PRP no Joelho Funciona? O Que a Ciência Recente Diz na Artrose

Por Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD —

Um dos tratamentos mais procurados para a artrose do joelho promete aliviar a dor sem cirurgia. Reunimos os estudos mais recentes, publicados até 2026, para responder com honestidade: o PRP funciona mesmo?

Este artigo é informativo. As decisões sobre qualquer tratamento envolvem a avaliação da sua equipe médica — que considera seus exames, suas outras doenças, suas expectativas e o seu caso individual. Nenhum texto substitui essa conversa.

Você convive com a dor da artrose no joelho há um tempo. Já tomou anti-inflamatório, já fez fisioterapia, e ouviu de um amigo — ou viu em um anúncio — que existe uma injeção feita com o seu próprio sangue, capaz de "regenerar" a articulação e adiar a prótese. O nome é PRP. É um tratamento particular, normalmente não coberto pelos planos de saúde, e a pergunta que fica é simples: será que funciona mesmo?

Essa é uma das dúvidas que mais escuto. E ela merece uma resposta honesta, baseada nos estudos mais recentes — não no entusiasmo do marketing, nem na rejeição automática ao que é novo. A boa notícia é que, nos últimos anos, pesquisadores realizaram estudos grandes sobre o PRP no joelho, e hoje temos um retrato mais claro do que sabemos — e do que ainda não sabemos.

1. O que é o PRP — e por que ele se popularizou

PRP é a sigla, em inglês, para "plasma rico em plaquetas". É uma injeção preparada com o sangue do próprio paciente. Tira-se uma amostra de sangue, coloca-se em uma máquina que gira em alta velocidade — a centrífuga — para separar as camadas, e isola-se a parte rica em plaquetas. Essa fração concentrada é então injetada dentro da articulação do joelho.

Por que isso poderia funcionar? Porque as plaquetas não servem só para coagular o sangue: elas carregam pequenos pacotes de substâncias chamadas fatores de crescimento. Em laboratório, esses fatores estimulam a multiplicação de células e a produção de cartilagem, reduzem marcadores de inflamação e podem proteger as células da cartilagem contra a morte precoce [14]. A ideia é criar dentro do joelho um ambiente mais favorável. A racional biológica é atraente — e foi ela que popularizou o PRP nas últimas duas décadas. Mas, em medicina, uma boa teoria não basta: o que vale é o que acontece nos pacientes de verdade.

2. O PRP regenera a cartilagem? A resposta honesta

Esta é a pergunta que mais gera confusão — e o ponto onde mais se vende ilusão. A resposta honesta tem dois lados, e os dois têm base na ciência.

Não: o PRP não reconstrói a cartilagem já perdida. Em um ensaio clínico randomizado de 2021, o volume de cartilagem, medido por ressonância ao longo de um ano, evoluiu praticamente igual com PRP e com placebo [1]. Não há evidência de que o PRP faça "cartilagem nova". Quem procura o tratamento esperando regenerar o que o desgaste já consumiu está esperando algo que a ciência ainda não sustenta.

Mas: ele pode atuar sobre o ambiente interno da articulação. É aqui que está a promessa biológica. Estudos de laboratório mostram que o PRP reduz o "envelhecimento" das células da cartilagem — um processo chamado senescência, que acelera a degradação da articulação — além de diminuir marcadores de inflamação [14][15]. Em um modelo animal, a injeção de PRP melhorou o aspecto da cartilagem desgastada [15]. Isso é coerente com os fatores de crescimento liberados pelas plaquetas.

A ponderação obrigatória: "melhorar o ambiente da articulação" é uma afirmação de mecanismo biológico — não uma promessa de cura. Esses achados são de laboratório e de animais; não são, ainda, o resultado medido em pacientes [15]. E no desfecho que mais importa para você — dor e função ao longo do tempo — o ensaio randomizado de 2021 não encontrou vantagem do PRP sobre o placebo [1]. Em uma frase: mecanismo promissor, eficácia ainda não demonstrada.

3. O que mostram os estudos mais recentes

Nos últimos anos, várias meta-análises — estudos que juntam os resultados de vários outros estudos — analisaram o PRP no joelho, e seria desonesto esconder o que elas encontraram. Em geral, apontam para um possível benefício, mas sempre com ressalvas importantes sobre a confiança nesse resultado.

