PROTESE DE QUADRIL E JOELHO | TRATAMENTO DA ARTROSE

Artrose no Quadril: Guia Completo

Casal de idosos ativos jogando badminton ao ar livre

O que é a artrose de quadril (coxartrose)?

A artrose de quadril, chamada pelos médicos de coxartrose ou osteoartrite do quadril, é o desgaste progressivo da cartilagem que reveste a articulação entre a cabeça do fêmur e o encaixe na bacia (o acetábulo). A cartilagem funciona como uma camada lisa que deixa os ossos deslizarem; quando ela se gasta, o osso por baixo reage, a articulação perde o espaço e aparecem dor e rigidez. O que é artrose em geral, e por que o laudo usa nomes diferentes, está em o que é artrose (osteoartrite, osteoartrose).

É uma doença muito comum. Na análise mundial de carga de doenças, 595 milhões de pessoas tinham artrose em 2020, 7,6% da população do planeta, e o número de casos cresceu 132% desde 1990; o joelho é a articulação mais afetada, e a projeção é de que os casos de quadril cresçam 78,6% até 2050, com o envelhecimento da população. A mesma análise registra que não existe cura para a artrose, e que a prótese é altamente eficaz na fase avançada do quadril e do joelho.[1]

A artrose de quadril raramente é uma emergência, mas também não é "coisa da idade" que se deva aceitar sem tratamento: existe uma escada de cuidados com boa evidência, do exercício orientado à prótese de quadril, e a conduta é ajustada ao longo do tempo, conforme os sintomas e o que a pessoa quer voltar a fazer.

Comparação anatômica entre um quadril normal, à esquerda, e um quadril com artrose, à direita, mostrando cartilagem desgastada, redução do espaço articular e osso exposto
Quadril normal à esquerda e quadril com artrose à direita: a cartilagem se desgasta, o espaço entre os ossos diminui e o osso fica exposto. Ilustração: OpenStax Anatomy (CC BY 4.0), adaptada

Por que a artrose de quadril aparece?

Em parte dos casos não há uma causa única identificável (artrose primária); em outra parte ela é consequência de uma alteração prévia do quadril (artrose secundária): displasia (encaixe raso desde a infância), impacto femoroacetabular (o formato da cabeça do fêmur ou do encaixe que faz os ossos se chocarem no movimento), osteonecrose (morte de parte do osso por falta de circulação), sequelas de doenças da infância e fraturas. Não é possível atribuir com precisão quanto cada uma dessas causas responde pelo total dos casos.

O que está bem medido é o risco associado ao formato do quadril. Numa meta-análise (estudo que soma vários estudos) com 42.831 quadris, os estudos que acompanharam as pessoas ao longo do tempo mostraram que quem tem a deformidade tipo cam (excesso de osso na junção da cabeça com o colo do fêmur) teve cerca de 2,5 vezes mais chance de desenvolver artrose de quadril, e quem tem displasia, cerca de 2,4 vezes; a deformidade tipo pincer, do lado do encaixe, não aumentou o risco nos estudos prospectivos.[2]

Entre os fatores gerais, o excesso de peso respondeu por cerca de 20% da carga de artrose no mundo, considerando todas as articulações e com margem de estimativa ampla.[1] A exposição ocupacional a esforço físico (agachar, carregar peso) associou-se a mais artrose de joelho ou quadril numa revisão da Organização Mundial da Saúde e da Organização Internacional do Trabalho, mas com evidência classificada como de baixa qualidade e poucos estudos.[3] A herança familiar também pesa; o tema tem artigo próprio em artrose é hereditária?, e o trabalho em artrose e trabalho.

O que sente uma pessoa que tem artrose no quadril?

O sintoma mais típico é a dor na virilha, que pode se espalhar pela frente da coxa e chegar ao joelho; por isso muita gente trata o joelho durante meses quando o problema está no quadril. A dor costuma piorar ao caminhar mais tempo e ao levantar depois de ficar sentado, e melhorar com repouso; nas fases avançadas aparece também à noite. Onde exatamente dói, e por que o joelho entra na história, está em dor na virilha e artrose de quadril e em sintomas da artrose de quadril.

