PROTESE DE QUADRIL E JOELHO | TRATAMENTO DA ARTROSE

Prótese de Quadril: Guia Completo da Artroplastia Total

O que é a prótese total de quadril, e artroplastia é a mesma coisa?

A prótese total de quadril é a cirurgia em que a articulação desgastada pela artrose de quadril é substituída por um implante: uma cúpula que ocupa o encaixe na bacia e uma haste que entra no fêmur, com uma cabeça esférica entre as duas. Foi chamada de "a operação do século" numa revisão do Lancet, pelos bons resultados de longo prazo e pela restauração da qualidade de vida.[9][3]

Artroplastia de quadril e prótese de quadril são dois nomes para a mesma coisa. Artroplastia é o termo técnico do ato cirúrgico; prótese é o nome do implante. Por isso "artroplastia total do quadril", "ATQ" e "prótese de quadril" aparecem misturados no laudo, na guia do convênio e na consulta, sem que sejam cirurgias diferentes.

O que muda de verdade é quanto da articulação se troca. A artroplastia total substitui os dois lados, cabeça do fêmur e acetábulo (o encaixe na bacia), e é a indicada na artrose avançada. A artroplastia parcial (hemiartroplastia) troca só a cabeça do fêmur e é usada sobretudo na fratura do colo do fêmur no idoso. Numa meta-análise (estudo que soma os resultados de vários estudos) com quase 2 milhões de próteses, 93,6% dos implantes modernos seguiam funcionando aos 20 anos.[1]

Ilustração anatômica da prótese total de quadril instalada: a cúpula ocupa o encaixe na bacia e a haste metálica desce dentro do fêmur
A prótese total de quadril no lugar: a cúpula substitui o encaixe na bacia e a haste é fixada dentro do fêmur. Ilustração: Servier Medical Art (CC BY-SA 3.0), recortada

Quando a prótese de quadril é indicada?

A indicação mais comum é a artrose avançada. A diretriz conjunta de reumatologistas e cirurgiões de quadril e joelho publicada em 2023 (Hannon e colaboradores) reúne três condições: artrose moderada a grave confirmada na radiografia, dor ou limitação que atrapalha o dia a dia, e pelo menos um tratamento não cirúrgico já tentado sem resultado satisfatório. A mesma diretriz recomenda, de forma condicional (uma recomendação mais fraca, porque a evidência é limitada), não adiar a cirurgia só para insistir em fisioterapia, remédios ou infiltrações quando a indicação já está clara, e registra que a evidência por trás das recomendações foi classificada como de baixa ou muito baixa qualidade.[6] Os critérios estão detalhados em quando operar a artrose de quadril, e o que vem antes está em tratamento conservador e em quando o tratamento conservador falha.

Há outras causas. Na osteonecrose da cabeça do fêmur, em que parte do osso morre por falta de circulação, a prótese total é o procedimento usado na doença avançada, com artrose secundária já instalada;[6] uma meta-análise com 14 estudos e mais de 2 milhões de quadris encontrou taxa de revisão (a cirurgia para trocar a prótese) maior que na artrose comum, com luxação (a prótese sair do lugar) e função comparáveis, e os próprios autores ressalvam a confusão por idade e nível de atividade.[11] Na displasia do quadril, o encaixe raso desde a infância, a prótese também é usada; uma revisão de 575 mil próteses encontrou mais revisões nesse grupo, mas luxação, soltura e infecção semelhantes.[12]

Na fratura do colo do fêmur no idoso, a escolha entre prótese total e parcial foi testada num ensaio clínico com 1.495 pacientes em 80 hospitais: em dois anos, a prótese total trouxe uma melhora de função considerada sem importância clínica em relação à parcial, e teve luxação mais frequente em número absoluto (4,7% contra 2,4%), uma diferença que pode ter sido do acaso.[10] Ou seja, a prótese total não é automaticamente melhor na fratura; a decisão é caso a caso. A idade em si não define a indicação, como explica existe uma idade ideal para operar?; para quem tem dúvida sobre a própria indicação, existe a segunda opinião antes da prótese.

Como é o preparo antes da cirurgia de prótese de quadril?

