produz menos resultados fora do alvo do que a técnica manual. Esse dado se repete em análises independentes, com milhares de joelhos avaliados.
Isso importa porque um implante bem alinhado e com os ligamentos bem equilibrados é um dos fatores que ajudam a prótese a funcionar bem. A precisão a mais é real e pode ser medida no raio-X. Mesmo assim, essa precisão nem sempre se traduz, na prática, em menos dor ou melhor função para o paciente, como mostro na próxima seção. [1, 2, 3, 4, 5]
A prótese de joelho robótica dói menos e funciona melhor?
Na maioria dos estudos, a dor, a função e a satisfação nos primeiros anos são parecidas entre a prótese robótica e a convencional. Alguns trabalhos mostram uma vantagem pequena e precoce da robótica em certas pontuações de joelho, mas essa diferença costuma ser modesta e nem sempre é percebida no dia a dia.
Uma revisão do sistema robótico mais usado no mundo, o MAKO, encontrou possível melhora em pontuações de função no médio e no longo prazo. Os próprios autores alertam que existem poucos estudos de alta qualidade e que faltam ensaios bem conduzidos para confirmar esse achado. Por isso, ele deve ser lido com cautela.
A cirurgia robótica também tende a exigir menos soltura de ligamentos durante o ato operatório. Ainda assim, num acompanhamento de dois anos que comparou estratégias de alinhamento com robô, as pontuações relatadas pelos pacientes foram semelhantes entre os grupos.
Em resumo: a robótica melhora números técnicos e alguns resultados precoces, mas o benefício clínico duradouro em dor, função e satisfação ainda não está comprovado como superior ao da técnica convencional. Eu não prometo um resultado melhor apenas porque a cirurgia foi feita com robô. [4, 3, 6, 7]
O robô ajuda mais em algum tipo de joelho?
Sim. O ganho de precisão tende a ser maior nos joelhos mais tortos, com deformidade acentuada. Num estudo com pacientes de grande deformidade (desvio do eixo maior ou igual a 6 graus), o sistema robótico corrigiu o alinhamento e posicionou os componentes com menos erros do que a técnica convencional.
Nos joelhos com pouca deformidade, o resultado técnico da robótica e da técnica manual foi parecido, e a cirurgia com robô levou mais tempo. A vantagem da precisão a mais aparece de forma mais clara nos casos difíceis, e menos nos casos simples.
Na consulta, eu avalio o seu raio-X de perna inteira, o grau de desgaste e a deformidade do joelho. A partir disso, eu digo com clareza se, no seu caso específico, a tecnologia tende a agregar algo real ou se a diferença seria pequena. [1]
A prótese de joelho robótica dura mais? Vou precisar trocar menos?
Até agora não há prova de que a prótese feita com robô dure mais ou precise de menos troca. Um grande registro americano de artroplastias (o banco de dados que acompanha as cirurgias de prótese nos Estados Unidos) seguiu os pacientes por 5 anos e não encontrou diferença na taxa de nova cirurgia entre próteses feitas com robô, com navegação ou pela técnica convencional.
As revisões de estudos também não mostram diferença na taxa de complicações ou de nova cirurgia, no curto e no médio prazo, entre a técnica robótica e a convencional. Nesse ponto, as duas abordagens se equivalem com os dados disponíveis hoje.
A ideia de que um alinhamento mais preciso leve a uma prótese mais durável é plausível, mas ainda precisa ser confirmada com acompanhamento mais longo. Por enquanto, isso é uma expectativa razoável, e não um fato comprovado. Eu prefiro ser transparente sobre esse limite. [8, 4, 2]
A cirurgia robótica demora mais e custa mais caro?
Em geral, sim. A cirurgia robótica costuma levar mais tempo e envolver custos maiores do que a convencional. Somando vários estudos, o tempo de cirurgia foi, em média, cerca de 20 minutos mais longo com a técnica robótica.
Alguns estudos também descrevem mais tempo de torniquete (a faixa que reduz o sangramento durante a cirurgia) e um pouco mais de sangramento no ato cirúrgico com o robô, sem que isso tenha piorado o resultado no curto prazo. São diferenças que eu controlo dentro da sala de cirurgia.
O custo maior vem do equipamento, dos materiais próprios do robô e, em muitos sistemas, de uma tomografia de planejamento. Em centros que operam grande volume, o tempo e o custo por cirurgia caem com a experiência da equipe, e o aprendizado do método se estabiliza em poucos casos, em torno de 7 a 11 cirurgias. Em um serviço especializado, o tempo de cirurgia chegou a se igualar ao da técnica manual.
No plano de saúde, a disponibilidade da tecnologia robótica depende da cobertura e do hospital. No particular, o custo adicional do robô costuma entrar no orçamento da cirurgia. Antes de decidirmos juntos, eu explico com clareza o que muda de valor no seu caso. [3, 9, 10, 5]
Como eu decido entre prótese robótica e convencional?
