Raquianestesia na Prótese com Alta no Mesmo Dia: Por Que a Anestesia Importa Tanto

Por Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD —

Segundo a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS), a escolha do remédio usado na raquianestesia pode ajudar — ou atrapalhar — o paciente a ir pra casa no mesmo dia da prótese de joelho ou quadril. Este post é informativo. A decisão é sempre do seu médico.

Aviso importante antes de começar: este artigo é um resumo didático do que a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS) — uma das maiores sociedades de ortopedia do mundo — orienta sobre raquianestesia em prótese com alta no mesmo dia. O conteúdo é informativo. Ele não se aplica a toda cirurgia nem a todo paciente. A decisão sobre qual técnica usar, quando operar e como conduzir o seu caso é sempre do seu médico, caso a caso, depois de uma avaliação completa [1].

Se você ou alguém da sua família vai fazer uma prótese de joelho ou de quadril, já deve ter ouvido falar em "alta no mesmo dia" — quando o paciente opera de manhã e, à tarde, vai pra casa dormir na sua cama. Isso existe, é seguro em casos cuidadosamente selecionados e tem crescido no mundo todo [1]. Mas pouca gente sabe que uma peça importante desse quebra-cabeça acontece antes mesmo da cirurgia começar: o tipo de anestesia escolhido.

A raquianestesia é um tipo de anestesia em que o anestesista coloca um remédio bem fino dentro da coluna, numa região segura chamada espaço subaracnóideo. Em poucos minutos, a pessoa sente da cintura pra baixo dormir — como se estivesse deitada em cima de um travesseiro macio. Você fica acordado, consciente, mas não sente dor. É um pouco parecido com uma anestesia de cirurgia de catarata: você está lúcido, a região opera anestesiada, e a recuperação tende a ser mais rápida do que dormir completamente [1].

Segundo a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS), dentro da raquianestesia, o remédio escolhido faz diferença. O livro da AAOS destaca três opções mais comuns em prótese: lidocaína, mepivacaína e bupivacaína. Em pacientes cuidadosamente selecionados, lidocaína e mepivacaína — que são de ação mais curta — costumam facilitar a alta no mesmo dia em comparação à bupivacaína, que dura mais [1,2]. Mas, repetindo: isso não vale pra toda cirurgia nem pra todo paciente. Faz parte da nossa série sobre prótese ambulatorial, que começou com o artigo principal Artroplastia Ambulatorial: Prótese com Alta no Mesmo Dia.

1. Por que a anestesia importa tanto quando o plano é ir pra casa no mesmo dia

Imagine que a cirurgia de prótese de joelho ou quadril é como uma viagem. A anestesia é o veículo que te leva e te traz. Se o veículo é muito "pesado", você demora a voltar ao normal. Se é "leve" demais, pode acabar antes da hora. O segredo é escolher o veículo certo para o seu tipo de viagem [1].

Em pacientes cuidadosamente selecionados, a cirurgia de prótese de quadril (substituição do quadril por uma peça nova — mais ou menos como trocar uma peça gasta do seu carro, mas dentro do corpo) e a cirurgia de prótese de joelho (a mesma ideia, só que no joelho) podem ser feitas em um local chamado centro cirúrgico ambulatorial — uma clínica especializada onde a pessoa opera, fica em observação algumas horas e vai pra casa no mesmo dia [1]. Em inglês se chama "ambulatory surgery center", ou ASC (a sigla pode aparecer em textos médicos).

Para que essa alta no mesmo dia aconteça com segurança, o paciente precisa, no fim da tarde, estar:

  • Acordado e orientado (sabendo quem é, onde está, que dia é).
  • Sem náusea nem vômito (enjoo forte atrasa tudo).
  • Com a dor sob controle (usando várias técnicas juntas, não só um remédio).
  • Conseguindo dar alguns passos com andador ou muletas, guiado por um fisioterapeuta.
  • Conseguindo fazer xixi sozinho, sem precisar de sonda.

É aqui que a raquianestesia entra. Segundo a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS), a raquianestesia "continua sendo uma escolha popular" para a prótese de joelho e quadril, por dois motivos principais: ela bloqueia bem a sensação de dor e o movimento da região que vai operar, e causa menos náusea e vômito depois da cirurgia do que a anestesia geral (aquela em que o paciente dorme completamente) [1]. Enjoo forte é um dos maiores inimigos da alta no mesmo dia [1].

