Este artigo é informativo. As decisões sobre qualquer tratamento envolvem avaliação da equipe médica — cirurgião ortopedista, anestesista, clínico, geriatra, fisioterapeuta, especialista em dor, enfermagem — considerando o quadro individual de cada paciente. Nenhuma das medicações ou ajustes de dose descritos é indicada para todo paciente.
A maioria dos pacientes que faz prótese de quadril ou prótese de joelho de forma eletiva é idosa. A faixa etária mais frequente fica entre 65 e 80 anos, e o número de pacientes acima dos 80 anos cresce todo ano. O mesmo esquema de remédio que funciona muito bem em um paciente de 55 anos pode causar problemas sérios em um paciente de 85 — e por isso a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) e a American Association of Hip and Knee Surgeons (AAHKS) reservam atenção específica ao paciente idoso nas suas diretrizes de manejo da dor [1][2].
Este artigo cobre as adaptações do protocolo padrão no idoso para a dor pós-operatória aguda (primeiras horas, dias e semanas após a cirurgia). A dor que persiste depois de 3 meses do pós-operatório é um cenário diferente e tem artigo próprio: Dor que Persiste Depois da Prótese — Investigação e Técnicas de Denervação. A visão geral do protocolo multimodal está em Manejo da Dor na Prótese de Quadril e na Prótese de Joelho.
1. Por que o protocolo é diferente no idoso
Quatro mudanças biológicas acontecem com o avançar da idade e mudam o perfil do paciente:
- Função renal cai de forma silenciosa. A filtração glomerular (capacidade dos rins de filtrar o sangue) diminui em média 1 mL/min/ano a partir dos 40 anos. Aos 80 anos, mesmo um paciente sem nenhuma "doença renal" pode ter função renal equivalente à metade de um adulto jovem. Isso muda a forma como medicações são eliminadas.
- Função hepática reduz, com alteração no metabolismo de medicamentos. O fígado também perde capacidade ao longo do tempo, o que afeta a velocidade com que os remédios são quebrados e excretados.
- Sarcopenia (perda progressiva de massa muscular com a idade) reduz o volume de distribuição dos remédios. A mesma dose para uma pessoa magra de 80 anos atinge concentrações maiores no sangue do que em um adulto jovem do mesmo peso.
- Comorbidades (outras doenças que o paciente já tem) acumulam-se. Polifarmácia (uso de cinco ou mais medicamentos contínuos) é a regra acima dos 75 anos, e qualquer remédio novo acrescentado precisa ser pesado contra o esquema já em uso.
O conjunto dessas mudanças significa que o protocolo padrão não é "menos eficaz" no idoso — ele simplesmente precisa ser personalizado em quase todas as suas peças.
2. Opioides no idoso — a classe que mais exige cuidado
Os opioides (remédios fortes para dor, derivados ou parentes da morfina) são a classe que mais exige adaptação. A diretriz da AAHKS/AAOS publicada por Hannon e colaboradores em 2020 dedica atenção específica ao paciente idoso [2].
Os quatro riscos clássicos
- Sedação excessiva — sistema nervoso central do idoso é mais sensível a depressores do SNC.
- Depressão respiratória (queda da frequência respiratória por efeito da medicação) — risco especialmente maior acima de 75 anos, em pacientes com DPOC ou apneia do sono.
- Constipação (prisão de ventre) — pode evoluir para fecaloma (acúmulo duro de fezes) e causar dor abdominal e atraso na alta hospitalar.
- Delirium (confusão mental aguda do paciente idoso, com desorientação no tempo e espaço, agitação ou apatia, alucinações) — opioide é fator de risco bem documentado.
Como o protocolo se adapta no idoso
A AAOS e a AAHKS orientam três ajustes [2]:
- Dose inicial menor — geralmente metade da dose padrão de adulto jovem.
- Intervalo entre doses maior — a cada 6 horas em vez de a cada 4 horas.
- Escalonamento conservador — começar com tramadol (opioide fraco), reservar oxicodona (opioide forte) só se o tramadol não for suficiente, e nas menores doses.
A regra de ouro do uso de opioide vale (e vale ainda mais) no idoso: nunca em horário fixo, sempre sob demanda. Manter o opioide agendado de 4 em 4 horas em paciente idoso é receita para sedação cumulativa, queda e delirium.
