A prótese de quadril e joelho é a cirurgia que substitui a articulação gasta pela artrose por uma peça nova. Antes de operar, uma das dúvidas mais comuns é se vai doer depois da cirurgia. Existe dor no pós-operatório, mas a forma de controlá-la mudou bastante nos últimos vinte anos. Hoje a equipe não depende de um único remédio forte. Combinamos vários recursos, cada um agindo em um ponto diferente do caminho da dor, para manter a dor em nível tolerável e permitir que você levante da cama, ande e comece a fisioterapia nos primeiros dias.
Na consulta, eu costumo explicar que não prometo dor zero no dia da cirurgia, porque isso não seria realista. O que buscamos é uma dor controlada, com o menor uso possível de remédios fortes derivados da morfina, para que a recuperação comece logo. Esta página reúne, em linguagem simples, o que a literatura ortopédica e a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) descrevem sobre o controle da dor na prótese de quadril e de joelho [1].
Vou tratar de cinco pontos: o que esperar da dor, como a equipe combina vários remédios em doses menores, a anestesia aplicada perto dos nervos e a injeção feita no próprio local operado, o cuidado a mais que o paciente idoso recebe, e o que fazer quando a dor persiste por meses. Para entender a cirurgia em si, veja as páginas de prótese de quadril e prótese de joelho, e, sobre a doença que leva à cirurgia, artrose do quadril e artrose do joelho.
O que esperar da dor depois da prótese
A prótese é uma cirurgia grande. O cirurgião remove a parte gasta da articulação e coloca no lugar uma peça de metal e plástico. Para chegar até o osso, ele passa pela pele, pela gordura, pelos músculos e pela cápsula (o envoltório fibroso que segura a articulação). Todas essas camadas precisam cicatrizar, e a dor vem principalmente daí [1].
Costumo separar essa dor em três tipos, para ficar claro por que usamos mais de um remédio:
- A dor do próprio corte no osso e nos tecidos. Aparece logo depois da cirurgia e dura alguns dias.
- A dor da inflamação. O corpo manda células de defesa para começar a cicatrização, e a região fica quente e inchada. Costuma piorar nas primeiras 24 a 48 horas. É a dor que os anti-inflamatórios combatem.
- A dor ligada aos nervos irritados pela cirurgia. É menos comum no começo, mas passa a importar quando a dor se prolonga por muito tempo.
O joelho costuma doer mais que o quadril nas primeiras 48 horas, porque seus nervos são mais superficiais e a cirurgia mexe bastante nos tecidos ao redor. Por isso o joelho recebe alguns recursos a mais, que explico adiante. Na prótese de quadril, a dor inicial tende a ser um pouco menor [1].
Como a equipe controla a dor: vários remédios em doses menores
O controle moderno da dor parte de uma ideia simples. Em vez de depender de uma dose grande de um único remédio forte, usamos vários remédios diferentes, cada um em dose menor, agindo em pontos diferentes do caminho da dor. O nome técnico disso é analgesia multimodal (uso combinado de vários remédios com mecanismos diferentes). O resultado é um bom controle da dor com menos efeitos indesejados [1].
Há um motivo para combinar remédios em vez de simplesmente aumentar a morfina. Os remédios fortes derivados da morfina, chamados de opioides, têm um custo: enjoo, prisão de ventre, tontura, sonolência e, em alguns pacientes, confusão mental. Esses efeitos atrapalham diretamente a recuperação, porque o paciente enjoado se alimenta mal e o sonolento demora a levantar da cama, o que atrasa a fisioterapia. Combinando remédios mais leves, cada um em dose menor, precisamos de muito menos opioide [1].
Os principais remédios do esquema são:
- Paracetamol (analgésico básico, também usado para febre). É a base, usado em quase todos os pacientes, em horário fixo. Tem boa margem de segurança e custo baixo [3].
- Anti-inflamatório sem cortisona (os chamados AINEs, parentes do ibuprofeno). Combatem a inflamação e reduzem a necessidade de opioide. Não servem para todo mundo: quem tem problema nos rins, no estômago ou usa anticoagulante (remédio que reduz a coagulação do sangue) pode não poder usar. A equipe decide caso a caso [4].
- Opioide (remédio forte para dor, derivado ou parente da morfina). Continua existindo, mas como reforço para os picos de dor, em dose baixa e apenas quando necessário, nunca em horário fixo. A maioria dos pacientes deixa de precisar em uma a duas semanas [5].
Um ponto que costuma surpreender: o controle da dor começa antes da cirurgia. Chamamos isso de analgesia preemptiva (medicar antes do corte, para impedir que os nervos fiquem sensibilizados). A lógica é conter a sensibilização dos nervos antes que a dor se instale, o que é mais eficaz do que tratá-la depois. Um estudo de Passias e colaboradores mostrou que dar paracetamol, um anti-inflamatório e um terceiro remédio que acalma os nervos pouco antes da cirurgia reduziu a dor e o consumo de opioide no pós-operatório, com efeito modesto, porém consistente [2].