Não existe uma lista fixa de exames: o que se pede depende da idade, das doenças que a pessoa já tem e dos remédios que usa. O objetivo é preparar e antecipar, não acumular papéis. O detalhe de cada exame está em exames pré-operatórios da prótese.

O preparo inclui ajustar medicamentos com a equipe, nunca por conta própria (quais remédios ajustar antes da cirurgia), fortalecer o corpo no que for possível (como se preparar para a prótese de quadril e recuperação rápida após a prótese) e, quando há sobrepeso, entender o que o peso muda no risco (emagrecer antes da prótese).

Do lado do cirurgião, o preparo é o planejamento: medir a radiografia, escolher o tamanho e o tipo de implante e prever a posição de cada componente. O que acontece nessa etapa está em como o cirurgião planeja a sua prótese; para profissionais de saúde há uma revisão técnica do planejamento pré-operatório.

Como é feita a cirurgia de prótese de quadril, passo a passo?

A cirurgia começa pela anestesia. As duas opções são a raquianestesia, aplicada nas costas, que adormece o corpo do quadril para baixo enquanto a pessoa fica acordada ou levemente sedada, e a anestesia geral. Num ensaio randomizado com 1.600 pacientes idosos operados por fratura de quadril, a capacidade de andar aos 60 dias, a mortalidade e a confusão mental pós-operatória foram semelhantes.[13] A escolha é individual, combinada com o anestesista, e está explicada em anestesia para a prótese de quadril e joelho.

Com a anestesia feita, o cirurgião abre um acesso até a articulação (a via de acesso, tema da próxima pergunta), retira a cabeça do fêmur desgastada, prepara o encaixe na bacia para receber a cúpula, prepara o canal do fêmur para a haste e testa o encaixe e a estabilidade do novo quadril antes de fixar os componentes definitivos. A duração varia com o caso e com a técnica; o tempo em si não é medida de qualidade. O passo a passo completo, do dia da internação ao primeiro levantar, está em como é feita a cirurgia de prótese de quadril.

A dor depois da cirurgia é controlada com uma combinação de técnicas, incluindo bloqueios (anestesia de nervos específicos) e infiltração local, para que a pessoa consiga levantar cedo; o tema tem artigo próprio em dor depois da cirurgia de prótese. A cirurgia robótica e a navegação são ferramentas de precisão na posição dos componentes; o que elas mudam, e o que ainda não está provado, está no artigo dedicado.

Via anterior, posterior ou lateral: qual é a melhor?

A via de acesso é o caminho por onde o cirurgião chega à articulação. A via anterior passa entre os músculos sem cortá-los; a posterior e a lateral são as vias clássicas. Meta-análises recentes associaram a via anterior a menos dor no primeiro dia e melhor função nas primeiras semanas,[15][16] com revisão, luxação e fratura semelhantes às da via posterior,[14] e luxação e fratura semelhantes às das vias convencionais.[16]

Um estudo populacional canadense com 30.098 pacientes encontrou mais complicação cirúrgica grave no primeiro ano com a via anterior, 2% contra 1%, uma diferença consistente o suficiente para não ser atribuída ao acaso, sobre taxas baixas nos dois grupos; é um estudo que observa o que aconteceu na prática, sem sortear os pacientes, comparando grupos ajustados para ficarem parecidos entre si.[7] Uma meta-análise de ensaios randomizados associou a via anterior a maior risco de lesão nervosa pós-operatória e a tempo cirúrgico mais longo.[16]

A leitura honesta desses dados é que a experiência do cirurgião com a via que ele domina pesa mais no resultado do que a via em si. O que muda na recuperação, nas restrições de movimento e no risco de luxação em cada via está em via anterior ou posterior? e em alta no mesmo dia após a prótese.

De que é feita a prótese de quadril e qual é a melhor?

