Este artigo é informativo. As decisões sobre qualquer tratamento envolvem avaliação da equipe médica — cirurgião ortopedista, anestesista, especialista em dor, fisioterapeuta, e quando indicado também psicólogo ou psiquiatra — considerando o quadro individual de cada paciente. Nenhuma das técnicas descritas é indicada para todo paciente com dor depois da prótese.
A maior parte dos pacientes operados de prótese de quadril ou de prótese de joelho tem alívio significativo da dor articular nas primeiras semanas a meses depois da cirurgia. Mas existe uma minoria que continua com dor importante mesmo passados 3 meses ou mais. Esse cenário tem nome próprio na literatura — dor crônica pós-cirúrgica — e exige uma abordagem diferente do protocolo de dor aguda do pós-operatório imediato.
Este artigo cobre o que se sabe hoje sobre como investigar e tratar essa dor que persiste, segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) [1]. O cenário paralelo — manejo da dor pós-operatória aguda no paciente idoso — está em Manejo da Dor no Paciente Idoso após Prótese de Quadril e de Joelho. A visão geral do protocolo multimodal está em Manejo da Dor na Prótese de Quadril e na Prótese de Joelho.
1. Quando a dor passa a ser chamada de "crônica"
A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP, sigla em inglês de International Association for the Study of Pain) define dor crônica pós-cirúrgica como dor que persiste por 3 meses ou mais após a cirurgia, sem outra causa que justifique a duração. No contexto da prótese de quadril e da prótese de joelho, esse é o ponto a partir do qual a equipe ortopédica passa a considerar abordagens diferentes do protocolo padrão [1].
Vale a observação importante: 3 meses não é uma data mágica. É uma referência. Pacientes podem ter melhora gradual mais tarde, especialmente em prótese de joelho, em que o ganho funcional continua acontecendo até 6-12 meses. Mas, depois dos 3 meses, a equipe começa a investigar de forma mais ampla, sem assumir que "ainda é cedo".
2. Quão frequente — epidemiologia diferente entre quadril e joelho
Há diferença importante entre as duas cirurgias, do ponto de vista de epidemiologia (quantos pacientes são afetados em uma população):
- Na prótese de joelho, dor crônica pós-operatória é mais prevalente: cerca de 15% a 20% dos pacientes apresentam algum grau de dor persistente além de 3 meses [1].
- Na prótese de quadril, é menor: 10% a 15% [1].
A diferença está relacionada à anatomia mais complexa do joelho, ao perfil de dor inicial mais intenso, e ao uso do torniquete (cinta inflada na coxa que comprime os vasos durante a cirurgia, ausente na maioria das cirurgias de quadril).
Fatores de risco
A literatura identifica três grupos de fatores que aumentam o risco de dor crônica depois da prótese [1]:
- Do paciente: sexo feminino, idade jovem (paradoxalmente, pacientes mais jovens têm mais dor crônica que idosos), dor crônica pré-existente em outras partes do corpo (fibromialgia, lombalgia crônica), ansiedade e depressão pré-operatórias, baixo status funcional pré-operatório, uso crônico de opioide antes da cirurgia.
- Da cirurgia: dor pré-operatória intensa (quanto pior a dor antes, maior o risco de dor crônica depois), cirurgia tecnicamente difícil ou prolongada, complicações pós-operatórias precoces.
- Psicossociais: "catastrofização" (interpretar a dor como pior do que ela objetivamente é, expectativa de pior desfecho), expectativas pré-operatórias irrealistas, depressão não tratada, falta de suporte social ou familiar.
Reconhecer esses fatores antes da cirurgia ajuda a equipe a planejar reabilitação reforçada e, quando apropriado, suporte psicológico desde o pré-operatório.