O segundo sinal é a perda de movimento, em especial da rotação interna: a pessoa nota que não consegue mais cruzar a perna, calçar a meia e o sapato sem apoiar o pé em algum lugar, ou entrar e sair do carro com facilidade. Cada uma dessas situações tem um artigo: dor no quadril ao calçar sapato e meia, dificuldade para entrar e sair do carro e rigidez e perda de rotação no quadril.

Diferente do joelho, o quadril com artrose não incha de forma visível, porque a articulação é profunda e coberta por músculo; a explicação está em por que o quadril não incha na artrose. Estalos são comuns e, na maioria das vezes, sem importância, como mostra estalo no quadril: quando importa. Nenhum sintoma isolado confirma o diagnóstico; é o conjunto, com o exame e a radiografia, que fecha o quadro.

Como o diagnóstico é feito e o que a radiografia mostra?

O diagnóstico se apoia em três pilares: a história (onde dói, desde quando, o que piora), o exame físico (a perda e a dor à rotação interna do quadril, achado com valor diagnóstico,[5] além dos testes de provocação, como os chamados FADIR e FABER, em que o médico dobra e gira o quadril em posições específicas para reproduzir a dor) e a radiografia. Nenhum teste físico isolado confirma a artrose; o exame orienta e a imagem complementa.

Na radiografia, a artrose aparece como redução do espaço entre a cabeça do fêmur e o encaixe (a cartilagem, que não aparece no raio X, está mais fina) e osteófitos nas bordas (as "pontas de osso");[5] a radiografia também costuma mostrar esclerose (osso mais denso sob a cartilagem gasta) e cistos (pequenas cavidades no osso). A classificação de Kellgren-Lawrence gradua o desgaste, e a partir do grau 2 se fala em artrose radiográfica.[4] O que um bom laudo deve descrever, e como ler o seu, está em diagnóstico da artrose de quadril.

Imagem e dor nem sempre andam juntas: num estudo nacional coreano que acompanhou 11.814 pessoas com 50 anos ou mais, a dor no quadril foi pouco frequente entre as que tinham artrose na radiografia.[4] Por isso o tratamento é guiado pela pessoa, não pela imagem. Na prática, a ressonância não é necessária para diagnosticar a artrose já estabelecida na radiografia; ela é reservada às dúvidas, como suspeita de osteonecrose, fratura por estresse ou lesão do lábio da articulação, quando a radiografia não explica a dor.

Qual é o tratamento para artrose no quadril?

O centro do tratamento é o exercício orientado. Numa meta-análise em rede (estudo que soma vários estudos e ainda compara tratamentos entre si, mesmo quando não foram testados um contra o outro) com 152 ensaios clínicos e 17.431 participantes, o exercício teve efeito sobre a dor e a função semelhante ao dos anti-inflamatórios orais e do paracetamol, e os autores destacam o excelente perfil de segurança do exercício, sobretudo em idosos e em quem tem risco de efeito adverso com esses remédios.[7] Outra meta-análise, com os dados individuais de 4.241 participantes de 31 ensaios, mediu o tamanho desse efeito: cerca de 6 pontos a menos de dor numa escala de 0 a 100 no curto prazo, e 3 a 4 pontos no médio e no longo prazo, um ganho pequeno, que os próprios autores consideram de importância clínica questionável no médio e no longo prazo, e que se soma aos demais tratamentos da escada.[6] Programas de 3 a 6 meses tiveram os melhores resultados nessa análise; nem o volume total de exercício nem a aderência ao programa se associaram ao tamanho do efeito, o que sugere que não é preciso seguir uma dose rígida.[8] O que fazer e como começar está em fisioterapia e exercício na artrose de quadril e em fisioterapia para artrose de joelho e quadril.