A prótese tem quatro partes: a cúpula na bacia, um revestimento interno, a cabeça esférica e a haste no fêmur. O que mais influencia a durabilidade é o par de materiais que desliza um sobre o outro. Um estudo do registro nórdico com 158.044 próteses comparou os principais pares pela sobrevida em 10 anos, a proporção de próteses ainda funcionando, sem precisar de troca: cerâmica com cerâmica, 95,4%; cerâmica com polietileno moderno, 94,3%; metal com polietileno moderno, 94,2%; metal com metal, 85,5%, associado a níveis mais altos de íons metálicos (cobalto e cromo) no sangue e a falhas de próteses metal-metal muito usadas, que expuseram as limitações do sistema regulatório.[5][8][3]

Na prática, os três primeiros pares têm resultados excelentes e comparáveis, e a escolha considera idade, nível de atividade e anatomia. Não existe "a melhor prótese" para todo mundo, nem a prótese importada é, por definição, superior: o que os registros medem é o desempenho de cada material e desenho ao longo dos anos. O detalhe de cada material está em tipos de implante e fixação.

A outra escolha é a fixação: a haste e a cúpula podem ser fixadas com cimento ósseo ou sem cimento, com o próprio osso crescendo contra o revestimento poroso do implante. Quando cada opção faz sentido está em prótese cimentada ou não cimentada. Quem tem receio de reação ao metal encontra a resposta em alergia a metal e prótese.

Radiografia AP da bacia com prótese total moderna do quadril esquerdo (não cimentada, cabeça esférica) — quadril direito nativo
Prótese total de quadril moderna, não cimentada — a haste tem revestimento poroso para o osso crescer contra ela e fixá-la sem cimento. A cabeça esférica se articula com um componente acetabular fixo à bacia. À direita, o quadril nativo do mesmo paciente. Imagem: Wikimedia Commons (CC0)

Quanto tempo fico internado?

Num estudo de um único centro, com 1.732 próteses de quadril feitas pela primeira vez (não eram trocas de prótese), as medianas de internação dos dois grupos do estudo foram de 54 e 60 horas, pouco mais de dois dias.[36]

No mesmo estudo, aumentaram a chance de a internação passar de dois dias a idade, o sexo feminino, uma classificação de risco anestésico mais alta (uma nota que o anestesista dá conforme a sua saúde geral) e a necessidade de cuidados especiais logo depois da anestesia.[36] Serviços que não trabalham com recuperação acelerada costumam ter internações mais longas — a revisão já citada nesta página mede essa diferença, e essa revisão reuniu quadril e joelho juntos.[18]

Por isso não existe um número fixo que sirva para todos. Pode haver uma previsão antes da cirurgia, mas a alta é decidida dia a dia pelo seu médico assistente. O que acontece logo depois da alta está em primeiros dias após a prótese de quadril.

Quanto tempo leva para andar, dirigir e voltar à rotina?

Nos protocolos de recuperação acelerada, a pessoa é colocada de pé e dá os primeiros passos com apoio ainda no dia da cirurgia. Num ensaio clínico com 167 pacientes, levantar no dia zero encurtou o tempo até estar apto para a alta (3,25 contra 3,99 dias).[17] Uma meta-análise com 76.971 pacientes de prótese de quadril e joelho mostrou que esses protocolos reduzem a internação em cerca de 2,65 dias em média e diminuem transfusões, sem aumentar complicações nem reinternações.[18] A alta no mesmo dia existe para casos selecionados, como explica alta no mesmo dia; não é a regra para todos.

O andador ou as muletas costumam ser dispensados ao longo das primeiras semanas. Dirigir: numa meta-análise de estudos que mediram o tempo de frenagem, a capacidade de frear voltou ao nível de antes da cirurgia por volta da sexta semana, e a maioria retomou a direção nesse prazo (média de 33 dias); o lado operado, o câmbio e os remédios em uso mudam esse tempo.[19] Trabalho: cerca de 70% voltam a trabalhar, em média 11 semanas depois; idade maior e trabalho pesado reduzem essa proporção.[20]

O grosso da recuperação acontece nos primeiros seis meses: num grupo de pacientes acompanhado ao longo do tempo com questionário de função, a melhora foi grande da sexta semana ao sexto mês, pequena do sexto mês ao primeiro ano e estável depois.[21] Os prazos semana a semana estão em tempo de recuperação semana a semana, e os detalhes práticos em primeiros dias após a prótese, fisioterapia após a prótese de quadril, quando voltar a dirigir, quando voltar ao trabalho, escadas, carro e banheiro e como preparar a casa.