Uma meta-análise europeia de 2025 reuniu 18 ensaios clínicos e quase 2.000 pacientes e encontrou que o PRP superou o placebo no alívio da dor e na melhora da função, com diferença grande o suficiente para o paciente perceber [2]. Mas a própria pesquisa trouxe um detalhe decisivo: esse benefício consistente apareceu sobretudo com o PRP de alta concentração de plaquetas — acima de um milhão por microlitro; o de baixa concentração não trouxe alívio de dor que o paciente realmente sentisse [2]. Outras pesquisas confirmam que a quantidade de plaquetas injetada se associa ao tamanho do efeito [9][16]. Ou seja: "PRP" de qualidades diferentes produz resultados diferentes.

Uma análise de 2024 comparou lado a lado as principais injeções usadas no joelho — somando 48 estudos e mais de 9.000 joelhos — e o PRP apareceu à frente do ácido hialurônico (uma injeção lubrificante) e da cortisona na probabilidade de aliviar a dor e melhorar a função em pelo menos seis meses [3]. Uma revisão conduzida por pesquisadores brasileiros, do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com a Universidade de Pittsburgh, encontrou que o PRP foi pelo menos tão eficaz quanto as outras opções — mas, com honestidade, os autores ressaltaram que a qualidade dos estudos era baixa e que, por isso, ainda não dá para recomendá-lo com segurança para todo mundo [4].

E aqui vem a ressalva que dá o tom: uma meta-análise de 2026 que reuniu estudos com pelo menos doze meses de acompanhamento concluiu que, embora exista um sinal de benefício, a confiança nesse sinal é muito baixa, por causa das grandes diferenças entre as pesquisas [6]. Em ciência, "existe um sinal, mas a certeza é muito baixa" é bem diferente de "está provado".

4. Um ensaio rigoroso de 2021 encontrou empate com o placebo

Em 2021, a revista JAMA publicou o ensaio chamado RESTORE — um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo sobre PRP no joelho [1]. Foram 288 pacientes com 50 anos ou mais, todos com artrose leve a moderada [1]. Metade recebeu três injeções de PRP; a outra metade recebeu três injeções de soro fisiológico — ou seja, um placebo, uma injeção sem efeito, usada só para comparação [1].

"Duplo-cego" quer dizer que nem o paciente, nem o médico que aplicava, nem quem avaliava o resultado sabiam quem tinha recebido o quê [1]. Esse cuidado existe para eliminar a sugestão psicológica — afinal, qualquer injeção no joelho tende a aliviar um pouco, simplesmente porque o paciente acredita que está sendo tratado.

Depois de doze meses, a dor melhorou nos dois grupos — só que praticamente na mesma medida: a redução foi de 2,1 pontos no grupo do PRP contra 1,8 ponto no grupo do placebo, uma diferença pequena demais para ter significado [1]. A cartilagem também se comportou de forma equivalente nos dois grupos [1]. Em trinta e um desfechos secundários avaliados, vinte e nove não mostraram diferença entre PRP e placebo [1]. Os autores concluíram, textualmente, que os achados "não apoiam o uso do PRP no tratamento da artrose do joelho" [1].

Aqui entra uma ponderação que não pode faltar: esse ensaio é de 2021. A ciência sobre o PRP não parou desde então — boa parte dos estudos que vimos acima é de 2024, 2025 e 2026. Por isso, esse resultado precisa ser lido lado a lado com os mais recentes, e não tratado como a palavra final sobre o assunto. E justamente porque a evidência ainda está evoluindo, a postura mais honesta é a cautela: por enquanto, não se pode cravar que o PRP funciona, nem que não funciona — é uma questão em aberto, que se decide caso a caso, com o seu médico.

5. Então por que os estudos divergem tanto?

Como pode um ensaio rigoroso dizer "empatou com o placebo" enquanto várias meta-análises dizem "parece funcionar"? Não é contradição preguiçosa — há explicações concretas, e entendê-las ajuda você a interpretar qualquer promessa que ouvir.

Primeiro: "PRP" não é uma coisa só. É uma categoria que abriga preparações muito diferentes entre si — variam na concentração de plaquetas, no volume injetado, no número de centrifugações e na presença ou ausência de glóbulos brancos [16][17]. Comparar o "PRP" de um estudo com o de outro pode ser tão impreciso quanto comparar dois "remédios para pressão" sem dizer de qual tipo se trata. A descoberta de que a concentração de plaquetas muda o resultado é coerente com isso [2][16].

Segundo: nem todo estudo tem a mesma qualidade. Muitos trabalhos sobre PRP são pequenos e não usam o mesmo cegamento rigoroso do ensaio de 2021. Quando se juntam estudos frágeis com estudos robustos, a média que aparece pode ser otimista demais. Por isso a certeza da evidência foi classificada como baixa a muito baixa pelos próprios autores das revisões [6][9].