Os remédios aliviam a dor, não mudam a doença. Numa meta-análise em rede com 192 ensaios e 102.829 participantes com artrose de joelho ou quadril, o diclofenaco oral em dose plena e o etoricoxibe tiveram alta probabilidade de alívio clinicamente relevante; os opioides, não — e ainda com mais efeitos adversos.[9] Qual remédio funciona, qual decepciona, o que muda no quadril em relação ao joelho e o que fazer quando nenhum resolve está em remédio para artrose no quadril: o que funciona e o que não funciona.

A infiltração de corticoide no quadril, guiada por ultrassom, tem um ensaio clínico de referência: em 199 pessoas com artrose de quadril, o corticoide com anestésico somado à orientação e à educação reduziu a dor ao longo de seis meses em cerca de 1,4 ponto numa escala de 0 a 10 — um alívio real, ainda que modesto. Comparada à injeção só com anestésico, porém, a diferença pode ter sido efeito do acaso. Foi registrado um único evento grave entre os 199 participantes: uma pessoa que já tinha a válvula aórtica do coração substituída por uma prótese biológica morreu quatro meses depois por endocardite, uma infecção do revestimento interno do coração — situação em que qualquer infecção no corpo é mais perigosa. Os autores classificaram o caso como possivelmente relacionado à infiltração.[10] Há também uma associação, descrita em um estudo que apenas observou o que aconteceu com os pacientes, sem sortear tratamentos, o que mostra ligação e não prova de causa, entre a infiltração de corticoide no quadril e a doença rapidamente destrutiva do quadril, uma perda acelerada da cartilagem e do osso da cabeça do fêmur: o risco foi baixo depois de uma única infiltração em dose baixa, e aumentou com doses altas e com infiltrações repetidas.[12] É por isso que a infiltração no quadril é pontual, dosada, guiada por imagem e indicada caso a caso, levando em conta o coração e as demais doenças. A comparação entre corticoide, ácido hialurônico e PRP eu detalho em infiltração no joelho e no quadril.

PRP (plasma rico em plaquetas, preparado a partir do sangue do próprio paciente), células-tronco e outros tratamentos ditos regenerativos não têm, para o quadril, estudo grande e bem conduzido que comprove benefício: numa revisão que só aceitou ensaios grandes de tratamentos intra-articulares, nenhum tratamento regenerativo alcançou uma melhora grande o bastante para o paciente perceber no dia a dia.[11] As diretrizes de melhor qualidade desaconselham a infiltração de células-tronco no quadril e no joelho.[14] A ablação por radiofrequência, que usa calor para interromper os nervos que levam o sinal de dor do quadril até o cérebro, mostrou alívio numa meta-análise, mas com apenas dois estudos de quadril, ambos não randomizados, o que não permite tratá-la como tratamento validado.[13] A posição completa eu explico em ortobiológicos e medicina regenerativa no quadril.

As diretrizes de melhor qualidade convergem na base: educação, exercício e controle de peso, com anti-inflamatórios como complemento; a infiltração de corticoide é recomendada de forma consistente no joelho, e no quadril as diretrizes divergem.[14] A cirurgia aparece recomendada para a artrose incapacitante que não melhorou com o tratamento não cirúrgico.[15] A escada prática, passo a passo, está detalhada em tratamento conservador da artrose de quadril; o peso, em cada quilo conta; e a bengala, que alivia a carga quando usada do lado certo, em bengala na artrose. A decisão sobre qual conduta tomar no seu caso é exclusiva do seu médico assistente, que avalia o conjunto: seu quadro clínico, seus exames, suas outras doenças e seus objetivos.

O que piora a artrose no quadril, e como conviver com ela?