O que a pessoa com prótese no quadril não pode fazer mais?

Menos coisas do que se imagina. A proposta da cirurgia é devolver o que a artrose tirou: caminhar sem dor, subir escada, dirigir, viajar, dançar, nadar e pedalar são liberados, e a maioria retoma essas atividades ao longo dos primeiros meses. Onde a literatura pede cautela é no alto impacto repetitivo, tema da próxima pergunta.

As precauções de movimento das primeiras semanas (não cruzar as pernas, não dobrar o quadril além de 90 graus) dependem da via de acesso e são definidas pelo cirurgião; já sobre restringir atividade, uma revisão de 2024 não encontrou associação clara entre nível de atividade e luxação.[24] Dormir de lado, sentar em cadeira baixa, calçar meia e sapato e agachar têm resposta própria em o que pode e o que não pode depois da prótese de quadril.

A atividade sexual costuma ser retomada por volta de 6 semanas: num grupo de 273 pacientes em idade de trabalho acompanhados ao longo do tempo, a mediana foi de 6 semanas, e a melhora da mobilidade e da dor foi o que mais contribuiu para a qualidade da vida sexual depois da cirurgia.[35] Exames de imagem, inclusive ressonância, continuam possíveis, como explica ressonância e exames com prótese.

Posso praticar esportes com a prótese de quadril?

Sim, e a maioria pratica. Numa meta-análise de 57 estudos, 85% voltaram ao esporte, em média 16 semanas depois da cirurgia; para esportes de baixo impacto a taxa foi de 97%, e para os de alto impacto, 56%.[20] Num trabalho que reuniu várias revisões já publicadas, feito para orientar consenso, 82% retomaram alguma atividade esportiva, em média aos 6 meses, e a maioria voltou ao nível anterior em esportes de baixo e médio impacto (a revisão dá como exemplos a caminhada, o esqui e a trilha) entre 7 e 12 meses. O principal motivo para não voltar foi a recomendação do próprio cirurgião, não a prótese.[22]

Para esportes de alto impacto (corrida, saltos, tênis de simples, esportes de contato), a orientação da literatura é uma conversa individual sobre o risco de lesão por trauma e de soltura do implante (o afrouxamento da fixação no osso). Sobre correr, a evidência ainda é escassa: uma revisão de 2023 encontrou apenas quatro estudos, em que cerca de 3 em cada 4 corredores voltaram a correr, sem recomendação definitiva.[23]

O medo de que "usar demais" gaste a prótese não encontrou apoio nas revisões recentes: uma revisão sistemática de 28 estudos não mostrou que as pessoas mais ativas tenham menos durabilidade do implante, embora os próprios autores registrem que faltam estudos prospectivos de melhor qualidade para transformar isso em recomendação.[24] A escolha do material também entra nessa conversa, como explica o artigo sobre tipos de implante. Quem quer voltar a competir ou treinar forte deve dizer isso na consulta antes da cirurgia: o objetivo esportivo faz parte do planejamento.

Posso viajar, dirigir e ter uma vida normal com a prótese de quadril?

Esse é o objetivo da cirurgia. A função medida por questionário melhora muito da sexta semana ao sexto mês e depois se estabiliza num patamar alto, que se manteve até os dois anos de acompanhamento.[21] O trabalho é retomado pela maioria: 70% no geral, proporção que sobe com o tempo e chega a 90% em dois anos.[20]

Viajar: não existe regra rígida, baseada em evidência forte, sobre quando voltar a voar; o que preocupa nas primeiras semanas é a imobilidade prolongada, pelo risco de trombose, e por isso a viagem longa é combinada com a equipe. A prótese pode acionar o detector de metais do aeroporto, o que é comum e resolvido com a inspeção manual; não é preciso carteirinha do implante para embarcar. Os detalhes estão em viajar de avião com prótese e em trombose venosa após a prótese.