Mas o detalhe crítico — e muita gente nunca ouviu falar — é este: dentro da raquianestesia, o remédio escolhido muda o tempo que a anestesia demora pra passar. E esse tempo, no contexto da alta no mesmo dia, vale ouro [1,2].

2. Lidocaína, mepivacaína e bupivacaína: três remédios, três durações diferentes

Em português simples: raquianestesia é como colocar um "interruptor" temporário na metade de baixo do corpo. A diferença entre os três remédios mais usados é quanto tempo o interruptor fica desligado. Vamos pensar numa analogia do dia a dia: é como a bateria de uma lanterna. Uma bateria curta alumia por pouco tempo; uma bateria longa dura o dobro, mas no fim do dia ela ainda está "ligada" [1,2].

  • Lidocaína — ação curta: o efeito passa relativamente rápido. O paciente recupera a sensação e a movimentação das pernas mais cedo — o que ajuda bastante quando o plano é ir pra casa no mesmo dia [1].
  • Mepivacaína — ação intermediária: dura um pouco mais que a lidocaína, mas ainda é considerada "curta" em comparação à bupivacaína. Útil quando a cirurgia pode levar um pouco mais de tempo [1].
  • Bupivacaína — ação prolongada: dá um bloqueio mais longo, historicamente muito usada em ortopedia. Ótima para cirurgias mais longas ou quando o plano é internação, mas o paciente leva mais tempo pra recuperar o controle das pernas e da bexiga [1,2].

Segundo a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS), essa diferença de duração tem impacto direto na alta no mesmo dia — porque o paciente só pode ir pra casa quando estiver andando com segurança e conseguindo fazer xixi sozinho [1]. Quanto mais tempo a anestesia demora pra passar, mais tempo ele fica preso na clínica [1,2]. De novo: isso é uma tendência observada em pacientes cuidadosamente selecionados — não vale pra toda cirurgia nem pra todo paciente.

3. O que mostrou o estudo Slaven 2023 (o principal citado pela AAOS)

A Academia Americana de Ortopedistas (AAOS) cita um estudo de 2023 publicado no Journal of Arthroplasty por Slaven e colaboradores [2]. Esse estudo foi feito num único centro especializado em prótese e analisou 2.396 pacientes que fizeram prótese primária de joelho ou quadril com raquianestesia. Os pesquisadores separaram os pacientes em três grupos — quem recebeu lidocaína, quem recebeu mepivacaína e quem recebeu bupivacaína — e compararam duas coisas importantes [2]:

  • Sintomas neurológicos transitórios: um nome grande pra uma coisa específica — dor ou formigamento na coluna e nas pernas que pode aparecer horas ou dias depois da raquianestesia, e costuma desaparecer sozinho em uma a duas semanas. Havia uma preocupação antiga de que a lidocaína pudesse aumentar esses sintomas [2].
  • Retenção urinária pós-operatória: em linguagem comum, é a dificuldade para fazer xixi depois da cirurgia. Quando a pessoa não consegue urinar sozinha, às vezes precisa passar uma sonda — um tubinho fino pela uretra até a bexiga pra esvaziar. Isso é desconfortável, aumenta o risco de infecção e atrasa a alta [1,2]. Em textos médicos aparece a sigla POUR, do inglês postoperative urinary retention.

O que o estudo encontrou, resumido pelo próprio livro da AAOS:

"A 2023 study has shown that short-acting spinal anesthetic agents such as lidocaine do not increase the rate of transient neurologic symptoms compared with other agents and can significantly lower the rate of postoperative urinary retention (POUR) requiring catheterization."

Traduzindo pra português claro: a lidocaína não aumentou sintomas neurológicos transitórios (a preocupação antiga não se confirmou) e diminuiu de forma significativa a taxa de dificuldade para fazer xixi com necessidade de sonda, em comparação à bupivacaína [2]. Isso é importante porque "não conseguir fazer xixi" é uma das principais razões que impedem o paciente de ir pra casa no mesmo dia [1,2].

Sobre a mepivacaína, o livro da AAOS complementa:

"For those who find that lidocaine wears off too quickly, mepivacaine may be an appropriate alternative. Mepivacaine, when compared with bupivacaine, has shown decreases in risk of hospital admission, time to void, and ambulation."