Terceiro: existe um viés de divulgação. Uma investigação de 2026 analisou os resumos de dezenas de revisões sobre PRP e encontrou que 92% deles enfatizavam o lado positivo além do que os dados completos sustentavam [8]. Isso significa que o médico ou o paciente que lê apenas o resumo — a maioria das pessoas — recebe uma impressão mais favorável do que a realidade [8].

Vale um cuidado extra com uma análise de 2026 que reuniu 62 estudos e quase 5.000 pacientes e descreveu o PRP como superior às outras injeções [9]. Ela é honesta ao declarar algo que você merece saber: vários de seus autores têm vínculo comercial com uma empresa que vende tratamentos de PRP [9]. Isso não invalida a pesquisa, mas é uma informação que deve pesar na hora de interpretar um resultado tão entusiasmado — exatamente como os próprios autores reconhecem ao declarar o conflito de interesse [9].

6. O que dizem as diretrizes médicas

As diretrizes das grandes sociedades médicas servem para organizar o que fazer na prática. Até o momento, elas ainda não colocam o PRP entre os tratamentos recomendados de rotina para a artrose do joelho [1][12]. O próprio ensaio de 2021 registra, na sua abertura, que a maioria das diretrizes não recomenda o PRP justamente pela falta de evidência de alta qualidade [1].

A diretriz da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), em sua edição mais recente, classifica a evidência sobre o PRP como limitada e pede expressamente estudos de melhor qualidade antes de uma recomendação firme [12]. As diretrizes do Colégio Americano de Reumatologia e da sociedade internacional dedicada à artrose (OARSI) concentram suas recomendações fortes em outras medidas — exercício, controle do peso, anti-inflamatórios e, em alguns casos, infiltração de cortisona — e não incluem o PRP entre os tratamentos endossados [10][11]. Uma revisão de 2023 que comparou diretrizes de vários países confirmou esse padrão: o que elas recomendam de forma unânime é educação, exercício e controle de peso [13].

É justo lembrar que as diretrizes refletem a evidência disponível até a data em que foram escritas — são, por natureza, o lado mais cauteloso da discussão — e que a literatura mais recente sobre o PRP continua sendo avaliada. Por enquanto, a leitura honesta é: a base de evidência ainda não é forte o suficiente para tratar o PRP como solução padrão de primeira linha.

7. O PRP é seguro?

Sim — esse é um ponto tranquilizador. Uma análise de segurança de 2026 reuniu 32 estudos e mais de 1.200 joelhos tratados com PRP e não encontrou nenhum efeito adverso grave [7]. Os efeitos colaterais foram leves e passageiros: o mais comum foi dor e inchaço no joelho logo após a injeção, em cerca de 19% dos casos [7].

Há, no entanto, uma nuance prática sobre o tipo de preparação. O PRP rico em glóbulos brancos provocou mais dor e inchaço logo após a injeção do que o ácido hialurônico, enquanto o PRP pobre em glóbulos brancos teve um perfil de segurança parecido com o dele [7]. Quanto à eficácia, uma análise de 2026 comparou os dois tipos e concluiu que ambos superam o ácido hialurônico, sem diferença clara entre si — não há evidência suficiente para eleger uma das formulações [17]. Na prática, vale conversar com seu médico sobre qual preparação seria usada no seu caso.

8. O que TEM evidência consistente para a artrose do joelho

Seria injusto falar do PRP sem te lembrar do que funciona com base sólida — e que, muitas vezes, é mais acessível. As diretrizes do mundo todo concordam em recomendar, como primeira linha:

  • Exercício orientado. Fortalecer a musculatura ao redor do joelho e manter atividade física regular tem benefício demonstrado em centenas de estudos, e é recomendação de força máxima nas diretrizes [10][13]. É acessível, seguro e melhora dor, função e qualidade de vida.
  • Controle do peso. Quando há excesso de peso, emagrecer é uma das medidas de maior impacto sobre a dor do joelho, e está nas recomendações fortes das diretrizes [10].
  • Educação sobre a doença e fisioterapia. Entender o que é a artrose, o que melhora e o que piora, com acompanhamento profissional, tem efeito próprio nos resultados [13].
  • Infiltração de cortisona, em casos de crise de dor, tem efeito de curto prazo bem documentado, embora não mude o curso da doença [10].