3. Investigação primária — sempre antes de qualquer técnica nova
Antes de propor qualquer técnica de denervação ou tratamento intervencionista, a equipe ortopédica investiga de forma sistemática as causas estruturais que explicariam a dor:
- Infecção da prótese (mesmo crônica, de baixa virulência, sem febre). Exames: PCR (proteína C reativa) e VHS (velocidade de hemossedimentação) no sangue, e quando indicado aspirado articular para análise e cultura. Esse passo não é opcional — infecção crônica de prótese pode mimetizar "dor pós-operatória" por meses.
- Afrouxamento da prótese (perda da fixação do implante ao osso, com micromovimentos que geram dor mecânica): radiografia comparativa com filmes pós-operatórios iniciais, eventualmente cintilografia óssea ou tomografia computadorizada.
- Instabilidade (componente que se desloca de forma anormal durante o movimento) ou mal-posicionamento do componente: exame físico orientado, radiografias específicas, eventual reavaliação operatória.
- Causas de fora da articulação operada: dor referida da coluna lombar (frequente quando o quadril foi operado), dor referida do quadril quando o joelho é o operado, bursite local, tendinite, neuropatia periférica.
- Síndromes neuropáticas pós-cirúrgicas: neuralgia do nervo cutâneo lateral da coxa após acesso anterior do quadril (dor em queimação na face lateral da coxa), neuralgia do nervo safeno após prótese de joelho, dor cicatricial.
Só depois que essa investigação descarta causas estruturais ou neuropáticas tratáveis é que o foco passa para o controle sintomático da dor "puramente crônica" — e é aí que entram as técnicas de denervação descritas a seguir. Pular essa investigação e ir direto à ablação de nervo é receita para falha do procedimento e para deixar passar uma infecção tratável.
4. Ablação por radiofrequência (RFA) dos nervos geniculares
A ablação por radiofrequência (em inglês radiofrequency ablation, sigla RFA) dos nervos geniculares (rede de pequenos nervos sensitivos que circundam a articulação do joelho) é uma técnica que usa corrente elétrica de alta frequência para gerar calor controlado na ponta de uma agulha posicionada próxima ao nervo. Esse calor desliga temporariamente a transmissão do sinal de dor desse nervo, sem cortá-lo cirurgicamente.
Como funciona — duas etapas
Etapa 1 — bloqueio diagnóstico. Antes da ablação, faz-se um bloqueio anestésico dos nervos geniculares com anestésico local guiado por ultrassom ou fluoroscopia (raio-X em tempo real). Se o paciente sente alívio significativo da dor por algumas horas após o bloqueio, isso confirma que aqueles nervos são realmente os responsáveis — e o paciente é candidato à ablação.
Etapa 2 — ablação propriamente dita. Em uma segunda visita (1 a 2 semanas depois), o procedimento é repetido, mas em vez de injeção de anestésico, a agulha emite radiofrequência por 1 a 2 minutos em cada ponto, gerando calor de cerca de 80°C que produz lesão controlada do nervo. O efeito analgésico costuma durar 6 a 12 meses, e pode ser repetido se a dor retornar.
O que a evidência científica mostra
Uma revisão sistemática publicada por Kanjanapanang e colaboradores em 2026 no periódico Pain Medicine avaliou a eficácia da RFA dos nervos geniculares tanto em artrose de joelho (sem prótese) quanto em dor pós-cirúrgica de prótese de joelho. O estudo concluiu que a técnica produz redução significativa da dor a curto e médio prazo em ambas as populações, com perfil de segurança aceitável — embora a qualidade da evidência ainda seja moderada a baixa [2].
A AAOS classifica a evidência atual da RFA para dor crônica pós-prótese como limitada [1] — pode ajudar pacientes selecionados, mas não é recomendação de rotina, e sim opção em centros experientes para casos bem investigados.
Limitações práticas
- Funciona melhor para dor de origem articular. Não funciona para dor de infecção não diagnosticada ou afrouxamento mecânico — daí a importância da investigação primária.
- Os nervos geniculares regeneram com o tempo. Por isso o efeito é temporário (6 a 12 meses, em média).
- Em joelhos com prótese, a localização exata dos nervos geniculares pode ser diferente em relação ao joelho não operado — estudos cadavéricos recentes estão refinando o alvo da agulha em pacientes protetizados.