O contrário também vale: dar opioide antes da cirurgia não ajuda. Um estudo de Cooper e colaboradores mostrou que pacientes que receberam um opioide antes de operar tiveram mais dor no pós-operatório e consumiram mais opioide depois [8]. Por isso a escolha do que dar antes é específica, e é uma decisão da equipe.
Anestesia perto dos nervos do joelho e injeção no local operado
Além dos remédios, a equipe usa técnicas que agem diretamente no local da cirurgia. Elas ajudam bastante nas primeiras horas, quando a dor é maior.
Anestesia aplicada perto dos nervos do joelho
No joelho, o anestesista pode aplicar uma anestesia perto de nervos específicos da perna, guiado por ultrassom (aparelho que mostra as estruturas internas por ondas de som, sem radiação). A região fica dormente por algumas horas e a dor cai muito. O bloqueio mais usado hoje se chama bloqueio do canal dos adutores (na sigla em inglês, ACB). Em palavras simples, é uma anestesia aplicada perto de um nervo do joelho, que deixa a região dormente e reduz a necessidade de remédios fortes. A vantagem dele é adormecer a dor sem tirar a força da coxa, o que permite levantar e caminhar com segurança logo depois da cirurgia [1].
Esse detalhe importa. Uma técnica mais antiga, o bloqueio do nervo femoral, controlava a dor, mas deixava a perna fraca, o que aumentava o risco de queda. Por isso foi sendo substituída pelo bloqueio do canal dos adutores, que preserva a força [1].
Para cobrir a parte de trás do joelho, que o bloqueio do canal dos adutores não alcança, existe um segundo bloqueio, conhecido pela sigla iPACK. Ele é aplicado no fundo do joelho, também sem tirar a força da perna, e ajuda a controlar a dor da região posterior nas primeiras horas [1][9]. Explico esses bloqueios em detalhe na página de prótese de joelho.
Injeção de anestésico no próprio local operado
Nos minutos finais da cirurgia, antes de fechar, o próprio cirurgião injeta anestésico nos tecidos ao redor da prótese (na cápsula, nos músculos e na região do corte). Chamamos isso de injeção periarticular. Ela reduz a dor e o uso de opioide nas primeiras 24 horas, tanto no joelho quanto no quadril [1].
O controle no quadril
No quadril, os nervos são mais profundos e mais difíceis de alcançar com esses bloqueios. Por isso, na prótese de quadril, o controle da dor se apoia mais na anestesia aplicada nas costas, que adormece do quadril para baixo (a raquianestesia), na injeção feita pelo cirurgião no local operado e nos remédios combinados [1].
Um remédio que reduz o sangramento
Ainda no centro cirúrgico, é comum usar o ácido tranexâmico, um remédio que reduz o sangramento durante e depois da cirurgia. Ele diminui a necessidade de transfusão de sangue, com impacto maior na prótese de joelho, que costuma sangrar mais. É recomendado nas duas cirurgias, com cuidado em quem teve trombose (um coágulo numa veia) recente [7].
O cuidado especial com o paciente idoso
A maioria dos pacientes que faz prótese tem mais de 65 anos, e o grupo acima dos 80 vem crescendo. O mesmo esquema de remédio que funciona bem em uma pessoa de 55 anos pode causar problema em uma de 85. Por isso o protocolo de dor é ajustado no paciente idoso [1].
Com a idade, os rins e o fígado eliminam os remédios mais devagar, e o organismo fica mais sensível. Uma dose que seria inofensiva antes pode causar sonolência, queda e confusão mental. Essa confusão aguda depois da cirurgia tem nome, delirium, e o opioide é um dos fatores que a favorecem [1][5].
Os ajustes no idoso são:
- Menos opioide. Doses menores, intervalos maiores e sempre apenas quando necessário. Começamos pelo mais leve e só subimos se realmente precisar [5].
- Anti-inflamatório com cautela. Evitado em quem tem problema nos rins, no estômago ou usa anticoagulante (remédio que reduz a coagulação do sangue) [4].
- Atenção a certos remédios para nervo. A pregabalina e a gabapentina (remédios que acalmam nervos sensibilizados) causam mais sonolência e tontura no idoso, e a evidência mostra ganho pequeno na dor. Por isso são usados de forma seletiva, e não de rotina [6].
- Mais peso nas técnicas que não dão sono. Os bloqueios perto dos nervos, a injeção no local operado e a anestesia nas costas controlam a dor sem mexer com a cabeça do paciente, e por isso ganham espaço no idoso [1].
