Cirurgia robótica na prótese de quadril é uma técnica em que um braço robótico e um computador ajudam o cirurgião a planejar e a posicionar o implante com mais precisão. O senhor precisa saber de uma coisa importante logo no começo: quem opera é o cirurgião. O robô é uma ferramenta que segue o plano feito pelo médico e não decide nem opera sozinho.
Na maioria dos sistemas, antes da cirurgia o senhor faz uma tomografia (um exame de imagem em camadas) do quadril. Com essas imagens, montamos um modelo em três dimensões do seu osso e planejamos o tamanho e a posição de cada peça da prótese antes de entrar na sala.
Durante a operação, o sistema mostra em tempo real a posição planejada e ajuda a colocar o encaixe (a parte que vai na bacia) e a haste (a parte que vai no fêmur) dentro do que foi programado. Eu conduzo cada etapa, e o equipamento serve de guia. [4, 11]
O robô opera sozinho? Quem faz a cirurgia?
Quem faz a cirurgia é o cirurgião ortopedista. O robô não tem autonomia: ele executa apenas o plano que o médico definiu e para quando algo sai do previsto.
O robô ajuda em duas frentes, planejar antes e conferir durante. Ele mede em tempo real o comprimento da perna, o posicionamento do encaixe e o equilíbrio dos tecidos ao redor da articulação. A decisão de cada corte e de cada ajuste continua sendo minha, a partir do que vejo no seu quadril na hora.
A qualidade do resultado depende principalmente da experiência do cirurgião e do planejamento. O equipamento melhora a precisão de execução, mas não substitui o julgamento clínico durante a operação. [8, 11]
A cirurgia robótica posiciona o implante com mais precisão?
Sim. A evidência científica mostra que a cirurgia robótica coloca o implante dentro da posição planejada com mais frequência do que a técnica manual. Em uma revisão de 20 estudos, 94,7% dos encaixes ficaram na chamada zona segura de Lewinnek (a faixa de posições consideradas ideais para o encaixe na bacia) com o robô, contra 65,8% com a técnica convencional.
Essa precisão também aparece no comprimento da perna e no centro de rotação do quadril (o ponto em torno do qual a articulação gira). Em um estudo controlado, a diferença entre a posição planejada e a alcançada do encaixe foi bem menor com o robô, e a diferença de comprimento entre as pernas ficou em média 0,6 mm com o robô contra 1,4 mm na técnica manual.
Posicionar bem o implante importa para o equilíbrio, para a estabilidade da prótese e para reduzir o desgaste ao longo dos anos. Em pacientes com anatomia difícil, com obesidade ou com osso alterado, essa precisão a mais pode ser especialmente útil. [4, 3, 6, 7, 5]
A cirurgia robótica dói menos, recupera mais rápido ou dá um resultado melhor?
Até agora, não. A maior precisão no posicionamento não se traduziu, de forma comprovada, em menos dor ou em melhor função depois de um ano. Vários estudos controlados mostram dor e função parecidas entre a cirurgia robótica e a convencional nesse período, e é justo que o senhor saiba disso antes de decidir.
Uma revisão de 8 estudos controlados, com mais de mil pacientes, não encontrou diferença importante nas notas de satisfação, na taxa de complicações ou na necessidade de nova cirurgia entre as duas técnicas. Um estudo controlado que acompanhou os pacientes por um ano também encontrou notas de recuperação semelhantes.
Sobre a durabilidade, ainda não temos prova de que a prótese feita com robô dure mais. Sabemos, por grandes registros, que cerca de 58% das próteses de quadril seguem funcionando após 25 anos, mas esses números vêm de técnicas variadas, e o benefício do robô a longo prazo ainda está em estudo.
Existem sinais animadores, como menos sessões de fisioterapia no pós-operatório e taxas de complicação um pouco menores em algumas análises. Ainda assim, a certeza dessas evidências é baixa, e por isso eu não prometo um resultado superior só porque a cirurgia foi robótica. [2, 1, 3, 4, 9]
A cirurgia robótica reduz o risco de luxação da prótese?
Algumas pesquisas sugerem que a cirurgia robótica pode reduzir o risco de luxação, que é quando a bola da prótese sai do lugar. Esse possível ganho vem do planejamento mais preciso da posição do encaixe, mas ainda não está confirmado de forma definitiva.
Um benefício mais claro aparece em pacientes com problemas na coluna, como uma fusão de vértebras (ossos da coluna unidos por cirurgia) ou artrose avançada, que mudam a mecânica do quadril. Nesses casos, o planejamento robótico usa a relação entre a coluna e a bacia para posicionar o implante e diminuir o risco de instabilidade.
Mesmo assim, a luxação depende de vários fatores, como a via de acesso (por onde o cirurgião entra na articulação), o tipo de implante e os seus cuidados no pós-operatório. A tecnologia ajuda a reduzir o risco, mas não o elimina. [8, 1]
Quanto custa a cirurgia robótica e o plano cobre?
A cirurgia robótica custa mais do que a convencional, principalmente pelo equipamento, pela tomografia de planejamento e pelo tempo de sala um pouco maior. Esse custo adicional é um ponto concreto a considerar na sua decisão.
Algumas análises financeiras sugerem que, ao reduzir complicações e reinternações, o método pode compensar o custo ao longo dos anos. Essa evidência ainda é inicial e não é consenso na literatura.
Na prática, a disponibilidade e a cobertura variam. No atendimento particular, a cirurgia robótica costuma ter um custo próprio a combinar. Nos planos de saúde, a cobertura da tecnologia robótica não é garantida e depende do convênio e da liberação da guia. Eu oriento o senhor a confirmar esses pontos antes de decidir. [10, 11]
O que devo perguntar ao meu cirurgião sobre a cirurgia robótica?