5. Crioneurólise dos nervos geniculares
A crioneurólise (também chamada de crioablação ou criolesão) usa frio extremo em vez de calor para gerar lesão temporária e reversível do nervo. Uma sonda especial é posicionada próxima ao nervo, e gás (geralmente óxido nitroso) é liberado pela ponta, gerando temperatura abaixo de −20°C por alguns minutos.
O frio causa degeneração walleriana (desorganização controlada da fibra nervosa), interrompendo a transmissão da dor. A grande diferença para a radiofrequência: a fibra nervosa eventualmente se regenera (em meses), e a função sensitiva normal volta — por isso é considerada técnica reversível.
Crioneurólise antes da prótese de joelho — uma aplicação interessante
Aplicação que ganhou atenção recente: crioneurólise pré-operatória dos nervos geniculares anteriores, feita dias ou semanas antes da prótese de joelho, para "pré-anestesiar" e reduzir a dor pós-operatória precoce. Uma meta-análise de Hajiaghajani e colaboradores publicada em 2026 no Journal of Arthroplasty analisou estudos clínicos randomizados sobre crioneurólise pré-operatória em prótese total de joelho. O resultado: reduz consumo de opioide e escores de dor nas primeiras semanas pós-operatórias, com efeito que se estende até 6 a 12 semanas — embora a qualidade dos estudos ainda seja heterogênea [3].
Crioneurólise para dor crônica pós-prótese
Para dor que persiste mais de 3 meses depois da cirurgia, a crioneurólise pode ser uma opção semelhante à RFA. Usa o mesmo princípio (interrupção da transmissão do nervo genicular sem corte cirúrgico), com a vantagem de ser reversível. A AAOS, no entanto, também classifica a evidência atual nessa indicação como limitada — uso seletivo, em centros experientes, em pacientes em que a investigação primária descartou causas estruturais [1].
6. Por que mais opções de denervação no joelho do que no quadril
Há diferença anatômica importante quando o assunto é técnica de denervação para dor crônica:
- No joelho, os nervos geniculares são superficiais, identificáveis com facilidade no ultrassom ou fluoroscopia, e bem mapeados em estudos anatômicos. Por isso a RFA e a crioneurólise são factíveis e reproduzíveis.
- No quadril, a inervação articular vem de nervos mais profundos (ramos do nervo obturador, do nervo femoral, do nervo glúteo superior) que passam em planos mais difíceis de acessar com agulha guiada. A literatura sobre denervação articular do quadril operado é muito menor, e essas opções não fazem parte do protocolo padrão para dor crônica pós-prótese de quadril.
Por isso, na prótese de quadril com dor crônica, a abordagem se apoia mais em:
- Investigação extensa de causas estruturais (infecção, afrouxamento, ossificação heterotópica que pode comprimir tecidos moles, irritação do psoas pelo componente acetabular).
- Reabilitação especializada com fisioterapeuta familiarizado com pós-operatório de quadril.
- Manejo medicamentoso por especialista em dor (gabapentinoides em dose criteriosa quando há componente neuropático claro, antidepressivos com ação na dor crônica como duloxetina).
- Acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, quando há componente afetivo importante (depressão, ansiedade, catastrofização).
Critérios práticos para indicar RFA ou crioneurólise no joelho
A AAOS e a literatura atual sugerem que essas técnicas fazem mais sentido quando [1][2][3]:
- Já se passaram mais de 3 meses da cirurgia e a dor persiste, com impacto funcional importante;
- A investigação primária descartou infecção, afrouxamento, instabilidade e outras causas estruturais;
- O paciente já tentou manejo medicamentoso adequado e mantém dor;
- Existe bloqueio diagnóstico positivo (pacientes que não respondem ao bloqueio anestésico provavelmente também não vão responder à ablação).
A indicação é decisão clínica individualizada, em centros experientes, geralmente em parceria entre cirurgião ortopedista e especialista em dor (anestesiologista intervencionista).