No dia a dia, a prótese não exige uma vida de restrições: subir escada, entrar e sair do carro, cuidar da casa e do jardim, brincar com os netos e dançar fazem parte da rotina esperada. O que se mantém para sempre é o bom senso com quedas, o cuidado com infecções em qualquer parte do corpo (que devem ser tratadas cedo) e a revisão periódica com o cirurgião, com radiografia, para acompanhar o implante ao longo dos anos. Veja também como dormir com a prótese.

Quanto tempo dura a prótese de quadril?

Décadas, na maioria das pessoas. A maior meta-análise sobre o tema, publicada no Lancet em 2026 com 1.904.237 próteses de 29 estudos e 8 registros nacionais, encontrou 93,6% dos implantes modernos funcionando aos 20 anos; a projeção estatística aponta 92,8% aos 25 e 92,1% aos 30 anos. O número medido é o de 20 anos; os de 25 e 30 são projeções. Nas gerações anteriores de implantes convencionais, os registros mostravam 57,9% em 25 anos.[1][2]

O risco de precisar trocar a prótese ao longo da vida depende sobretudo da idade em que se opera: num registro nacional, quem operou entre 46 e 50 anos teve risco de revisão ao longo da vida de 27,6%, caindo progressivamente com a idade até 1,1% entre 90 e 95 anos.[4] Isso não significa que jovens não devam operar, e sim que a decisão pesa a limitação atual contra a chance de uma segunda cirurgia no futuro.

A análise completa desses números, e o que realmente influencia a durabilidade (material, fixação, peso, atividade), está em quanto tempo dura a prótese de quadril. Quando uma prótese precisa ser trocada, a cirurgia é a de revisão de prótese de quadril.

Radiografia da bacia de frente: no quadril esquerdo há uma prótese total, com a cúpula na bacia e a haste dentro do fêmur; o quadril direito é o do próprio paciente, sem prótese
A mesma radiografia mostra os dois lados: à direita da imagem, o quadril com prótese total (cúpula na bacia e haste no fêmur); à esquerda, o quadril natural do paciente, para comparação. Radiografia: Mikael Häggström via Wikimedia Commons (CC0)

Quais são os riscos da cirurgia de prótese de quadril e os sinais de alerta?

Os principais são luxação, infecção, trombose e diferença de comprimento entre as pernas. Nos grandes registros e revisões, luxação e infecção ficam na casa de menos de 1% a pouco mais de 1%. A luxação caiu década após década: numa revisão com mais de 5 milhões de próteses, o risco médio de seis décadas foi 1,7%, e o da década 2010–2020 foi 0,7%; os autores alertam que os registros, que incluem todos os pacientes, mostram risco maior que o das séries publicadas.[25]

A infecção da prótese de quadril ficou entre 1,1% e 1,5% nos primeiros 90 dias num estudo australiano que cruzou o registro nacional com dados hospitalares de Nova Gales do Sul (revisão por infecção nesse período: 0,3%), e a reoperação por infecção no primeiro ano foi de 1,3% no registro sueco, em que cada dez minutos a mais de cirurgia se associou a cerca de 6% mais risco; uma meta-análise, porém, não encontrou diferença quando o quadril foi analisado isoladamente.[26][27][28] A diferença de comprimento percebida entre as pernas é comum no início: num grupo de 126 pacientes acompanhados desde a cirurgia, 49% perceberam diferença e, em um ano, 73% deles deixaram de percebê-la; mesmo entre os que mantiveram a percepção, a satisfação com a cirurgia continuou boa.[29] Quando a sensação persiste, ela é medida e avaliada na consulta.

Os números completos, com o contexto de cada um, estão em riscos e complicações da prótese de quadril. A trombose tem página própria em trombose venosa após a prótese. Os sinais que merecem avaliação sem demora estão em sinais de alerta na prótese, infecção na prótese: sinais e prevenção, perna mais curta após a prótese, barulho e estalido na prótese e queda com prótese: o que fazer.

Quem tem diabetes, obesidade ou idade avançada pode fazer a prótese de quadril?

