Uma prótese de joelho pode precisar de troca, chamada de cirurgia de revisão, quando o implante afrouxa do osso (a chamada soltura), quando a peça de plástico entre as partes de metal se desgasta, quando surge uma infecção, ou quando o joelho fica instável, muito rígido, ou dói de forma persistente sem outra causa identificada.
Na maioria das pessoas isso não acontece, e quando acontece costuma ser depois de muitos anos de uso. Nos registros e estudos mais atuais, as duas razões que mais aparecem para a troca são a soltura mecânica (o afrouxamento do implante no osso) e a infecção.
Em levantamentos de próteses de joelho que precisaram de revisão, a distribuição das causas ajuda a entender o problema: a infecção responde por cerca de 27% dos casos, a instabilidade por cerca de 14%, a soltura sem infecção por cerca de 13% e a rigidez importante (chamada de artrofibrose) por cerca de 9%. O desgaste do plástico e as fraturas ao redor do implante também entram na lista.
Na consulta, eu avalio a causa antes de indicar qualquer troca. Dor no joelho operado não significa, por si só, que a prótese falhou. Uso o exame físico, o raio-x e, quando preciso, exames de sangue e de líquido da articulação para saber o que está acontecendo. [1, 3, 4]
Quais são os sinais de alerta de que a prótese pode estar com problema?
Procure avaliação se o joelho operado voltar a doer de forma persistente, inchar, ficar quente ou vermelho, perder firmeza (a sensação de que o joelho 'sai do lugar'), travar, ou perder um movimento que você já tinha recuperado.
A dor que reaparece depois de um período em que o joelho estava bem merece atenção, principalmente se vier junto com febre, calor ou vermelhidão na pele. Nesses casos, é importante afastar uma infecção logo, porque o tratamento é mais simples quando começa cedo.
Firmeza que falha ao descer escadas e rigidez que não melhora com fisioterapia também são motivos para consultar. Muitas dessas causas têm tratamento, e nem toda queixa leva à cirurgia. O objetivo da avaliação é descobrir a origem do problema antes de decidir a conduta. [4, 5]
A infecção da prótese de joelho é comum? Como ela é tratada?
A infecção da prótese de joelho é pouco frequente. Nos grandes registros internacionais que acompanham milhões de cirurgias, menos de 1% dos joelhos operados precisaram de revisão por infecção no primeiro ano, com números entre cerca de 0,2% e 0,8%.
Quando a infecção se instala em torno do implante, o tratamento mais usado é feito em etapas. Primeiro, retiro a prótese infectada e coloco um espaçador com antibiótico, que combate a infecção e mantém o espaço da articulação. Depois de tratar a infecção, faço uma nova cirurgia para implantar a nova prótese. Em revisões de estudos sobre esse tratamento em etapas com espaçador de antibiótico, a infecção foi controlada em cerca de 87% dos casos.
Em situações selecionadas existem alternativas, como resolver em uma única etapa. O ponto importante para você é que a infecção da prótese tem tratamento, e que o processo é mais longo do que o de uma troca por desgaste ou soltura. Por isso a avaliação precoce faz diferença. [5, 6]
Como é a cirurgia de revisão de prótese de joelho?
A cirurgia de revisão troca parte ou todo o implante antigo por um novo. Ela costuma ser mais complexa e demorada que a primeira prótese, porque é preciso remover com cuidado as peças anteriores e, em alguns casos, reconstruir o osso que se perdeu ao redor do implante.
Nem toda revisão troca a prótese inteira. Às vezes basta substituir a peça de plástico que se desgastou. Quando há perda de osso ou instabilidade, uso implantes com mais apoio, com hastes e blocos que ancoram melhor no osso e dão mais estabilidade ao joelho.
O planejamento é uma etapa importante. Antes de operar, eu confirmo a causa da falha, avalio a possibilidade de infecção e organizo os exames pré-operatórios. Esse cuidado ajuda a escolher o tipo certo de implante e a reduzir o risco de uma nova troca. [3, 4]
A recuperação da revisão é mais demorada que a da primeira cirurgia?
Sim. A recuperação de uma prótese de revisão costuma ser mais lenta que a da primeira cirurgia, porque a operação mexe mais nos tecidos e no osso e, muitas vezes, usa implantes maiores.
Você anda com apoio (andador ou muletas) nas primeiras semanas e faz fisioterapia para recuperar força e movimento. O retorno às atividades é gradual. Um dado da primeira prótese ajuda a ter referência do ritmo de volta ao trabalho: entre quem tem função de escritório, cerca de 30% voltaram em até 1 mês e mais 44% em até 2 meses, enquanto quem faz trabalho físico pesado levou mais tempo. Na revisão, esses prazos tendem a ser um pouco maiores.