Prevenir quedas é parte central desse cuidado. Controlar a dor sem deixar o paciente sonolento ou com a perna fraca é o que permite levantar cedo e com segurança, e a recuperação depende disso [1].
Quando a dor continua por meses: existe tratamento
A maior parte dos pacientes tem grande alívio da dor nas primeiras semanas a meses. Mas uma minoria continua com dor importante depois de três meses. No joelho, isso acontece em torno de 15% a 20% dos casos; no quadril, em torno de 10% a 15% [1]. Quero deixar claro que, mesmo nesses casos, existe o que fazer.
O primeiro passo é sempre investigar a causa da dor, antes de qualquer tratamento que apenas a mascare. A equipe precisa descartar problemas como infecção da prótese (que pode existir mesmo sem febre), afrouxamento da peça, instabilidade, e dores que vêm de fora da articulação operada, como as que vêm da coluna. Isso é feito com exame físico, exames de sangue e radiografias, entre outros [1]. Pular essa etapa é arriscado, porque pode deixar passar um problema que tem solução própria.
Quando a investigação descarta essas causas e a dor vem dos próprios nervos da articulação, existem técnicas para reduzir o sinal de dor. No joelho, duas são estudadas:
- Desligar temporariamente pequenos nervos do joelho com calor controlado por uma agulha (a chamada ablação por radiofrequência). Uma revisão de estudos mostrou redução da dor em boa parte dos pacientes, com efeito que dura meses e pode ser repetido, embora a qualidade da evidência ainda seja considerada moderada a baixa [10].
- Congelar temporariamente esses nervos (a chamada crioneurólise, uma técnica reversível). Um estudo que reuniu vários trabalhos mostrou que, feita antes da prótese de joelho, ela reduz a dor e o uso de opioide nas primeiras semanas [11].
No quadril, essas técnicas são menos desenvolvidas, porque os nervos são mais profundos e difíceis de alcançar. Nesse caso, o caminho é a investigação cuidadosa, a reabilitação com fisioterapeuta e o acompanhamento com especialista em dor. A própria AAOS classifica a evidência dessas técnicas de desligar o nervo como ainda limitada, então elas ficam reservadas para casos bem selecionados, em centros com experiência [1].
Esta página é informativa e não substitui a consulta. A decisão sobre qual esquema de dor usar no seu caso é da sua equipe médica, que avalia o seu quadro clínico, seus exames, suas outras doenças e o seu histórico de medicações.
Referencias
- Gabrielli AS, Mulpuri P, Reddy AVG, Lonner JH, Yakkanti IR. Pain Management Strategies for Joint Replacement Surgery. In: Orthopaedic Knowledge Update: Hip and Knee Reconstruction 7. Rosemont: American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS); 2026. link
- Passias BJ, Johnson DB, Schuette HB, Secic M, Heilbronner B, Hyland SJ, et al. Preemptive multimodal analgesia and post-operative pain outcomes in total hip and total knee arthroplasty. Arch Orthop Trauma Surg. 2023;143(5):2401-2407. link
- Fillingham YA, Hannon CP, Erens GA, Hamilton WG, Della Valle CJ. Acetaminophen in Total Joint Arthroplasty: The Clinical Practice Guidelines of the American Association of Hip and Knee Surgeons, American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine, American Academy of Orthopaedic Surgeons, Hip Society, and Knee Society. J Arthroplasty. 2020;35(10):2697-2699. link
- Fillingham YA, Hannon CP, Roberts KC, Hamilton WG, Della Valle CJ. Nonsteroidal Anti-Inflammatory Drugs in Total Joint Arthroplasty: The Clinical Practice Guidelines of the American Association of Hip and Knee Surgeons, American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine, American Academy of Orthopaedic Surgeons, Hip Society, and Knee Society. J Arthroplasty. 2020;35(10):2704-2708. link
- Hannon CP, Fillingham YA, Nam D, Courtney PM, Curtin BM, Vigdorchik JM, et al. Opioids in Total Joint Arthroplasty: The Clinical Practice Guidelines of the American Association of Hip and Knee Surgeons, American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine, American Academy of Orthopaedic Surgeons, Hip Society, and Knee Society. J Arthroplasty. 2020;35(10):2709-2714. link
- Hannon CP, Fillingham YA, Browne JA, Schemitsch EH, Mullen K, Casambre F, et al. The Efficacy and Safety of Gabapentinoids in Total Joint Arthroplasty: Systematic Review and Direct Meta-Analysis. J Arthroplasty. 2020;35(10):2730-2738. link