Antes de decidir pela cirurgia robótica, vale levar algumas perguntas objetivas para a consulta. A primeira é direta: qual é o benefício real, no meu caso específico, comparado à técnica convencional?
Também é útil perguntar quantas cirurgias com o robô o cirurgião já realizou, se a sua anatomia justifica a tecnologia, quanto custa a mais e se o seu plano cobre. Pergunte ainda quem de fato vai operar e qual é o papel do equipamento durante a cirurgia.
Uma boa conversa deixa claro que a escolha é individual. Em muitos casos, a técnica convencional feita por um cirurgião experiente traz um resultado igualmente bom. Na consulta eu avalio o seu quadril, explico as opções e indico o caminho mais adequado para o senhor. [2, 1]
Referencias
- Bensa A, Pagliazzi G, Miele A, Schiavon G, Cuzzolin M, Filardo G. Robotic-Assisted Total Hip Arthroplasty Provides Greater Implant Placement Accuracy and Lower Complication Rates, but Not Superior Clinical Results Compared to the Conventional Manual Approach: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Arthroplasty. 2025;40(7):1921-1931. link
- Ruangsomboon P, Ruangsomboon O, Osman K, et al. Clinical, functional, and radiological outcomes of robotic assisted versus conventional total hip arthroplasty: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. J Robot Surg. 2024;18(1):255. link
- Fontalis A, Kayani B, Plastow R, et al. A prospective randomized controlled trial comparing CT-based planning with conventional total hip arthroplasty versus robotic arm-assisted total hip arthroplasty. Bone Joint J. 2024;106-B(4):324-335. link
- Loke RWK, Lim YH, Chan YK, Tan BWL. MAKO robotic-assisted compared to conventional total hip arthroplasty for hip osteoarthritis: a systematic review and meta-analysis. J Orthop Surg Res. 2025;20(1):466. link
- Singh A, Kumar P, Kalyan K, et al. Accuracy of acetabular cup positioning in robotic-assisted total hip arthroplasty: a CT-based evaluation. SICOT J. 2024;10:57. link
- Wang W, Zhang Z, Wang G, et al. Prospective randomized controlled trial on the accuracy of prosthesis positioning in total hip arthroplasty assisted by a newly designed whole-process robotic arm. Int Orthop. 2023;47(2):413-419. link
- Ong CB, Buchan GBJ, Hecht CJ II, Kendoff DO, Homma Y, Kamath AF. Fluoroscopy-based robotic assistance for total hip arthroplasty improves acetabular cup placement accuracy for obese patients compared to the manual, fluoroscopic-assisted technique. Technol Health Care. 2024;32(5):3703-3712. link
- Schwabe MT, Gibian JT, Bartosiak KA, Bendich I, Schneider AM. Robotic-Assisted Total Hip Arthroplasty Through the Posterior Approach. JBJS Essent Surg Tech. 2025;15(1):e24.00010. link
- Evans JT, Evans JP, Walker RW, Blom AW, Whitehouse MR, Sayers A. How long does a hip replacement last? A systematic review and meta-analysis of case series and national registry reports with more than 15 years of follow-up. Lancet. 2019;393(10172):647-654. link
- Ong CB, Buchan GBJ, Acuña AJ, Hecht CJ, Homma Y, Shah RP, Kamath AF. Cost-effectiveness of a novel, fluoroscopy-based robotic-assisted total hip arthroplasty system: A Markov analysis. Int J Med Robot. 2023;19(6):e2582. link
- Kim K, Kwon S, Kwon J, Hwang J. A review of robotic-assisted total hip arthroplasty. Biomed Eng Lett. 2023;13(4):523-535. link
Perguntas Frequentes
A cirurgia robótica de quadril é feita pelo robô ou pelo médico?
É feita pelo cirurgião. O robô é uma ferramenta que ajuda a planejar e a posicionar o implante com precisão e segue o plano do médico. Ele não opera sozinho nem toma decisões.
A prótese de quadril robótica dói menos e recupera mais rápido?
A cirurgia robótica melhora a precisão do posicionamento, mas estudos controlados mostram dor e função parecidas com a técnica convencional após um ano. Alguns trabalhos apontam menos fisioterapia no pós-operatório, com evidência ainda de baixa certeza.
A cirurgia robótica de quadril dura mais que a convencional?
Ainda não há prova de que dure mais. Grandes registros mostram que cerca de 58% das próteses de quadril seguem funcionando após 25 anos, considerando técnicas variadas. O efeito do robô na durabilidade continua em estudo.
Quanto custa a cirurgia robótica de quadril e o plano cobre?
Custa mais que a convencional, por causa do equipamento, do planejamento por tomografia e do tempo de sala. A cobertura pelos planos de saúde não é garantida e varia conforme o convênio. Confirme o custo e a cobertura antes de decidir.
A cirurgia robótica reduz o risco de luxação da prótese?
Pode ajudar, especialmente em pacientes com problemas na coluna que alteram a mecânica do quadril, mas ainda não está confirmado de forma definitiva. A luxação depende de vários fatores e a tecnologia não elimina esse risco.
Vale a pena fazer prótese de quadril robótica?
Depende do seu caso. A técnica robótica traz mais precisão de posicionamento, mas em muitos pacientes a técnica convencional feita por cirurgião experiente tem resultado igualmente bom. A decisão deve ser individual, conversada na consulta.
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