7. Frase central do sistema
O manejo da dor que persiste depois da prótese de quadril ou de joelho é uma peça importante — mas sempre dentro de um conjunto. Depende da investigação criteriosa de causas estruturais, da técnica cirúrgica original, da reabilitação especializada, do manejo medicamentoso por especialista em dor quando indicado, do suporte psicológico em pacientes com componente afetivo, e das condições individuais de cada paciente. A decisão sobre qual abordagem usar no seu caso é exclusiva da sua equipe médica, que avalia o conjunto — seu quadro clínico, seus exames, seu histórico cirúrgico, suas comorbidades e seus objetivos. Este artigo é informativo e não substitui a consulta com o cirurgião ortopedista que acompanha você.
8. Conclusão
A dor que persiste depois da prótese de quadril ou de joelho atinge uma minoria de pacientes (10–15% no quadril, 15–20% no joelho), e exige abordagem diferente da dor aguda do pós-operatório imediato.
O primeiro passo é sempre investigar causas estruturais — infecção da prótese (mesmo crônica e sem febre), afrouxamento, instabilidade, mal-posicionamento, e causas de fora da articulação operada. Pular essa investigação e ir direto a técnicas intervencionistas é deixar passar problema tratável.
Quando a investigação descarta essas causas, técnicas de denervação como ablação por radiofrequência e crioneurólise dos nervos geniculares podem ajudar pacientes selecionados de prótese de joelho — sempre com indicação individualizada, em centros experientes, com bloqueio diagnóstico prévio. A AAOS hoje classifica a evidência dessas técnicas como limitada, então não são opções de rotina, e sim ferramentas para casos bem selecionados [1].
Na prótese de quadril com dor crônica, essas opções de denervação são menos desenvolvidas pela anatomia mais profunda dos nervos articulares. A abordagem fica no manejo medicamentoso por especialista em dor, na reabilitação especializada e no acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando há componente afetivo.
Continue explorando o tema:
- Manejo da Dor na Prótese de Quadril e na Prótese de Joelho — visão geral do protocolo multimodal
- Manejo da Dor no Paciente Idoso após Prótese de Quadril e de Joelho
- Analgesia preemptiva: medicar antes da cirurgia
- Bloqueios de nervo periférico (canal dos adutores e iPACK)
- Injeção periarticular, ácido tranexâmico e pós-operatório multimodal
Referencias
- Gabrielli AS, Mulpuri P, Reddy AVG, Lonner JH, Yakkanti IR. Pain Management Strategies for Joint Replacement Surgery. In: Orthopaedic Knowledge Update — Hip and Knee Reconstruction. American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS); 2026. link
- Kanjanapanang N, Madrid R, et al. Effectiveness of genicular nerve radiofrequency ablation in osteoarthritis and post-surgical knee pain: systematic review. Pain Med 2026;27(2):104-118. link
- Hajiaghajani S, Poursalehian M, et al. Does Preoperative Anterior Genicular Nerve Cryoneurolysis Improve Early Outcomes of Primary Total Knee Arthroplasty? A Systematic Review and Meta-Analysis. J Arthroplasty 2026;41(1):245-256. link
Perguntas Frequentes
Operei minha prótese de joelho há 4 meses e ainda dói muito. É normal?
Persistência de dor importante além de 3 meses merece investigação cuidadosa, mesmo que muitos pacientes ainda tenham melhora gradual entre 6 e 12 meses. O primeiro passo é descartar causas estruturais: a equipe vai pedir exames de sangue (PCR, VHS) para investigar infecção crônica de baixa virulência, radiografia para avaliar posição e fixação do implante, eventualmente cintilografia ou tomografia, e em alguns casos aspirado articular. Em paralelo, exame físico cuidadoso identifica causas fora da articulação operada (dor referida da coluna, bursite, tendinite). Só depois que a investigação descarta essas causas é que se considera técnicas específicas para dor crônica de origem articular pura.