3. Anti-inflamatórios sem cortisona (AINEs) no idoso — cuidado redobrado
Os anti-inflamatórios sem cortisona (conhecidos pela sigla AINEs — incluem ibuprofeno, naproxeno, cetoprofeno, celecoxibe e similares) são uma peça-chave do protocolo multimodal porque reduzem o consumo de opioide. Mas no idoso têm mais contraindicações relativas. A diretriz de Fillingham e colaboradores (2020) identifica três cenários em que AINEs precisam ser evitados ou usados com cautela [3]:
- Doença renal crônica (problema persistente de funcionamento dos rins). Os AINEs reduzem o fluxo sanguíneo renal e podem precipitar piora aguda da função em quem já tem rim comprometido. O exame que orienta a decisão é o cálculo da filtração glomerular: abaixo de 30 mL/min/1,73m², AINEs estão contraindicados; entre 30 e 60, usar com cautela e por curto período; acima de 60, uso usual.
- Dispepsia, gastrite ou úlcera prévia. O risco de hemorragia digestiva alta com AINEs é maior no idoso, especialmente acima de 75 anos. Quando o uso for indispensável, o AINE deve ser combinado com inibidor de bomba de prótons (medicação que reduz a acidez do estômago, como omeprazol e similares) e por curta duração.
- Uso concomitante de anticoagulantes (medicações que reduzem a coagulação do sangue, como varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, clopidogrel). Combinar AINE com anticoagulante aumenta significativamente o risco de sangramento — gastrointestinal, na ferida cirúrgica e em local de hematoma. Em geral, evita-se.
A particularidade da prótese de quadril (uso adicional dos AINEs como profilaxia de ossificação heterotópica — formação de osso fora do lugar) também precisa ser pesada nesse cenário: se o paciente idoso tem contraindicação ao AINE para controle da dor, a profilaxia também não vai ser feita por essa via, e a equipe pode optar por outras estratégias.
4. Pregabalina e gabapentinoides no idoso — a evidência derruba uma expectativa
Os gabapentinoides — classe que inclui a pregabalina (remédio que age acalmando nervos sensibilizados) e a gabapentina (medicação irmã, mesmo mecanismo) — chegaram aos protocolos de prótese com a expectativa de reduzir a dor e o consumo de opioide. A evidência acumulada mudou esse otimismo, especialmente no idoso.
A meta-análise (estudo que junta e analisa os resultados de vários trabalhos científicos para gerar uma estimativa mais robusta) de Hannon e colaboradores publicada em 2020 no Journal of Arthroplasty como base científica da diretriz AAHKS/AAOS mostrou: os gabapentinoides, no geral, não reduzem a dor pós-operatória de forma clinicamente relevante em prótese de quadril ou de joelho. Especificamente para a pregabalina, há redução modesta no consumo de opioide nas primeiras 24 a 48 horas, mas com aumento significativo de efeitos colaterais — sonolência, tontura, queda — especialmente no idoso [4].
Uma meta-análise mais recente, publicada por Viderman e colaboradores em 2024 no Journal of Clinical Medicine, confirmou esse padrão: o ganho prático em dor é pequeno, e o risco de eventos adversos relacionados à sedação justifica uso seletivo, não rotineiro [5].
Consequência prática para o idoso:
- Pregabalina só em paciente selecionado — componente neuropático claro (dor causada por nervo irritado, com características em queimação, formigamento), ou uso prévio crônico — em dose reduzida (75 mg em vez de 150 mg) — e com vigilância de sonolência e equilíbrio para reduzir risco de queda.
- Gabapentinoides agendados de rotina no idoso: a evidência atual não justifica.
- Combinar pregabalina com opioide no idoso aumenta sedação e depressão respiratória — combinação cuidadosamente evitada quando possível.
5. Paracetamol e peças sem efeito sedativo central — o que ganha peso no idoso
Paracetamol (acetaminofeno) — a base segura
O paracetamol (também chamado de acetaminofeno — é o mesmo medicamento, analgésico básico, também usado para febre) continua sendo a peça mais segura e mais usada no idoso. Segundo a diretriz de Fillingham e colaboradores (2020), tanto a via oral (pela boca) quanto a via intravenosa (pela veia) têm eficácia equivalente; e o perfil de segurança é benigno mesmo no paciente acima dos 80 anos, desde que não haja doença hepática avançada [3]. A dose padrão (1 grama de 6 em 6 horas, máximo 4 gramas em 24 horas) costuma ser mantida no idoso saudável; reduções são feitas em pacientes com doença hepática (problema no fígado, especialmente cirrose) ou em quem está com peso muito baixo (geralmente abaixo de 50 kg).
Na prática clínica, o paracetamol em horário fixo é a peça que segura a dor leve a moderada no idoso — e quanto mais bem usado, menos opioide é necessário.
Peças que continuam totalmente válidas no idoso
Algumas peças do protocolo multimodal funcionam exatamente igual no idoso e no adulto jovem, e são justamente as que permitem reduzir o uso de opioide:
- Bloqueio do canal dos adutores (ACB, do inglês adductor canal block — bloqueio de nervo periférico feito pela equipe de anestesia que adormece o nervo safeno e cobre a face medial e anterior do joelho) e iPACK (do inglês infiltration between the popliteal artery and the capsule of the knee, infiltração entre a artéria poplítea e a cápsula posterior do joelho que cobre a parte de trás) — são tão eficazes no idoso quanto no jovem, e particularmente valiosos porque controlam dor sem efeito sedativo central.
