Este artigo é informativo. As decisões sobre qualquer tratamento envolvem a avaliação da sua equipe médica — que considera seus exames, suas outras doenças, suas expectativas e o seu caso individual. Nenhum texto substitui essa conversa.
Quando a artrose afeta os dois joelhos de forma avançada, surge uma dúvida prática e legítima: dá para resolver os dois de uma vez, num único dia de cirurgia, ou é melhor operar um de cada vez? A resposta honesta é: as duas opções existem, ambas podem ser seguras — e a escolha certa depende de você.
Este guia mostra, com dados, o que muda entre operar os dois joelhos juntos (prótese bilateral simultânea) e operá-los em etapas, para você conversar com a sua equipe com clareza.
1. Operar os dois de uma vez é possível — e tem atrativos reais
A prótese bilateral simultânea (os dois joelhos no mesmo ato cirúrgico) é uma prática estabelecida e feita em larga escala no mundo todo. Seus atrativos são compreensíveis: uma única internação, uma única anestesia, uma única reabilitação e a resolução do problema de uma só vez, em vez de duas cirurgias e duas recuperações.
Para o paciente certo, é uma opção legítima. Mas "para o paciente certo" é a parte que importa — e é onde os dados pedem honestidade.
2. O que muda ao fazer os dois juntos: mais complicações, mesma mortalidade
Aqui está o dado central. Uma revisão sistemática de 2026, reunindo 52 estudos e mais de 5,8 milhões de pacientes, comparou operar os dois joelhos ao mesmo tempo com operar apenas um: a cirurgia bilateral simultânea teve maior taxa de complicações (risco relativo 1,42) e internação um pouco mais longa [1].
Mas há uma parte tranquilizadora na mesma análise: a mortalidade e a taxa de readmissão foram semelhantes entre operar os dois e operar um só, e os resultados funcionais (movimento, escores de joelho, qualidade de vida) foram comparáveis [1]. Ou seja: fazer os dois juntos concentra mais risco de complicações em uma única cirurgia — o que reforça por que a seleção do paciente é decisiva —, mas o resultado final de função tende a ser tão bom quanto.
3. Simultânea ou em etapas? Os dois caminhos podem ser seguros
E entre operar tudo no mesmo dia ou dividir em cirurgias separadas, qual é melhor? Um ensaio clínico randomizado de 2026, com 150 pacientes, comparou justamente isso e chegou a uma conclusão equilibrada: ambos os caminhos são seguros quando a seleção do paciente é bem-feita, com taxas de complicação comparáveis entre eles [2].
O mesmo estudo trouxe detalhes práticos honestos: no grupo operado em cirurgias separadas houve mais necessidade de transfusão de sangue e internação mais longa somada; e os autores concluem que a decisão deve ser individualizada, com base nos fatores de risco de cada pessoa [2]. Não existe um vencedor universal — existe o que faz mais sentido para o seu caso.
4. Quem é candidato à cirurgia simultânea?
A leitura conjunta dos dados aponta para o princípio que uso na prática: a cirurgia bilateral simultânea tende a ser uma boa opção para pacientes mais saudáveis, sem doenças cardíacas ou pulmonares importantes, que suportam bem uma cirurgia de maior porte e uma reabilitação de dois joelhos ao mesmo tempo. Já pacientes com mais fatores de risco costumam se beneficiar de operar um joelho de cada vez, diluindo o risco.
Essa avaliação — quem se enquadra em cada perfil — é exatamente o que a sua equipe médica e anestésica faz, olhando o conjunto do seu quadro. Sobre os fatores que pesam nessa conta, veja contraindicações e preparo.
5. E depois: dois joelhos, a mesma durabilidade
Uma boa notícia para quem enfrenta a decisão dobrada: a durabilidade não muda por serem dois. Cada prótese de joelho segue a mesma expectativa — uma revisão sistemática estimou que cerca de 82% seguem funcionando aos 25 anos [4]. E a segurança geral é alta: em registros nacionais com centenas de milhares de casos, a mortalidade após a prótese de joelho foi de cerca de 0,20% e vinha caindo [3].
A decisão sobre operar os dois joelhos juntos ou em etapas é exclusiva do seu médico, que avalia o conjunto: seu quadro clínico, exames, comorbidades e objetivos. Comece pelo guia completo da prótese de joelho.
Referencias
- Shinwari H, Shinwari HT, Mouyer Z, Butt A. Bilateral Versus Unilateral Total Knee Arthroplasty: A Systematic Review and Meta-Analysis of Safety and Functional Outcomes. J Arthroplasty. 2026 Feb 9 (online ahead of print). link
- Hippalgaonkar K, Masilamani ABS, Jayakumar T, Prakash M. Comparison of Safety Profile of Bilateral Simultaneous Versus Staggered Total Knee Arthroplasty: A Prospective Randomized Controlled Trial. J Arthroplasty. 2026;41(2):451-457. link
- Hunt LP, Ben-Shlomo Y, Clark EM, et al. 45-day mortality after 467,779 knee replacements for osteoarthritis from the National Joint Registry for England and Wales: an observational study. Lancet. 2014;384(9952):1429-1436. link
- Evans JT, Walker RW, Evans JP, Blom AW. How long does a knee replacement last? A systematic review and meta-analysis of case series and national registry reports with more than 15 years of follow-up. Lancet. 2019;393(10172):655-663. link
Perguntas Frequentes
Posso operar os dois joelhos no mesmo dia?
Sim, a prótese bilateral simultânea é uma opção estabelecida para pacientes selecionados. Ela oferece uma única internação e recuperação, mas concentra mais risco de complicações em uma cirurgia — por isso a seleção do paciente é decisiva. Quem avalia se você é candidato é a sua equipe.
É mais perigoso operar os dois de uma vez?
Operar os dois juntos tem maior taxa de complicações do que operar um só (risco relativo 1,42 numa revisão com mais de 5,8 milhões de pacientes), embora a mortalidade e os resultados de função sejam comparáveis [1]. Não é "perigoso" de forma proibitiva — é uma concentração de risco que pede boa seleção.
É melhor operar tudo de uma vez ou um de cada vez?
Um ensaio clínico de 2026 mostrou que ambos os caminhos são seguros quando a seleção do paciente é bem-feita, com complicações comparáveis [2]. Não há vencedor universal — a decisão é individualizada conforme os seus fatores de risco, avaliados pela sua equipe.
Quem NÃO deve operar os dois ao mesmo tempo?
Em geral, pacientes com doenças cardíacas, pulmonares ou outras condições importantes costumam se beneficiar de operar um joelho de cada vez, diluindo o risco. A avaliação individual é feita pela sua equipe médica e anestésica.
A recuperação de dois joelhos é muito mais difícil?
Reabilitar dois joelhos ao mesmo tempo exige mais no início, mas concentra tudo em uma única recuperação. Por isso a cirurgia simultânea costuma ser reservada a pacientes mais saudáveis, que suportam bem esse esforço. A função final tende a ser tão boa quanto a de operar um de cada vez [1].
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PROTESE DE QUADRIL E JOELHO | TRATAMENTO DA ARTROSE
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