Pode, com planejamento. Diabetes se associou a risco cerca de 1,6 vez maior de infecção da prótese numa meta-análise de 40 estudos com mais de 3,5 milhões de quadris; como a infecção é pouco frequente (fica na casa de 1%, como mostra a pergunta sobre riscos acima), esse aumento relativo continua correspondendo a um risco absoluto baixo; entre diabéticos, os que usam insulina tiveram mais complicações e reoperações, mas a durabilidade da prótese em si foi semelhante.[30][31] A diretriz de 2023 recomenda, de forma condicional, adiar a cirurgia para melhorar o controle do diabetes, sem estabelecer um valor de corte de hemoglobina glicada.[6]

Obesidade: a mesma diretriz registra consenso de que a obesidade, por si só, não é motivo para adiar a cirurgia, embora a perda de peso deva ser incentivada e o aumento do risco discutido.[6] Na meta-análise citada acima, o índice de massa corporal alto se associou a risco cerca de 2,4 vezes maior de infecção da prótese, de novo um aumento sobre uma taxa que parte da casa de 1%, e não um risco de um em cada dois.[30] Como esses fatores entram no planejamento está em prótese com osteoporose e diabetes e em emagrecer antes da prótese; as contraindicações reais estão em contraindicações da prótese.

Idade: numa meta-análise com 479.630 pacientes, quem operou depois dos 90 anos obteve o mesmo benefício clínico que quem operou na casa dos 80, com mortalidade hospitalar, reinternação em 30 dias e tempo de internação iguais; por outro lado, teve mais complicações no período em torno da cirurgia e maior mortalidade em um ano.[32] A idade sozinha não impede a cirurgia; ela torna a avaliação clínica prévia e o controle das outras doenças ainda mais decisivos. O tema está em existe uma idade ideal para operar?.

Pode operar os dois quadris na mesma cirurgia?

Em pacientes selecionados, sim. Uma meta-análise de 2026 com 13.984 pacientes comparou a prótese bilateral feita na mesma anestesia com a feita em dois tempos: a simultânea se associou a internação total mais curta (cerca de 2,9 dias a menos) e custo menor, com mortalidade e reinternação sem diferença, mas exigiu mais transfusões.[33]

Outra revisão, com mais de 100 mil pacientes, encontrou menos trombose venosa e menos complicações locais e sistêmicas na simultânea, porém mais embolia pulmonar e mais fraturas ao redor do implante.[34] Toda essa evidência vem de estudos observacionais,[33] e os autores pedem ensaios randomizados bem desenhados.[34]

Na prática, a cirurgia bilateral no mesmo tempo é considerada para quem tem artrose avançada dos dois lados, boa condição clínica e reserva para a perda de sangue maior; a decisão é individual e envolve o anestesista. O que muda no preparo e na recuperação está em como se preparar para a prótese de quadril e em recuperação semana a semana. Esta página reúne o que a literatura mostra e tem caráter informativo: a decisão sobre qual conduta tomar no seu caso é exclusiva do seu médico, que avalia o conjunto, seu quadro clínico, exames, outras doenças e objetivos.