A decisão é individual e não depende só da tecnologia. Ela depende do seu joelho, do grau de deformidade, do implante escolhido e da experiência da equipe. Uma prótese convencional bem planejada e bem executada entrega resultados consistentes e amplamente comprovados.
Eu costumo considerar a robótica com mais interesse nos joelhos de deformidade acentuada, onde o ganho de precisão é maior e mais útil. Em joelhos mais simples, a diferença prática para você tende a ser pequena, e o tempo e o custo extras pesam mais na conta.
Eu não apresento a cirurgia robótica como garantia de um resultado melhor. Ela é uma ferramenta de precisão que pode ajudar em situações específicas, com a contrapartida de mais tempo e mais custo. Na consulta, eu mostro seus exames, explico o que muda de fato para você e tomamos a decisão em conjunto. [4, 8, 1]
Referencias
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- Alrajeb R, Zarti M, Shuia Z, et al. Robotic-assisted versus conventional total knee arthroplasty: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Eur J Orthop Surg Traumatol. 2024;34(3):1333-1343. link
- Mostafa O, Malik M, Qayum K, et al. Robotic-assisted versus conventional total knee arthroplasty: a systematic review and meta-analysis of alignment accuracy and clinical outcomes. Ann Med Surg (Lond). 2025;87(2):867-879. link
- Ruangsomboon P, Ruangsomboon O, Pornrattanamaneewong C, Narkbunnam R, Chareancholvanich K. Clinical and radiological outcomes of robotic-assisted versus conventional total knee arthroplasty: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Acta Orthop. 2023;94:60-79. link
- Zhang J, Ndou WS, Ng N, et al. Robotic-arm assisted total knee arthroplasty is associated with improved accuracy and patient reported outcomes: a systematic review and meta-analysis. Knee Surg Sports Traumatol Arthrosc. 2022;30(8):2677-2695. link
- Sodhi K, Eaton-Brown J, Kumar PR, et al. Robotic-assisted total knee arthroplasty with MAKO is associated with improved functional outcomes: a systematic review and meta-analysis. Bone Jt Open. 2025;6(11):1382-1393. link
- Young SW, Tay ML, Kawaguchi K, et al. The John N. Insall Award: Functional versus mechanical alignment in total knee arthroplasty: a randomized controlled trial. J Arthroplasty. 2025;40:S20-S30.e2. link
- Pius AK, Sporer SM, Sterling O, et al. Navigated and robotic total knee arthroplasty do not confer improved 5-year survivorship compared to conventional total knee arthroplasty: an analysis from the American Joint Replacement Registry. J Arthroplasty. 2025;40(7S1):S130-S139. link
- Ren YM, Li B, Tian SY, et al. EPMEDBOT robotic-assisted total knee arthroplasty amplifies the advantage of intraoperative dynamic gap balance and alignment monitoring: a prospective randomized controlled and single center study. J Orthop Surg Res. 2025;20(1):674. link
- Theus-Steinmann C, Calliess T, Christen B, Tuecking LR. Cost reduction in robot-assisted knee arthroplasty can currently be achieved primarily through volume effects: a comparative cost analysis between 2018 and 2024. Orthopadie (Heidelb). 2025;54(9):708-714. link
Perguntas Frequentes
A cirurgia robótica de joelho é melhor que a convencional?
A robótica é mais precisa no alinhamento da perna e nos cortes do osso. Nos primeiros anos, porém, a dor, a função e a satisfação costumam ser parecidas nas duas técnicas, e o benefício clínico a longo prazo ainda não está comprovado como superior.
O robô faz a cirurgia de prótese de joelho sozinho?
Não. Quem planeja e executa toda a cirurgia é o médico. O robô e a navegação são ferramentas que mostram a posição em tempo real e ajudam a manter os cortes dentro do que foi planejado.
A prótese de joelho feita com robô dura mais?
Não há prova disso até agora. Um grande registro americano acompanhou pacientes por 5 anos e não encontrou diferença na taxa de troca entre próteses feitas com robô, com navegação ou pela técnica convencional.
A cirurgia robótica de joelho demora mais?
Costuma levar cerca de 20 minutos a mais que a convencional. Esse tempo tende a diminuir conforme a equipe ganha experiência com o método, em torno de 7 a 11 cirurgias, e em centros de grande volume pode se igualar ao da técnica manual.
Vale a pena pagar mais pela cirurgia robótica de joelho?
Depende do caso. O ganho de precisão é maior em joelhos com deformidade acentuada. Em joelhos mais simples, a diferença prática costuma ser pequena, e o custo e o tempo extras pesam mais na decisão.
A recuperação é mais rápida com a prótese robótica?
Não há prova consistente de recuperação mais rápida com o robô. A reabilitação segue os mesmos princípios da prótese convencional, com fisioterapia e retorno gradual às atividades.
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