Em linguagem simples: quando a lidocaína acabaria cedo demais para o tempo esperado da cirurgia, a mepivacaína é uma alternativa possível — também acelera o tempo até o paciente conseguir fazer xixi e andar, e reduz a chance de precisar internar em comparação à bupivacaína [1,2].

Qual é a força dessa evidência? É um estudo de Nível III — retrospectivo, comparativo, de um único centro [2]. Isso significa que os pesquisadores olharam dados já existentes, sem sortear quem receberia qual remédio. É um dado bom, mas não é o topo da pirâmide da evidência. Não se aplica a toda cirurgia nem a todo paciente, e a decisão continua sendo caso a caso, feita pelo seu médico [1].

4. Por que a bupivacaína pode atrapalhar a alta no mesmo dia

A bupivacaína é um anestésico excelente. Potente, confiável, de ação prolongada, foi por décadas a escolha padrão em muitas cirurgias ortopédicas. O "problema" dela no contexto específico da prótese com alta no mesmo dia é justamente o que, em outras situações, era uma virtude: ela dura mais [1,2].

Pensando no dia a dia do paciente, isso significa:

  • Demora pra conseguir fazer xixi: enquanto a anestesia não passa totalmente, o paciente tem dificuldade em sentir a bexiga cheia e em contrair os músculos que empurram a urina. Com a bupivacaína, esse tempo pode ser longo o suficiente para que a bexiga encha demais e seja preciso passar uma sonda — o que atrasa ou impede a alta no mesmo dia [1,2].
  • Demora pra conseguir andar: a alta depende de o paciente se levantar e dar alguns passos com andador ou muletas, guiado por um fisioterapeuta. Se as pernas ainda estão "pesadas" pela anestesia, essa liberação se atrasa [1].

No estudo de Slaven e colaboradores, a bupivacaína se associou a maior taxa de dificuldade para fazer xixi com necessidade de sonda, em comparação à lidocaína e à mepivacaína [2]. Isso não quer dizer que bupivacaína seja "ruim" — quer dizer apenas que, no contexto específico da alta no mesmo dia, em pacientes cuidadosamente selecionados, ela tende a ser menos prática. Em outras situações — como cirurgias mais longas, internação planejada ou perfis específicos — a bupivacaína continua sendo uma opção válida [1]. A decisão é sempre do seu médico, que avalia o seu caso como um todo.

5. Um exercício simples que pode ajudar o "xixi" depois da cirurgia

Como a dificuldade para fazer xixi é um dos grandes obstáculos à alta no mesmo dia, vale chegar na cirurgia com a musculatura do assoalho pélvico em boa forma. O assoalho pélvico é o "chão" dos músculos da região da bacia — é ele que ajuda a segurar o xixi quando você tosse, espirra ou ri. Homens com próstata um pouco aumentada e mulheres após a menopausa podem ter esse chão mais frouxo [1]. Esta é uma das áreas em que a preparação ativa antes da cirurgia (chamada prehabilitação, e detalhada no nosso artigo de ontem) pode fazer diferença.

Um exercício caseiro, conhecido como exercício de Kegel, é o mais recomendado. Antes de começar, converse com o seu médico, fisioterapeuta ou urologista — esse exercício não se aplica a todo paciente, e em algumas situações (como dor pélvica crônica ou tratamentos em andamento) precisa ser adaptado:

  • Como fazer: sentado ou deitado, com a bexiga vazia, contraia os músculos como se estivesse segurando a vontade de fazer xixi ou segurando um gás. Mantenha apertado por 3 a 5 segundos e solte por 5 a 10 segundos.
  • Quantas vezes: 10 a 15 apertões por sessão, 2 a 3 sessões por dia.
  • Atenção: não faça esse exercício enquanto estiver urinando — isso é diferente e pode atrapalhar a função normal da bexiga. Faça em momentos de descanso.

Esse exercício não substitui a orientação do seu ortopedista, endocrinologista ou urologista. Ele é só um recurso simples que muitos pacientes relatam ter ajudado a retomar o controle urinário mais rápido depois da cirurgia [1]. A decisão é sempre do seu médico.

6. E a anestesia geral? Quando ela ainda é uma opção

A raquianestesia não é a única forma de anestesia possível pra prótese. Em alguns casos, a anestesia geral — aquela em que o paciente dorme completamente durante a cirurgia — também pode viabilizar a alta no mesmo dia, desde que combinada com técnicas modernas: medicações preventivas contra náusea, bloqueios de nervo para controle da dor e um protocolo bem estruturado de recuperação rápida [1]. Segundo a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS):

"Rapid recovery using general anesthesia remains an option when using modern techniques, with careful administration showing similar 90-day complication rates and reliable SDD."

