A trombose venosa é uma complicação em que se forma um coágulo de sangue dentro das veias profundas da perna após cirurgia de prótese. Quando este coágulo se desloca e viaja até os pulmões, pode causar uma situação potencialmente grave chamada embolia pulmonar.
Neste artigo, você aprenderá exatamente o que é trombose venosa profunda, por que aumenta o risco após prótese de quadril ou joelho, quais sinais devem ser alvo de preocupação e que fatores aumentam ainda mais sua susceptibilidade a esta complicação.
Conhecer essas informações é essencial para reconhecer sintomas no início e procurar ajuda médica rapidamente se necessário [1].
O que é trombose venosa profunda (TVP)?
A trombose venosa profunda, ou TVP, é a formação de um coágulo (trombo) dentro das veias profundas da perna. As veias profundas são aquelas que ficam sob os músculos da perna, diferentes das veias superficiais que você vê sob a pele [2].
Normalmente, o sangue flui livremente por essas veias, trazendo oxigênio e nutrientes aos tecidos e retornando ao coração para ser oxigenado nos pulmões. Quando um coágulo se forma, bloqueia parcial ou totalmente esse fluxo, impedindo que o sangue retorne adequadamente. Além disso, existe o risco de que o coágulo se solte e viaje pela corrente sanguínea [2].
Quando o coágulo solto alcança os pulmões, ele pode bloquear a circulação pulmonar, causando uma complicação grave chamada embolia pulmonar (EP). A embolia pulmonar é potencialmente fatal e exige atendimento médico de emergência imediato [2].
O termo médico que engloba tanto a TVP quanto a embolia pulmonar é tromboembolismo venoso (VTE, sigla em inglês). Essa distinção é importante para sua compreensão: uma pessoa pode ter TVP, ou TVP com embolia pulmonar, ou apenas embolia pulmonar (sem TVP detectada inicialmente) [2].
Por que a cirurgia de prótese aumenta o risco?
A cirurgia de prótese de quadril ou joelho representa um fator de risco significativo para trombose porque ativa vários mecanismos que aumentam a probabilidade de coágulo se formar. Compreender esses mecanismos ajuda a entender por que a prevenção é tão importante [2,4].
Lesão vascular: Durante a cirurgia, os vasos sanguíneos e o tecido circundante sofrem trauma. Essa lesão ativa a cascata de coagulação — o sistema natural do corpo que cria coágulos para parar o sangramento. No entanto, em alguns casos, esse mecanismo de proteção cria um desequilíbrio, levando à formação de trombos dentro das veias [2,4].
Imobilização: Após a cirurgia, a perna operada fica inicialmente menos móvel, e até quando o paciente começa a movimentar, o movimento é limitado nos primeiros dias. Quando as pernas não se movem, o fluxo de sangue nas veias fica mais lento. Esse fluxo lento favorece a agregação de células sanguíneas e a formação de coágulos — é como um rio que flui lentamente permite que sedimentos se depositem [2,4].
Inflamação: A cirurgia desencadeia uma resposta inflamatória no corpo. Essa inflamação afeta as células das paredes das veias e ativa fatores de coagulação, criando um ambiente favorável à trombose [2,4].
Hipóxia e dano endotelial: A lesão cirúrgica causa dano à camada interna das veias (endotélio). Esse dano expõe fatores que ativam a coagulação e permitem que as plaquetas se aderem à parede danificada do vaso [2,4].
Quais são os sintomas de alerta?
É fundamental reconhecer os sinais e sintomas de trombose venosa profunda, pois o diagnóstico precoce é essencial para prevenir complicações graves como embolia pulmonar [2].
Sintomas de trombose venosa profunda (TVP) na perna: O inchaço é frequentemente o primeiro sinal. A perna afetada (geralmente a operada) pode inchar significativamente, com o volume notavelmente maior quando comparado à perna oposta. Junto ao inchaço, pode haver dor ou sensação de plenitude na perna, especialmente na panturrilha ou na parte posterior do joelho. A pele pode ficar avermelhada ou mais quente ao toque naquela área. Às vezes, há uma sensação de endurecimento ou cordão na perna, que representa o vaso trombosado [2].
Importante: Algumas pessoas com TVP não apresentam sintomas óbvios, especialmente se o coágulo é pequeno ou se está sendo monitorada com medicação preventiva adequada. Por isso, a prevenção é tão crucial [2].
Sintomas de embolia pulmonar (EP): Se o coágulo se solta e viaja para os pulmões, os sintomas podem aparecer subitamente e incluem: falta de ar ou dificuldade para respirar (que pode ser súbita), dor no peito (especialmente quando você respira profundamente), tontura ou desmaio, coração acelerado ou palpitações, tosse (que pode ou não trazer sangue) [2].
ALERTA MÁXIMO: Se você apresentar falta de ar significativa, dor intensa no peito, desmaio ou qualquer combinação desses sintomas após a cirurgia de prótese, procure EMERGÊNCIA IMEDIATAMENTE. Embolia pulmonar é uma emergência médica que requer tratamento urgente [2].
Quais fatores aumentam ainda mais o risco?