O PRP, no estado atual da evidência, não substitui nenhuma dessas medidas. No máximo, pode ser considerado como uma tentativa adicional e individualizada — não como um atalho que pula as etapas com evidência consistente. Para se aprofundar, veja o guia de tratamento conservador da artrose de joelho e a comparação entre os tipos de infiltração no joelho.

9. Quando o PRP pode fazer sentido — e as perguntas antes de decidir

Existe um cenário em que conversar sobre PRP é legítimo? Sim. Para um paciente com artrose leve a moderada que já tentou de forma consistente os tratamentos com evidência sólida — exercício supervisionado por tempo adequado, controle de peso, fisioterapia — e ainda assim mantém dor incômoda, o PRP pode entrar como uma opção a ser discutida, dentro de uma decisão compartilhada, ciente de que o benefício é incerto e de que as análises sugerem benefício sobretudo com a preparação de alta concentração [2][5].

O contrário também é verdadeiro: em quem nunca tentou o básico, ou em quem tem artrose muito avançada (na qual a evidência do PRP é ainda mais frágil), oferecer o PRP como primeira opção é colocar o carro na frente dos bois. A decisão sobre qual tratamento usar no seu caso é do seu médico, que avalia o conjunto — seus exames, suas outras condições de saúde e suas expectativas. Se a artrose já é avançada e a dor limita o dia a dia mesmo com tratamento bem feito, o passo seguinte pode ser conversar sobre a prótese de joelho.

Antes de optar pelo PRP, vale levar estas perguntas ao seu médico:

  • Já tentei, de verdade, o que tem evidência sólida? Exercício orientado por pelo menos três meses, perda de peso quando indicada, fisioterapia.
  • O PRP está sendo oferecido como parte de um plano completo de cuidado, ou como solução isolada?
  • Quem me explica os resultados conhece o ensaio de 2021 — o estudo independente que não encontrou vantagem do PRP sobre o placebo [1]?
  • Qual será o protocolo exato? Concentração de plaquetas, tipo de preparação e número de aplicações — lembrando que as análises associam o benefício sobretudo à alta concentração de plaquetas [2].
  • A pessoa que me orienta tem algum interesse comercial no tratamento?

Não existe uma resposta única e certa para todos. Existe decisão informada — e ela depende de você receber essa informação completa antes de começar. Procure avaliação médica se a dor no joelho está piorando mesmo com exercício e acompanhamento, se há inchaço persistente, travamento, ou se a dor já limita suas atividades do dia a dia.

