REFERÊNCIA EM PRÓTESE TOTAL DE QUADRIL E JOELHO E TRATAMENTOS AVANÇADOS EM ARTROSE.

Quando operar artrose de quadril: critérios e decisão compartilhada

Os 4 pilares, "operação do século" (Learmonth 2007), sobrevida >50% em 25 anos (Evans 2019) e decisão compartilhada na prática.

Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD — Ortopedista Especialista em Quadril e Joelho | Professor de Cirurgia Ortopedica UFSC | CRM-SC | Florianopolis

REFERÊNCIA EM PRÓTESE TOTAL DE QUADRIL E JOELHO E TRATAMENTOS AVANÇADOS EM ARTROSE.

Os 4 pilares da indicação

1. Dor significativa não controlada pelo tratamento conservador bem executado.

2. Limitação funcional objetiva (escadas, calçar, entrar no carro, sono, trabalho, caminhada).

3. Radiografia compatível (artrose avançada, KL/Tönnis elevados).

4. Expectativa realista e saúde geral que permita cirurgia e reabilitação. [118] [103]

A ATQ — "operação do século"

Learmonth (Lancet 2007) cunhou a expressão "operation of the century" pela razão benefício/risco da artroplastia total de quadril. Ferguson 2018 (Lancet) reafirma o impacto transformador. Evans 2019 (Lancet): meta-análise de registros mostra que >50% das próteses sobrevivem 25 anos.

Não é "cirurgia de idoso" — é cirurgia de indicação. Pacientes jovens com artrose avançada refratária também se beneficiam, embora com discussão específica de revisão futura. [107] [103] [106]

Quando NÃO adiar

ACR/AAHKS 2023 recomenda não adiar quando indicação é clara. Esperar demais associa-se a perda de massa muscular, piora funcional, deformidade e piores desfechos em alguns estudos. [118]

Quando considerar adiar

Comorbidades descompensadas que podem ser otimizadas (diabetes, cardiopatia, obesidade mórbida com IMC muito alto).

Pacientes jovens com artrose inicial e alternativas viáveis (osteotomia periacetabular em displasia).

Expectativas irrealistas — educação antes de decidir.

Tipos de cirurgia no quadril

Artroplastia total de quadril (ATQ): procedimento de escolha na artrose avançada primária ou secundária. Pares tribológicos contemporâneos: metal-polietileno ou cerâmica-polietileno. Pares metal-metal estão praticamente abandonados.

Osteotomia periacetabular (OPA): em displasia do desenvolvimento em adulto jovem, quando artrose ainda é inicial.

Ressurfacing (pouparticular): técnica específica, indicações estreitas, seleção cuidadosa. [103] [106]

Decisão compartilhada

Explicar: expectativa realista (alívio de dor > recuperação funcional > retorno a esportes de impacto é limitado); riscos (infecção, luxação, trombose, revisão); reabilitação; sobrevida do implante conforme idade e atividade.

Paciente com informação correta decide melhor do que paciente empurrado para qualquer direção. [118]

Bandeiras vermelhas — avaliação imediata

Dor noturna progressiva intensa, febre + dor articular, história recente de câncer + dor nova, perda de peso inexplicada + dor: investigar outra causa antes de assumir "artrose".

Perguntas frequentes

Tenho 50 anos, é muito cedo para prótese de quadril?

Idade isolada não contraindica. Se dor e limitação são refratárias a tratamento conservador bem feito, cirurgia pode ser indicada — com discussão de sobrevida do implante.

Quanto dura uma prótese de quadril?

Evans 2019 (Lancet): >50% das próteses sobrevivem 25 anos em registros nacionais. Duração depende de atividade, técnica cirúrgica, tribologia do implante e saúde do paciente.

Vou poder correr depois da prótese?

Corrida de impacto crônica em geral é desencorajada — acelera desgaste protético. Atividades como caminhada, bicicleta, natação, golf são bem toleradas.

Via anterior é melhor que posterior?

Ambas são vias válidas com bons resultados em mãos experientes. A via anterior minimamente invasiva tem vantagens de recuperação precoce em alguns estudos.

Leitura complementar

Referencias

  1. Learmonth ID, Young C, Rorabeck C. The operation of the century: total hip replacement. Lancet. 2007;370(9597):1508-1519. PMID: 17964352
  2. Ferguson RJ, Palmer AJ, Taylor A, et al. Hip replacement. Lancet. 2018;392(10158):1662-1671. PMID: 30496081
  3. Evans JT, Evans JP, Walker RW, et al. How long does a hip replacement last? A systematic review and meta-analysis. Lancet. 2019;393(10172):647-654. PMID: 30782340
  4. Hannon CP, Goodman SM, Austin MS, et al. 2023 ACR/AAHKS CPG for Optimal Timing of Elective Hip or Knee Arthroplasty. Arthritis Care Res. 2023;75(11):1877-1888. PMID: 37746897
  5. Rees HW. AAOS Clinical Practice Guideline: Management of Osteoarthritis of the Hip. J Am Acad Orthop Surg. 2020;28(7):e288-e291. PMID: 31800437
  6. Bannuru RR, Osani MC, Vaysbrot EE, et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. PMID: 31278997
  7. Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline. Arthritis Rheumatol. 2020;72(2):220-233. PMID: 31908163
  8. Hunter DJ, Bierma-Zeinstra S. Osteoarthritis. Lancet. 2019;393(10182):1745-1759. PMID: 31034380

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