O que mais piora não é o movimento, é a falta dele: o músculo enfraquece, a articulação enrijece e a dor aumenta com menos esforço. O excesso de peso sobrecarrega o quadril a cada passo e é o principal fator modificável já quantificado: respondeu por cerca de 20% da carga de artrose no mundo, com margem de estimativa ampla.[1] Vale dizer sem rodeio: emagrecer com dor no quadril é difícil, e a dor é parte da razão de a pessoa se mexer menos; por isso o caminho costuma começar pelo movimento que ainda é possível, sem cobrança. A dor mal controlada atrapalha o sono, e o sono ruim aumenta a dor, um ciclo tratado em sono e artrose.

Conviver bem com a artrose de quadril é organizar o dia para manter o movimento sem provocar crises: caminhar em terreno plano e com bom calçado, alternar atividade e descanso, fortalecer os glúteos e a coxa, usar a bengala do lado oposto quando a dor limita a distância, e ajustar as tarefas que exigem agachar ou carregar peso. Se caminhar ajuda ou prejudica é a dúvida mais comum, respondida em caminhada e artrose de quadril.

Quando a dor passa a mandar no dia, acordar a pessoa à noite ou impedir o que ela gosta de fazer, apesar de exercício, peso e remédio bem usados, é sinal de que o tratamento conservador chegou ao limite; o que fazer nesse ponto está em quando o tratamento conservador falha.

Artrose de quadril tem cura? É grave? A pessoa pode ficar sem andar?

Cura, no sentido de a cartilagem voltar a ser o que era, não existe: a análise mundial de carga de doenças registra que não há cura eficaz para a artrose, e que a prótese é altamente eficaz na fase avançada.[1] Nenhum remédio, infiltração ou terapia regenerativa demonstrou, até hoje, frear ou reverter a artrose de quadril em estudo grande e bem conduzido. O que existe, e funciona, é controle: da dor, da função e do ritmo de progressão. A resposta completa está em artrose de quadril tem cura?.

Sobre a gravidade: é uma doença crônica, que incomoda e limita, mas que não ameaça a vida; a gravidade dela se mede pelo quanto tira da pessoa o que ela faz e gosta de fazer. Sobre a velocidade: num registro sueco com 72.069 pacientes já encaminhados a tratamento conservador, cerca de metade dos que tinham artrose de quadril havia colocado prótese em cinco anos, mais que o dobro do observado no joelho; os fatores que mais previram a cirurgia foram o desejo do próprio paciente de operar, a dificuldade para andar e a dor frequente.[16] Ou seja, a artrose de quadril tende a evoluir mais rápido que a do joelho, mas é uma população já sintomática, e não o destino de todo mundo que tem alteração na radiografia.

"Ficar sem andar" é o medo mais frequente e, com o tratamento atual, não é o desfecho esperado. A artrose avançada limita a distância e a velocidade da caminhada e tira a autonomia aos poucos, mas a prótese é altamente eficaz na artrose avançada do quadril e alivia a dor de forma consistente, embora o resultado varie de pessoa para pessoa e não seja uma garantia;[1][5] e não há prazo de validade para operar: a idade avançada, isoladamente, não é o que define a indicação, que é discutida caso a caso, como mostra existe uma idade ideal para operar?.

Quando a prótese de quadril é indicada?

A prótese costuma ser indicada quando a artrose é moderada a grave na radiografia, a dor ou a limitação atrapalham o dia a dia e pelo menos um tratamento conservador já foi tentado sem resultado satisfatório. Um painel de reumatologistas e cirurgiões de quadril e joelho (Hannon e colaboradores, 2023) recomendou, de forma condicional, não adiar a prótese apenas para tentar mais fisioterapia, remédio ou infiltração quando eles já se mostraram ineficazes; recomendou adiar para parar de fumar e melhorar o controle do diabetes; e registrou consenso de que a obesidade, sozinha, não é motivo para adiar. O próprio painel classificou a evidência de todas as recomendações como de baixa ou muito baixa qualidade.[17]

Os critérios em detalhe, e como funciona a decisão compartilhada entre paciente e cirurgião, estão em quando operar a artrose de quadril. Como é a cirurgia, quanto tempo dura a prótese, a recuperação e a vida depois estão no guia de prótese de quadril. Quem tem dúvida sobre a própria indicação pode buscar uma segunda opinião antes da prótese. Nada disso substitui a avaliação individual: a indicação da prótese, o momento e o tipo de cirurgia são decisão do seu médico assistente junto com você, considerando exames, outras doenças e o que você quer voltar a fazer.