- Injeção periarticular pelo cirurgião (PAI, do inglês periarticular injection, infiltração de anestésico local nos tecidos operados feita pelo próprio cirurgião nos minutos finais da cirurgia). Mantém eficácia no idoso e poupa opioide nas primeiras 24 horas.
- Raquianestesia (anestesia regional na coluna que adormece da cintura para baixo pela injeção de anestésico local no líquido que banha a medula espinhal) como anestesia principal. No idoso, costuma ser preferida à anestesia geral (que adormece o cérebro inteiro) em prótese de quadril e em muitos casos de prótese de joelho, exatamente por causar menos delirium pós-operatório.
- Crioterapia (aplicação controlada de frio, seja por bolsa de gelo ou por aparelho de resfriamento contínuo). Sem efeito sistêmico, totalmente segura no idoso, e particularmente útil na prótese de joelho pelo edema (inchaço) maior dessa cirurgia.
6. Particularidades quadril vs joelho no paciente idoso
Na prótese de quadril no idoso
A raquianestesia é especialmente preferida pelo menor risco de delirium e pneumonia. Os AINEs preemptivos têm benefício duplo (controle da dor + profilaxia de ossificação heterotópica), mas só se a função renal e o estômago permitirem. O acesso cirúrgico (anterior ou posterior) interfere pouco no protocolo de dor — o que pesa mesmo são as comorbidades e a função renal.
Na prótese de joelho no idoso
A dor inicial costuma ser mais intensa do que no quadril, e o controle se apoia mais nos bloqueios periféricos (ACB + iPACK) e na crioterapia. O torniquete (cinta inflada na coxa que comprime os vasos para reduzir o sangramento durante a cirurgia) usado no joelho gera "rebote" de sangramento ao ser solto, e o ácido tranexâmico (medicação anti-fibrinolítica que reduz o sangramento) controla justamente esse rebote — beneficiando especialmente o paciente idoso, em que cada gota de sangue importa pela maior fragilidade hematológica.
7. Frase central do sistema
A adaptação do protocolo de dor no paciente idoso é uma peça importante — mas sempre dentro de um conjunto. Depende da escolha do tipo de anestesia, da técnica cirúrgica, da fisioterapia precoce, do acompanhamento clínico das comorbidades, do suporte familiar em casa, e das condições individuais de cada paciente. A decisão sobre qual esquema usar no seu caso é exclusiva da sua equipe médica, que avalia o conjunto — seu quadro clínico, seus exames, suas comorbidades, seu histórico de medicações e seus objetivos. Este artigo é informativo e não substitui a consulta com o ortopedista, com o anestesista e com o clínico que acompanham você.
8. Conclusão
O paciente idoso é a maioria dos pacientes operados de prótese de quadril e de joelho, e o protocolo de dor precisa refletir isso. A base do esquema multimodal — paracetamol em horário fixo, AINE quando o rim e o estômago permitem, opioide sob demanda em dose reduzida, gabapentinoide seletivo — continua válida, mas com ajustes finos: doses menores, intervalos maiores, vigilância contínua de sedação, queda e delirium.
As peças que controlam dor sem efeito sedativo central — bloqueios de nervo periférico, injeção periarticular pelo cirurgião, raquianestesia como anestesia principal, crioterapia — ganham peso justamente porque permitem reduzir o uso de opioide e, com isso, reduzir os riscos típicos do idoso.
O resultado prático: pacientes acima dos 80 anos com bom estado geral fazem prótese hoje com excelentes resultados — o que muda é a precisão do planejamento e do protocolo de dor.
Continue explorando o tema:
- Manejo da Dor na Prótese de Quadril e na Prótese de Joelho — visão geral do protocolo multimodal
- Dor que Persiste Depois da Prótese — Investigação e Técnicas de Denervação
- Analgesia preemptiva: medicar antes da cirurgia
- Bloqueios de nervo periférico (canal dos adutores e iPACK)
- Injeção periarticular, ácido tranexâmico e pós-operatório multimodal
Referencias
- Gabrielli AS, Mulpuri P, Reddy AVG, Lonner JH, Yakkanti IR. Pain Management Strategies for Joint Replacement Surgery. In: Orthopaedic Knowledge Update — Hip and Knee Reconstruction. American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS); 2026. link
- Hannon CP, Fillingham YA, Nam D, et al. Opioids in Total Joint Arthroplasty: AAHKS/AAOS Clinical Practice Guideline. J Arthroplasty 2020;35(10):2709-2714. link
- Fillingham YA, Hannon CP, Roberts KC, et al. Nonsteroidal Anti-Inflammatory Drugs in Total Joint Arthroplasty: The Clinical Practice Guidelines of the AAHKS/AAOS. J Arthroplasty 2020;35(10):2704-2708. link
- Hannon CP, Fillingham YA, Browne JA, et al. The Efficacy and Safety of Gabapentinoids in Total Joint Arthroplasty: Systematic Review and Direct Meta-Analysis. J Arthroplasty 2020;35(10):2730-2738. link
- Viderman D, Aubakirova M, Salimov A, et al. The Impact of Gabapentinoids on Pain-Related Outcomes after Knee and Hip Surgery: A Systematic Review with Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. J Clin Med 2024;13(14):4172. link
Perguntas Frequentes
Meu pai tem 82 anos. É seguro fazer prótese nessa idade?