Movimentar o joelho cedo e seguir a fisioterapia ajuda a evitar a rigidez, chamada de artrofibrose, que é o acúmulo de tecido cicatricial que limita a dobra e a extensão. Eu oriento cada paciente sobre o ritmo dos exercícios de acordo com a dor e a evolução. [8, 7]
Quanto tempo dura uma prótese de joelho moderna?
As próteses de joelho atuais são duráveis. Segundo uma ampla revisão de registros nacionais de artroplastia, cerca de 82% das próteses totais de joelho ainda estavam funcionando 25 anos depois da cirurgia. As próteses parciais, que substituem só um lado do joelho, tiveram cerca de 70% em funcionamento no mesmo período.
Olhando prazos mais próximos, cerca de 96% dos implantes seguem no lugar aos 10 anos e cerca de 90% aos 20 anos. Para quem opera depois dos 70 anos, o risco de precisar de uma troca ao longo da vida é de aproximadamente 5%.
O risco de revisão é maior em quem opera mais jovem, porque a prótese fica exposta a mais anos de uso. Por isso o momento da cirurgia é uma decisão que eu discuto com você caso a caso. Para a maioria dos pacientes idosos, os números mostram que uma prótese de joelho tende a durar o suficiente para acompanhá-los por muitos anos. [1, 2]
Referencias
- Evans JT, Walker RW, Evans JP, Blom AW, Sayers A, Whitehouse MR. How long does a knee replacement last? A systematic review and meta-analysis of case series and national registry reports with more than 15 years of follow-up. Lancet. 2019;393(10172):655-663. link
- Bayliss LE, Culliford D, Monk AP, Glyn-Jones S, Prieto-Alhambra D, Judge A, et al. The effect of patient age at intervention on risk of implant revision after total replacement of the hip or knee: a population-based cohort study. Lancet. 2017;389(10077):1424-1430. link
- Tarazi JM, Chen Z, Scuderi GR, Mont MA. The Epidemiology of Revision Total Knee Arthroplasty. J Knee Surg. 2021;34(13):1396-1401. link
- Lakpriya S, De C, Tahir M, Sanka SK, Pierce TP, Gwam C. Etiology of Failure in Revision Total Knee Arthroplasty: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Arthroplasty. 2025;41(8):2539-2547.e10. link
- Leta TH, Lie SA, Fenstad AM, Lygre SHL, Lindberg-Larsen M, Pedersen AB, et al. Periprosthetic Joint Infection After Total Knee Arthroplasty With or Without Antibiotic Bone Cement. JAMA Netw Open. 2024;7(5):e2412898. link
- Khnanisho M, Horne C, Deckey DG, Tarabichi S, Seyler TM, Bingham JS. 1.5-Stage Revision for the Treatment of Periprosthetic Joint Infection: A Systematic Review. J Arthroplasty. 2025;40(8):1945-1951.e2. link
- Cheuy VA, Foran JRH, Paxton RJ, Bade MJ, Zeni JA, Stevens-Lapsley JE. Arthrofibrosis Associated With Total Knee Arthroplasty. J Arthroplasty. 2017;32(8):2604-2611. link
- Sarfraz A, Antonioli S, Le DH, Khury F, Robin JX, Schwarzkopf R, et al. How do occupational demands affect return to work after total knee arthroplasty? Knee. 2025;58:104284. link
Perguntas Frequentes
Quanto tempo dura uma prótese de joelho?
Cerca de 82% das próteses totais de joelho ainda estão funcionando 25 anos depois da cirurgia, e aproximadamente 90% seguem no lugar aos 20 anos. As próteses parciais têm cerca de 70% em funcionamento aos 25 anos.
Toda prótese de joelho vai precisar ser trocada um dia?
Não. A maioria das próteses dura décadas e nunca precisa de troca. Para quem opera depois dos 70 anos, o risco de precisar de uma cirurgia de revisão ao longo da vida é de cerca de 5%.
Quais são os sinais de que a prótese de joelho está com problema?
Os principais sinais são dor persistente no joelho operado, inchaço, calor ou vermelhidão na pele, sensação de que o joelho 'sai do lugar', travamento e rigidez que não melhora. Dor com febre merece avaliação rápida para afastar infecção.
A infecção na prótese de joelho tem cura?
Sim, a infecção da prótese tem tratamento. O caminho mais comum é feito em etapas, com retirada do implante, uso de um espaçador com antibiótico e, depois, a colocação de uma nova prótese. Esse tratamento controla a infecção em cerca de 87% dos casos.
A recuperação da cirurgia de revisão é mais difícil?
A recuperação costuma ser mais lenta que a da primeira prótese, porque a cirurgia mexe mais no osso e nos tecidos. Você anda com apoio nas primeiras semanas e faz fisioterapia, com retorno gradual às atividades do dia a dia.
A prótese parcial de joelho dura menos que a total?
Nos registros de longo prazo, cerca de 70% das próteses parciais estavam funcionando aos 25 anos, contra cerca de 82% das próteses totais. A escolha entre parcial e total depende do padrão da artrose e é decidida caso a caso.
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