O que é "ablação por radiofrequência dos nervos geniculares"? Fazendo isso o joelho fica anestesiado para sempre?
A ablação por radiofrequência é uma técnica que usa corrente elétrica de alta frequência para gerar calor controlado na ponta de uma agulha posicionada próxima a um nervo sensitivo do joelho, desligando temporariamente a transmissão da dor desse nervo. Não é "anestesia para sempre": os nervos regeneram com o tempo, e o efeito costuma durar 6 a 12 meses. Se a dor voltar, o procedimento pode ser repetido. A técnica funciona melhor para dor de origem articular depois de a investigação ter descartado infecção, afrouxamento e outras causas estruturais. A AAOS classifica a evidência atual como limitada — não é recomendação de rotina, é opção em pacientes selecionados, em centros experientes.
E a "crioneurólise"? É a mesma coisa que radiofrequência?
A crioneurólise (ou crioablação) usa frio extremo (abaixo de −20°C, com gás óxido nitroso) em vez de calor para gerar lesão temporária do nervo genicular. O princípio é parecido com o da radiofrequência, mas a degeneração causada pelo frio é mais claramente reversível: a fibra nervosa se regenera ao longo de meses, e a sensibilidade normal volta. Uma aplicação interessante é a crioneurólise pré-operatória (feita dias ou semanas antes da prótese de joelho), que estudos recentes mostraram reduzir consumo de opioide e dor nas primeiras semanas pós-operatórias. Para dor crônica pós-prótese, é uma opção semelhante à radiofrequência, com mesmo cuidado de indicação seletiva.
Por que essas técnicas são mais usadas no joelho do que no quadril?
Por anatomia. Os nervos geniculares que inervam o joelho são superficiais e bem mapeados em ultrassom e fluoroscopia, o que torna a ablação por radiofrequência e a crioneurólise técnicas factíveis e reproduzíveis. Já no quadril, a inervação articular vem de nervos mais profundos (ramos do obturador, femoral, glúteo superior) que passam em planos mais difíceis de acessar com agulha guiada. Por isso, na prótese de quadril com dor crônica, a abordagem se apoia mais em investigação extensa de causas estruturais, reabilitação especializada, manejo medicamentoso por especialista em dor e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando há componente afetivo.
Antes de pensar em radiofrequência ou crioneurólise, o que precisa ser investigado?
Pelo menos cinco coisas: (1) infecção crônica da prótese, mesmo de baixa virulência e sem febre — exames PCR, VHS, e aspirado articular quando indicado; (2) afrouxamento da prótese, com radiografia comparativa, eventualmente cintilografia ou tomografia; (3) instabilidade ou mal-posicionamento do componente, com exame físico orientado e radiografias específicas; (4) causas de fora da articulação operada (dor referida da coluna lombar quando o quadril foi operado, dor referida do quadril quando o joelho é o operado, bursite, tendinite, neuropatia periférica); (5) síndromes neuropáticas pós-cirúrgicas (neuralgia do nervo cutâneo lateral da coxa após acesso anterior do quadril, neuralgia do nervo safeno após prótese de joelho). Pular essa investigação é receita para falha do procedimento e para deixar passar uma infecção tratável.
O que é catastrofização? Por que ela aparece como fator de risco para dor crônica?
Catastrofização é um padrão de pensamento em que a pessoa interpreta a dor como pior do que ela objetivamente é, antecipa o pior desfecho ("não vou conseguir andar nunca mais") e tem dificuldade de desviar a atenção da dor. É um dos fatores psicossociais mais consistentemente associados ao desenvolvimento de dor crônica depois da prótese, junto com depressão e ansiedade não tratadas. Isso não significa que a dor "está só na cabeça" — significa que o sistema nervoso processa o estímulo doloroso de forma amplificada quando há esse padrão. Reconhecer e tratar (com terapia cognitivo-comportamental, suporte psicológico, e quando indicado tratamento de transtorno depressivo ou ansioso) faz diferença no desfecho. Idealmente, o reconhecimento começa antes da cirurgia.
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