Posso caminhar, fazer esporte e viver normalmente com artrose de quadril?

Pode; na maior parte dos casos, o movimento faz parte do tratamento, respeitando o que o seu médico liberou. O medo de que o movimento "gaste" a articulação é o oposto do que a evidência mostra: o exercício alivia a dor tanto quanto os anti-inflamatórios orais e o paracetamol, com um perfil de segurança que os autores classificam como excelente.[7] Caminhada, bicicleta, natação e hidroginástica são as opções mais usadas na prática, por carregarem menos a articulação; o exercício de fortalecimento foi estudado nessa população e melhorou dor e função, com o melhor resultado nos programas de 3 a 6 meses;[8] na prática, glúteos e coxa são os grupos musculares priorizados.

Sobre a corrida, o melhor dado disponível é uma revisão de 2017 com 25 estudos e 125.810 pessoas, 17 deles reunidos numa meta-análise: corredores recreativos tiveram menos artrose de quadril e joelho (3,5%) do que pessoas que não corriam (10,2%), enquanto corredores de competição tiveram mais (13,3%); os próprios autores alertam que isso mostra associação, não causa, e que não dá para excluir o efeito de lesões prévias.[18] A leitura razoável é que a atividade física em nível recreativo não é inimiga do quadril, e que ficar parado também tem um custo para a articulação.

Viver normalmente com artrose de quadril significa manter o trabalho, as viagens, a vida social e o esporte que a dor permitir, ajustando a intensidade em vez de parar. Quando ajustar deixa de bastar, entra a prótese: o objetivo dela é devolver a caminhada, a direção, as viagens e o esporte de baixo e médio impacto, sem que isso seja uma garantia; o que cada pessoa recupera é discutido caso a caso com o seu médico, como mostra o guia de prótese de quadril.

Assista: existe exercício proibido na artrose?

Neste vídeo (15 min), o Prof. Dr. Daniel Fernandes explica que nenhuma diretriz internacional recente traz uma lista de exercícios proibidos para a artrose: a recomendação de evitar certos movimentos vem de consenso clínico e raciocínio biomecânico, não de evidência forte de dano. Ele analisa os cinco mitos mais comuns, entre eles o agachamento profundo, com dois estudos clínicos de 2025 e uma meta-análise de 2022 do British Journal of Sports Medicine, e termina com cinco regras práticas para se exercitar com artrose no quadril e no joelho sem piorar.

Assistir no YouTube: Existe Exercício Proibido na Artrose? 5 Mitos e o Que a Ciência Diz