Nem todos os pacientes que se submetem a prótese de quadril ou joelho têm o mesmo risco de trombose. Alguns fatores aumentam significativamente esse risco e devem ser considerados ao planejar a estratégia preventiva [2,4].
História pessoal de trombose: Se você já teve trombose venosa ou embolia pulmonar no passado, seu risco de recorrência é consideravelmente maior. Isso ocorre porque provavelmente você tem uma tendência biológica a coagular mais facilmente [2,4].
Trombofilia ou predisposição genética: Algumas pessoas herdam uma tendência a coagular mais facilmente do que outras. Condições como deficiência de proteína C, proteína S, antitrombina, síndrome do antifosfolípide, ou mutações genéticas (como Fator V Leiden ou mutação do gene da protrombina) aumentam significativamente o risco [2,4].
Câncer ativo ou história de câncer: Pacientes com câncer têm um risco extraordinariamente elevado de trombose. As células malignas liberam substâncias que ativam a cascata de coagulação. Se você tem câncer ou recentemente completou tratamento, avise seu cirurgião [2,4].
Idade avançada: O risco aumenta progressivamente com a idade. Pacientes com mais de 70 anos têm risco substancialmente mais alto que pacientes com menos de 50 anos [2,4].
Obesidade: Pacientes com índice de massa corporal (IMC) elevado têm risco maior de trombose. Além disso, a obesidade pode prejudicar a mobilização precoce após a cirurgia [2,4].
Cirurgia bilateral: Se você está fazendo prótese dos dois lados simultaneamente ou muito próximos um do outro, o risco é mais elevado porque ambas as pernas foram traumatizadas [2,4].
Revisão de prótese anterior: Pacientes que precisam refazer uma prótese (segunda cirurgia) têm risco aumentado [2,4].
Insuficiência venosa crônica: Se você já tinha problemas de circulação venosa antes da cirurgia (varizes, edema crônico), seu risco aumenta [2].
Imobilização prolongada: Se por qualquer razão você não conseguir se mobilizar nos primeiros dias após a cirurgia (por exemplo, complicações com a ferida, dor intensa, outras condições médicas), o risco sobe [2,4].
Sua equipe de cirurgia avaliará todos esses fatores. Se você apresenta um ou mais desses riscos aumentados, seu médico recomendará uma estratégia de prevenção mais agressiva, provavelmente com anticoagulantes mais potentes em vez de aspirina simples [4].
Referencias
- Gausden EB, Mihalko WM (eds). AAOS Orthopaedic Knowledge Update: Hip and Knee Reconstruction 7. Wolters Kluwer / American Academy of Orthopaedic Surgeons; 2026. ISBN: 978-1975248437. link
- Geerts WH, Bergqvist D, Pineo GF, et al. Prevention of venous thromboembolism: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines (8th Edition). Chest. 2008;133(6 suppl):381S-453S. link
- Schulman S, Kearon C, Kakkar AK, et al. Dabigatran versus warfarin in the treatment of acute venous thromboembolism. N Engl J Med. 2009;361(24):2342-2352. link
- International Consensus Meeting 2022 on VTE Prophylaxis in Hip and Knee Arthroplasty. J Bone Joint Surg Am. 2022;104(suppl 1):180-231. link
- Lieberman JR, Bell JA. Prophylaxis of venous thromboembolism after total hip and knee arthroplasty. J Bone Joint Surg Am. 2021;103(16):1556-1564. link
Perguntas Frequentes
Todos que fazem prótese desenvolvem trombose?
Não. A maioria dos pacientes que recebem prevenção apropriada de trombose não a desenvolve. Com o uso de anticoagulantes ou aspirina, a incidência cai para menos de 1-2%. Mesmo sem medicação preventiva, nem todos desenvolvem coágulos. No entanto, o risco é significativo o suficiente para justificar a prevenção em todos os pacientes.
Quanto tempo após a cirurgia o risco é maior?
O risco é maior nos primeiros 7-14 dias após a cirurgia de joelho, e pode estender-se até 35 dias após prótese de quadril. O risco é máximo durante a internação hospitalar e nos primeiros dias em casa. Por isso, a prevenção deve durar pelo menos esse tempo, e às vezes mais em pacientes de alto risco.
Posso ter trombose sem apresentar sintomas?
Sim, é possível. Estudos mostram que muitos coágulos são assintomáticos, especialmente se pequenos ou se o paciente está em uso de anticoagulante. Por isso, os sintomas não aparecem em todos os casos, e a prevenção medicamentosa é importante mesmo que você se sinta bem.
Se tiver história familiar de trombose, meu risco é maior?
Sim, potencialmente. Se um ou mais membros da sua família tiveram trombose ou embolia pulmonar, especialmente em idade jovem, isso pode indicar uma predisposição genética. Avise seu cirurgião sobre esse histórico para que ele possa personalizar o plano de prevenção.
O inchaço após a cirurgia é sempre sinal de trombose?
Não. O inchaço é muito comum após prótese de quadril ou joelho e geralmente é causado pela inflamação natural da cirurgia, não por trombose. No entanto, inchaço súbito, assimétrico (muito maior em um lado), acompanhado de dor, calor ou vermelhidão requer avaliação médica urgente para descartar TVP.
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