Em português claro: em mãos experientes, a anestesia geral bem conduzida pode ter taxas parecidas de complicação em 90 dias (três meses) e ainda permitir alta no mesmo dia (em inglês, "same-day discharge", ou SDD) [1]. Mas outros estudos citados pela AAOS — como os de Radtke e colaboradores em 2024 — mostraram que, em alguns cenários, a anestesia geral se associa a maior risco de "ficar preso" no hospital, ou seja, de o paciente não conseguir ir pra casa como planejado (o que em inglês se chama failure to launch, literalmente "falha de decolagem") [1].

A AAOS é transparente sobre essa incerteza, e conclui:

"To date, no consensus exists and this remains an active area of investigation."

Tradução: ainda não existe consenso. A pesquisa está ativa. A decisão final sobre qual anestesia usar é compartilhada entre o paciente, o cirurgião e o anestesista, levando em conta o perfil clínico, a preferência do paciente, a experiência da equipe e o protocolo do centro onde a cirurgia será feita [1]. A decisão é sempre do seu médico.

7. Sinais de alerta depois da raquianestesia

A raquianestesia é uma técnica muito segura e usada no mundo todo há décadas. Mas, como qualquer procedimento médico, tem efeitos esperados e, raramente, efeitos indesejados. Saber diferenciar o que é normal do que merece atenção ajuda você a ficar tranquilo em casa [1]:

  • Esperado e normal: dormência e fraqueza nas pernas por algumas horas depois da cirurgia; sensação de "peso" na região lombar; um pequeno desconforto no local da picada por 1 a 2 dias.
  • Procure ajuda médica imediata se aparecer: dor de cabeça muito forte que piora quando você fica em pé e melhora quando se deita (pode ser uma cefaleia pós-punção — uma complicação conhecida e tratável); fraqueza nas pernas que não passa depois de 6 a 8 horas; perda total da sensibilidade ou do controle do xixi e do cocô; febre; piora rápida da dor nas costas no local da picada; qualquer sintoma neurológico que piore em vez de melhorar.

Essas situações são raras, mas precisam de avaliação rápida. Se você estiver num protocolo de alta no mesmo dia, a equipe normalmente liga pra você no dia seguinte pra conferir que está tudo bem — e você deve ter um telefone de emergência do serviço pra usar se surgir qualquer sinal de alerta [1].

8. O que conversar com a equipe antes da cirurgia

Alguns pontos práticos para conversar com o seu cirurgião e com o seu anestesista, sustentados pelo que a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS) e o estudo de Slaven e colaboradores trazem — lembrando que nada disso é prescrição, é só material para uma conversa informada [1,2]:

  • Pergunte qual remédio será usado na raquianestesia. Se você é candidato à alta no mesmo dia, é razoável saber se o plano é lidocaína, mepivacaína ou bupivacaína, e entender por que a equipe escolheu aquele remédio pro seu caso.
  • Informe se já teve dificuldade pra fazer xixi antes. Problemas prévios de próstata, história de passagem de sonda, episódios de "não conseguir urinar" em cirurgias anteriores são informações importantes pra equipe. Em pacientes de maior risco, a AAOS menciona que pode ser útil usar um remédio chamado tansulosina (da classe dos alfabloqueadores, que relaxa o músculo da saída da bexiga) antes ou depois da cirurgia [1]. Essa decisão é sempre do seu médico.
  • Informe o seu histórico completo. Doenças, medicamentos de uso contínuo, cirurgias anteriores, alergias, histórico de náusea forte em anestesias passadas. Tudo isso muda a estratégia.
  • Pergunte sobre o suporte em casa. A alta no mesmo dia não se aplica a todo paciente — e um dos critérios é ter alguém em casa pra ajudar nas primeiras 24 a 48 horas.

A escolha do anestésico é só uma peça de um quebra-cabeça maior. Juntos, uma anestesia bem escolhida, a analgesia com várias técnicas combinadas e a preparação antes da cirurgia formam o tripé que, em pacientes cuidadosamente selecionados, torna a alta no mesmo dia uma realidade segura [1].