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Perguntas Frequentes

  • O que causa a artrose de quadril? - O desgaste da cartilagem que reveste a articulação. Em parte dos casos não há causa única; em outra parte há uma alteração prévia do quadril, como displasia, impacto femoroacetabular, osteonecrose ou fratura. Quem tem a deformidade tipo cam ou displasia teve cerca de 2,4 a 2,5 vezes mais chance de desenvolver artrose de quadril numa meta-análise com 42.831 quadris. Idade, excesso de peso, esforço ocupacional e herança familiar também pesam.
  • O que sente uma pessoa que tem artrose no quadril? - Dor na virilha, que pode se espalhar pela coxa até o joelho, piora ao caminhar e ao levantar depois de sentado, e melhora com repouso; rigidez e perda de rotação, com dificuldade para cruzar a perna, calçar meia e sapato e entrar no carro. O quadril não incha de forma visível.
  • Qual é o tratamento para artrose no quadril? - Exercício orientado, controle de peso e educação como base; anti-inflamatório por períodos curtos quando necessário; infiltração de corticoide guiada por imagem em casos selecionados; e prótese quando o conservador não basta. Numa meta-análise em rede com 152 ensaios, o exercício teve efeito sobre a dor semelhante ao dos anti-inflamatórios orais, com excelente perfil de segurança.
  • O que piora a artrose no quadril? - A falta de movimento, que enfraquece o músculo e enrijece a articulação; o excesso de peso, que sobrecarrega o quadril a cada passo; e o sono ruim, que aumenta a dor. Caminhar em terreno plano, fortalecer glúteos e coxa e usar bengala quando a dor limita a distância ajudam a conviver com a doença.
  • Artrose de quadril tem cura? - Não, no sentido de a cartilagem voltar ao que era: a análise mundial de carga de doenças registra que não há cura eficaz para a artrose. O que existe é controle da dor e da função, com exercício, peso, remédio racional e, na fase avançada, a prótese, que a mesma análise classifica como altamente eficaz.
  • Quem tem artrose no quadril pode ficar sem andar? - Com o tratamento atual, não é o desfecho esperado. A artrose avançada limita a distância e a velocidade da caminhada, mas a prótese é altamente eficaz na artrose avançada do quadril e alivia a dor de forma consistente, embora o resultado varie de pessoa para pessoa; a idade avançada, isoladamente, não é o que define a indicação, que é discutida caso a caso.
  • Exercício físico piora a artrose de quadril? - Não. Numa meta-análise em rede com 17.431 participantes, o exercício teve efeito sobre a dor e a função semelhante ao dos anti-inflamatórios orais e do paracetamol, com excelente perfil de segurança. Caminhada, bicicleta, natação, hidroginástica e fortalecimento são as opções mais usadas na prática.
  • Infiltração com ácido hialurônico funciona para o quadril? - Numa meta-análise só com ensaios grandes, o ácido hialurônico não teve efeito sobre a dor e teve mais eventos adversos graves. O corticoide guiado por imagem teve a maior probabilidade de alívio nas primeiras semanas, e é usado de forma pontual, em dose baixa, por causa da associação descrita entre doses altas ou repetidas e a doença rapidamente destrutiva do quadril, uma perda acelerada da cartilagem e do osso, que é incomum.
  • Quando devo considerar a prótese de quadril? - A prótese costuma ser indicada quando a artrose é moderada a grave na radiografia, a dor ou a limitação atrapalham o dia a dia e pelo menos um tratamento conservador já foi tentado sem resultado. Um painel de especialistas recomendou, de forma condicional, não adiar a cirurgia só para tentar mais tratamento conservador quando ele já se mostrou ineficaz; obesidade isolada não é motivo para adiar.
Referências científicas desta página 18 estudos, com PMID — toque para ver a lista
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O Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes e Doutor (PhD) em Ciencias Medicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mestre (MSc) em Ciencia do Movimento Humano, e Professor de Cirurgia Ortopedica da Faculdade de Medicina da UFSC. Atua como Pesquisador do LEBm (Laboratorio de Engenharia Biomecanica) - UFSC e e Chefe do Programa de Especializacao em Cirurgia do Quadril - SBQ. Registros: CRM-SC 18567 · TEOT 12687 · RQE 10353. Com fellowship internacional e mais de 15 anos dedicados a cirurgia de quadril e joelho, o Dr. Daniel Fernandes combina excelencia academica com pratica cirurgica de ponta. Conheca a trajetoria academica completa.

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Referencias cientificas 5 estudos revisados por pares — toque para ver a lista
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  • Price AJ, Alvand A, Troelsen A, et al. Knee replacement. Lancet. 2018;392(10158):1672-1682. doi:10.1016/S0140-6736(18)32344-4
  • Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 ACR/AF Guideline for Management of Osteoarthritis. Arthritis Rheumatol. 2020;72(2):220-233. doi:10.1002/art.41142
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  • Evans JT, Walker RW, Evans JP, et al. How long does a knee replacement last? Lancet. 2019;393(10172):655-663. doi:10.1016/S0140-6736(18)32531-5

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