- Fillingham YA, Ramkumar DB, Jevsevar DS, Yates AJ, Bini SA, Clarke HD, et al. Tranexamic Acid Use in Total Joint Arthroplasty: The Clinical Practice Guidelines Endorsed by the American Association of Hip and Knee Surgeons, American Society of Regional Anesthesia and Pain Medicine, American Academy of Orthopaedic Surgeons, Hip Society, and Knee Society. J Arthroplasty. 2018;33(10):3065-3069. link
- Cooper HJ, Lakra A, Maniker RB, Hickernell TR, Shah RP, Geller JA. Preemptive Analgesia With Oxycodone Is Associated With More Pain Following Total Joint Arthroplasty. J Arthroplasty. 2019;34(12):2878-2883. link
- Ochroch J, Qi V, Badiola I, Grosh T, Cai L, Graff V, et al. Analgesic efficacy of adding the IPACK block to a multimodal analgesia protocol for primary total knee arthroplasty. Reg Anesth Pain Med. 2020;45(10):799-804. link
- Kanjanapanang N, Madrid R, Lin P, Shilling M, Cooper A, Sen H, et al. Effectiveness of genicular nerve radiofrequency ablation in osteoarthritis and post-surgical knee pain: systematic review. Pain Med. 2026;27(2):189-208. link
- Hajiaghajani S, Poursalehian M, Samakoosh AN, Bahrami O, Hecht CJ, Kamath AF. Does Preoperative Anterior Genicular Nerve Cryoneurolysis Improve Early Outcomes of Primary Total Knee Arthroplasty? A Systematic Review and Meta-Analysis. J Arthroplasty. 2026;41(1):249-257. link
Perguntas Frequentes
Vou sentir muita dor depois da prótese de quadril ou de joelho?
Existe dor no pós-operatório, mas ela é controlada. No dia da cirurgia, o objetivo da equipe é manter a dor em um nível tolerável, que permita você levantar, andar e fazer a fisioterapia. Para isso, combinamos vários remédios em doses menores, com anestesia aplicada perto dos nervos e injeção de anestésico no próprio local operado. O joelho costuma doer mais que o quadril nas primeiras 48 horas, e recebe alguns recursos a mais por isso.
Vou precisar tomar remédio forte, tipo morfina, depois da cirurgia?
Provavelmente sim, mas em dose baixa e apenas quando necessário, como reforço para os picos de dor, nunca em horário fixo. A maior parte do controle da dor vem dos outros recursos: paracetamol em horário fixo, anti-inflamatório quando o seu rim e o seu estômago permitem, anestesia perto dos nervos e injeção no local operado. A maioria dos pacientes deixa de precisar do remédio forte em uma a duas semanas.
A anestesia aplicada perto do nervo do joelho deixa a perna sem força?
O bloqueio mais usado hoje no joelho, chamado bloqueio do canal dos adutores, foi escolhido justamente por adormecer a dor sem tirar a força da coxa. Você consegue levantar e caminhar com auxílio logo após a cirurgia. Uma técnica mais antiga, o bloqueio do nervo femoral, deixava a perna fraca e aumentava o risco de queda, e por isso foi sendo deixada de lado. A força volta por completo quando o efeito da anestesia passa.
Meu pai tem mais de 80 anos. É seguro operar e controlar a dor nessa idade?
A idade sozinha não impede a cirurgia. O que decide é o estado geral e clínico do paciente. No idoso, o protocolo de dor é ajustado: menos remédio forte, anti-inflamatório com mais cautela, cuidado com remédios que causam sonolência, e mais peso nas técnicas que controlam a dor sem afetar a cabeça, como os bloqueios perto dos nervos. Prevenir quedas e confusão mental faz parte central desse cuidado. Pacientes acima dos 80 anos com bom estado geral costumam operar com bons resultados.
E se a dor continuar depois de três meses da prótese?
Dor importante que persiste além de três meses precisa ser investigada. O primeiro passo é sempre procurar a causa, descartando infecção da prótese (que pode existir sem febre), afrouxamento da peça, instabilidade e dores que vêm de fora da articulação, como da coluna. Quando a investigação descarta essas causas, existem tratamentos para a dor que vem dos próprios nervos da articulação, especialmente no joelho, com técnicas que reduzem o sinal de dor por alguns meses. A avaliação é individual e feita em conjunto com especialista em dor.
O controle da dor é igual na prótese de quadril e na de joelho?
A base é a mesma, mas o peso de cada peça muda. No joelho, os bloqueios de anestesia perto dos nervos e a injeção no local operado têm papel maior, a dor inicial costuma ser mais intensa, e o remédio que reduz o sangramento tem impacto maior. No quadril, os nervos são mais profundos e o controle se apoia mais na anestesia aplicada nas costas, na injeção feita pelo cirurgião e nos remédios combinados. A dor que persiste por meses também é um pouco mais comum no joelho do que no quadril.
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