Idade isolada não contraindica prótese de quadril nem de joelho. O que decide é o estado funcional e clínico do paciente — capacidade de marcha antes da cirurgia, presença e controle de comorbidades (hipertensão, diabetes, cardiopatia), estado nutricional, função renal e hepática, suporte familiar para reabilitação. Pacientes acima dos 80 anos com bom estado geral fazem prótese com excelentes resultados; o que muda é a precisão do planejamento e do protocolo de dor. A decisão é da equipe médica que examina o paciente.
Por que reduziram a dose de opioide do meu pai depois da cirurgia? Ele vai sentir mais dor?
Na maioria dos casos, não vai sentir mais dor. A dose de opioide é reduzida no idoso justamente porque o organismo elimina mais devagar — uma dose menor atinge a mesma concentração efetiva, com menos risco de sedação, queda, delirium e depressão respiratória. O controle da dor vem do conjunto das peças (paracetamol em horário fixo, anti-inflamatório quando o rim e o estômago permitem, bloqueio de nervo, injeção periarticular pelo cirurgião), não do opioide isolado. A equipe ajusta as peças conforme a resposta do paciente.
Pregabalina ou gabapentina ajuda no idoso? Vi muita gente comentando.
A evidência atual mostra que, no geral, pregabalina e gabapentina (a classe dos gabapentinoides) têm ganho pequeno na dor em prótese de quadril ou de joelho, e risco aumentado de sonolência, tontura e queda — especialmente no idoso. Por isso, a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) e a American Association of Hip and Knee Surgeons (AAHKS) orientam uso seletivo no pós-operatório, não rotineiro. Em paciente idoso, costuma-se reservar para quem tem componente claro de dor neuropática (dor causada por nervo irritado) ou já usava cronicamente.
Meu pai ficou desorientado depois da cirurgia anterior. O que pode ser feito desta vez?
Esse é o delirium pós-operatório (confusão mental aguda do idoso depois de cirurgia, com desorientação no tempo e espaço, agitação ou apatia, alucinações). Várias estratégias reduzem a incidência: preferir raquianestesia (anestesia regional na coluna) à anestesia geral quando viável; reduzir uso de opioide ao mínimo necessário, priorizando bloqueios e injeção periarticular; evitar gabapentinoides agendados de rotina; mobilização precoce (levantar e caminhar logo nas primeiras horas); permitir que familiar ou cuidador conhecido acompanhe o paciente nas enfermarias quando possível; tratar dor adequadamente (a dor mal controlada também é causa de delirium, então não é solução suspender analgésico); acompanhamento geriátrico co-gerenciando o pós-operatório.
Meu pai toma anticoagulante para fibrilação atrial. Pode usar anti-inflamatório depois da prótese?
Em geral, não. A combinação de anti-inflamatório sem cortisona (AINE) com anticoagulante (varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, clopidogrel) aumenta significativamente o risco de sangramento — gastrointestinal, na ferida cirúrgica e em local de hematoma. Em pacientes idosos anticoagulados, a equipe geralmente prefere reforçar paracetamol em horário fixo, aproveitar ao máximo bloqueios anestésicos periféricos e injeção periarticular pelo cirurgião, e usar opioide sob demanda em dose menor. Se houver necessidade pontual de AINE, será por curtíssimo período e com proteção gástrica, sob avaliação caso a caso.
A raquianestesia é melhor que a anestesia geral para o idoso?
Em geral, sim — para prótese de quadril e em muitos casos de prótese de joelho, a raquianestesia (anestesia regional na coluna que adormece da cintura para baixo) costuma ser preferida no idoso porque está associada a menos delirium pós-operatório, menos pneumonia e menor uso de opioide depois da cirurgia. Mas há contraindicações pontuais (uso de anticoagulante recente, problemas específicos da coluna, recusa do paciente), e a escolha final é da equipe de anestesia, considerando o caso específico de cada paciente.
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