9. Limitações da evidência — para não pintar um quadro mais certo do que ele é

É importante reconhecer as limitações do que se sabe hoje. O estudo de Slaven e colaboradores é retrospectivo (analisou dados já existentes, sem sortear quem receberia qual remédio) e foi feito em um único centro especializado, com equipe altamente treinada em prótese ambulatorial [2]. Os resultados podem não se reproduzir da mesma forma em serviços com menor volume, com perfil diferente de pacientes ou em contextos distintos [1].

Além disso, como a própria AAOS deixa claro: não existe consenso universal sobre qual é a melhor anestesia para a prótese ambulatorial. A anestesia geral moderna bem conduzida também pode ter bons resultados [1]. Estudos randomizados (quando o remédio é sorteado, reduzindo vieses) são necessários para confirmar essas observações — e a pesquisa continua ativa [1].

Por fim, é essencial lembrar: a escolha do anestésico é apenas um dos muitos fatores envolvidos no sucesso da alta no mesmo dia. Seleção cuidadosa do paciente, controle da dor com várias técnicas combinadas, prevenção da dificuldade urinária, critérios claros de alta — tudo isso é tão importante quanto [1]. Este post resume o que a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS) orienta. Não se aplica a toda cirurgia nem a todo paciente. A decisão é sempre do seu médico — caso a caso, depois de uma avaliação completa.

Referencias

  1. Fricka KB, Murphy MP. Outpatient Total Joint Arthroplasty. In: Gausden EB, Mihalko WM, eds. Orthopaedic Knowledge Update: Hip and Knee Reconstruction 7. Wolters Kluwer; 2026. Chapter 5. ISBN: 978-1-975248-43-7. link
  2. Slaven SE, Dedeogullari ES, Parks NL, Sershon RA, Fricka KB, Hamilton WG. Spinal Anesthesia for Primary Hip and Knee Arthroplasty: Comparative Rates of Transient Neurological Symptoms and Urinary Retention Using Lidocaine, Mepivacaine, and Bupivacaine. J Arthroplasty. 2023;38(6 Suppl):S42-S46. link
  3. Radtke LE, Blackburn BE, Kapron CR, et al. Outpatient Total Joint Arthroplasty at a High-Volume Academic Center: An Analysis of Failure to Launch. J Arthroplasty. 2024;39(9 Suppl 2):S134-S142. link

Perguntas Frequentes

Qual é o melhor remédio para a raquianestesia na prótese com alta no mesmo dia?

Segundo a Academia Americana de Ortopedistas (AAOS), em pacientes cuidadosamente selecionados, lidocaína e mepivacaína — remédios de ação mais curta — costumam facilitar a alta no mesmo dia, com menor taxa de dificuldade urinária comparado à bupivacaína. Mas não existe consenso universal. Isso não se aplica a toda cirurgia nem a todo paciente. A decisão é sempre do seu médico [1,2].

A lidocaína pode causar sintomas neurológicos depois da raquianestesia?

Havia uma preocupação antiga com essa possibilidade. O estudo de Slaven e colaboradores (2023), em 2.396 pacientes, não encontrou aumento desses sintomas com lidocaína em comparação aos outros remédios estudados. Trabalhos recentes têm reforçado essa segurança. A decisão continua sendo do seu anestesista, caso a caso [2].

Por que a bupivacaína pode dificultar fazer xixi depois?

A bupivacaína é de ação mais longa. Enquanto o efeito ainda está presente, o paciente tem dificuldade pra sentir a bexiga cheia e para contrair os músculos que empurram a urina. Isso aumenta o risco de a bexiga encher demais e ser preciso passar uma sonda — o que atrasa a alta. A lidocaína e a mepivacaína são de ação mais curta e tendem a evitar esse problema [2].

Posso pedir anestesia geral em vez de raquianestesia?

Em alguns pacientes, a anestesia geral com técnica moderna pode ser uma opção válida, inclusive em alta no mesmo dia. A Academia Americana de Ortopedistas (AAOS) cita que a raquianestesia tem menor risco de enjoo e vômito e, em alguns estudos, se associa a menor falha de alta. Mas não existe consenso — a decisão é sempre compartilhada com o anestesista e o cirurgião [1].

A raquianestesia dói?

Antes da picada, o anestesista aplica uma anestesia local na pele que reduz bastante o desconforto. A maioria dos pacientes descreve apenas uma pressão rápida ou um "choquinho" breve. O local pode ficar um pouco dolorido por 1 a 2 dias, e isso costuma melhorar sozinho [1].

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