Referencias

  1. Bennell KL, Paterson KL, Metcalf BR, et al. Effect of Intra-articular Platelet-Rich Plasma vs Placebo Injection on Pain and Medial Tibial Cartilage Volume in Patients With Knee Osteoarthritis: The RESTORE Randomized Clinical Trial. JAMA. 2021;326(20):2021-2030. link
  2. Bensa A, Previtali D, Sangiorgio A, et al. PRP Injections for the Treatment of Knee Osteoarthritis: The Improvement Is Clinically Significant and Influenced by Platelet Concentration: A Meta-analysis of Randomized Controlled Trials. Am J Sports Med. 2025;53(3):745-754. link
  3. Jawanda H, Khan ZA, Warrier AA, et al. PRP, Bone Marrow Aspirate Concentrate, and Hyaluronic Acid Injections Outperform Corticosteroids in Pain and Function at a Minimum of 6 Months for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Network Meta-analysis. Arthroscopy. 2024;40(5):1623-1636. link
  4. Costa LAV, Lenza M, Irrgang JJ, Fu FH, Ferretti M. How Does Platelet-Rich Plasma Compare Clinically to Other Therapies in the Treatment of Knee Osteoarthritis? A Systematic Review and Meta-analysis. Am J Sports Med. 2023;51(4):1074-1086. link
  5. Ventura-García MÁ, Parrón-Carreño T, Lozano-Paniagua D, et al. Efficacy and Safety of Platelet-Rich Plasma in Knee Osteoarthritis: Umbrella Meta-Analysis Based on Clinical Evidence, Methodological Quality and Therapeutic Positioning. Clin Pract. 2026;16(4):75. link
  6. Oka T, Kitagawa T, Nasu T, et al. Clinical Outcomes of Biologic Therapies for Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Meta-analysis of Studies With at least 12-Month Follow-up. Mod Rheumatol. 2026. link
  7. Nakagawa HF, Kim J, Rabinowitz J, Sussman WI. Assessment of adverse events and safety associated with intra-articular platelet-rich plasma injections compared to other injectates for knee osteoarthritis: A systematic review and meta-analysis. PM R. 2026. link
  8. Fullano GD, Greenstein MD, Klosterman EL, Hartwell MJ. Statistically Significant Results Favored in Abstracts of Platelet Rich Plasma Treatment of Knee Osteoarthritis: A Systematic Review and Spin Analysis. Arthroscopy. 2026;42(1):349-360. link
  9. Centeno CJ, Berger DR, Pelle AJ, et al. Autologous platelet-rich plasma versus hyaluronic acid, corticosteroids or saline for knee osteoarthritis: can blood draw volume serve as a proxy for platelet dose? A systematic review and meta-analysis. Int Orthop. 2026;50(5):981-997. (Os autores declaram vínculo comercial com a empresa Regenexx.) link
  10. Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 American College of Rheumatology/Arthritis Foundation Guideline for the Management of Osteoarthritis of the Hand, Hip, and Knee. Arthritis Rheumatol. 2020;72(2):220-233. link
  11. Bannuru RR, Osani MC, Vaysbrot EE, et al. OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Osteoarthritis Cartilage. 2019;27(11):1578-1589. link
  12. Brophy RH, Fillingham YA. AAOS Clinical Practice Guideline Summary: Management of Osteoarthritis of the Knee (Nonarthroplasty), Third Edition. J Am Acad Orthop Surg. 2022;30(9):e721-e729. link
  13. Gibbs AJ, Gray B, Wallis JA, et al. Recommendations for the management of hip and knee osteoarthritis: A systematic review of clinical practice guidelines. Osteoarthritis Cartilage. 2023;31(10):1280-1292. link
  14. Moussa M, Lajeunesse D, Hilal G, et al. Platelet rich plasma (PRP) induces chondroprotection via increasing autophagy, anti-inflammatory markers, and decreasing apoptosis in human osteoarthritic cartilage. Exp Cell Res. 2017;352(1):146-156. link
  15. Zhang JY, Xiang XN, Wang XX, et al. Effects of Platelet-Rich Plasma on Chondrocyte Senescence and Knee Osteoarthritis Progression. Am J Sports Med. 2026;54(4):831-847. link
  16. Hooper N, Shapiro S, Paidsetty V, et al. Platelet-rich plasma outcomes in knee osteoarthritis are associated with the amount of total deliverable platelets: A systematic review and meta-analysis. PM R. 2026;18(2):210-222. link
  17. Xu B, Huang X, Su X, et al. Leukocyte-rich versus leukocyte-poor platelet-rich plasma and hyaluronic acid for knee osteoarthritis: a systematic review and network meta-analysis. J Orthop Surg Res. 2026;21(1). link

Perguntas Frequentes

O PRP regenera a cartilagem do joelho?

Não há prova disso. Em um ensaio randomizado de 2021, a cartilagem evoluiu de forma parecida com e sem PRP ao longo de um ano [1]. O que estudos de laboratório sugerem é que o PRP pode melhorar o ambiente interno da articulação — reduzindo o envelhecimento das células e a inflamação —, mas isso é mecanismo biológico, não reconstrução do que já foi perdido [14][15].

Por que meu médico recomenda exercício antes do PRP?

Porque o exercício orientado tem evidência consistente para a artrose do joelho, com poucos efeitos colaterais — por isso é recomendação de primeira linha nas diretrizes internacionais [10][13]. O PRP, hoje, ainda não tem essa força de evidência [1][12].

Existe diferença entre os tipos de PRP?

Sim, e ela importa. As preparações variam bastante, e a quantidade de plaquetas injetada se associa ao tamanho do efeito [2][16]. Já entre o PRP rico e o pobre em glóbulos brancos, ambos superam o ácido hialurônico, sem diferença clara de eficácia entre si — embora o pobre em glóbulos brancos cause menos dor e inchaço após a injeção [7][17].

O PRP é perigoso?

É considerado seguro. A análise de segurança de 2026 não encontrou efeitos adversos graves; os mais comuns foram dor e inchaço leves e passageiros [7]. Ainda assim, como toda injeção dentro da articulação, deve ser feito por profissional habilitado e com técnica adequada.

Se algumas pesquisas são positivas, por que as diretrizes ainda não recomendam o PRP?

Porque as pesquisas positivas, em geral, têm qualidade variável, resultados muito diferentes entre si e tendem a enfatizar o lado positivo nos resumos [6][8]. Diante disso, as diretrizes preferem aguardar evidências mais consistentes antes de recomendar o PRP como tratamento de rotina [1][12][13].

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