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Perguntas Frequentes

  • Quanto tempo dura uma prótese de quadril? - Uma meta-análise publicada no Lancet em 2026, com quase 2 milhões de próteses, mostrou 93,6% dos implantes modernos funcionando aos 20 anos; a projeção aponta cerca de 92% aos 30 anos. Nas gerações anteriores de implantes convencionais, os registros mostravam 57,9% em 25 anos.
  • Quais são os riscos da cirurgia de prótese de quadril? - Luxação, infecção, trombose e diferença de comprimento entre as pernas. Em grandes registros, luxação (0,7% na década atual) e infecção (1,1% a 1,5% em 90 dias) ficam entre menos de 1% e pouco mais de 1%. Os números completos, com o contexto de cada um, estão no artigo sobre riscos e complicações.
  • Qual o tempo de recuperação de uma cirurgia de prótese no quadril? - A pessoa levanta e anda com apoio no dia da cirurgia ou no dia seguinte; a frenagem para dirigir volta ao normal por volta da sexta semana; cerca de 70% voltam ao trabalho, em média 11 semanas depois; o grosso da recuperação da função acontece nos primeiros seis meses.
  • O que a pessoa com prótese no quadril não pode fazer mais? - Pouca coisa. Caminhar, nadar, pedalar, subir escadas, dirigir e viajar são liberados; a maioria volta a esportes de baixo e médio impacto entre 7 e 12 meses. Esportes de alto impacto, como corrida e esportes de contato, exigem conversa individual sobre risco de trauma e de soltura do implante.
  • Posso voltar a fazer esporte com a prótese de quadril? - Sim. Numa meta-análise de 57 estudos, 85% voltaram ao esporte, em média 16 semanas depois da cirurgia: 97% nos de baixo impacto e 56% nos de alto impacto. Caminhada, esqui e trilha são os exemplos de baixo e médio impacto citados na literatura; corrida e esportes de contato exigem conversa individual.
  • Posso viajar de avião com prótese de quadril? - Sim. Não há regra rígida sobre quando voltar a voar; a preocupação nas primeiras semanas é a imobilidade prolongada, pelo risco de trombose, por isso a viagem longa é combinada com a equipe. A prótese pode acionar o detector de metais, o que se resolve com inspeção manual.
  • Quem tem diabetes pode fazer cirurgia de prótese de quadril? - Pode. O diabetes se associa a risco cerca de 1,6 vez maior de infecção da prótese, partindo de uma taxa que é da ordem de 1%, e a diretriz de 2023 recomenda, de forma condicional, melhorar o controle antes de operar, sem fixar um valor de hemoglobina glicada. O planejamento é feito com a equipe.
  • Existe limite de idade para fazer a prótese de quadril? - Não há limite fixo. Numa meta-análise com quase 480 mil pacientes, quem operou depois dos 90 anos obteve o mesmo benefício clínico que quem operou na casa dos 80, com mais complicações perioperatórias e maior mortalidade em um ano; por isso a avaliação clínica prévia pesa mais nessa faixa.
  • Prótese de quadril com cerâmica é melhor? - No registro nórdico com 158 mil próteses, cerâmica com cerâmica teve a maior sobrevida em 10 anos (95,4%), mas cerâmica com polietileno moderno e metal com polietileno moderno também tiveram resultados excelentes e comparáveis. O polietileno convencional, anterior ao de alta reticulação, teve desempenho inferior, e o metal com metal teve a menor sobrevida do registro.
  • Preciso emagrecer antes de fazer a prótese? - A obesidade isolada não é motivo para adiar a cirurgia quando a indicação é clara, segundo a diretriz de 2023, mas a perda de peso deve ser incentivada e o aumento do risco discutido: o índice de massa corporal alto se associou a risco cerca de 2,4 vezes maior de infecção da prótese, partindo de uma taxa que é da ordem de 1%.
Referências científicas desta página 36 estudos, com PMID — toque para ver a lista
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Consulta em Florianópolis

Avaliação especializada em quadril e joelho. Diagnóstico preciso, plano personalizado baseado em evidência.

PROTESE DE QUADRIL E JOELHO | TRATAMENTO DA ARTROSE

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Prof. Dr. Daniel Fernandes - Formação Acadêmica e Credenciais

O Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes e Doutor (PhD) em Ciencias Medicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mestre (MSc) em Ciencia do Movimento Humano, e Professor de Cirurgia Ortopedica da Faculdade de Medicina da UFSC. Atua como Pesquisador do LEBm (Laboratorio de Engenharia Biomecanica) - UFSC e e Chefe do Programa de Especializacao em Cirurgia do Quadril - SBQ. Registros: CRM-SC 18567 · TEOT 12687 · RQE 10353. Com fellowship internacional e mais de 15 anos dedicados a cirurgia de quadril e joelho, o Dr. Daniel Fernandes combina excelencia academica com pratica cirurgica de ponta. Conheca a trajetoria academica completa.

Equipe de Excelência - Atendimento Humanizado

A equipe do Prof. Dr. Daniel Fernandes trabalha com foco na qualidade do atendimento, acolhimento e dedicacao. Cada membro foi selecionado com foco numa experiência de cuidado integral, da recepção ao pós-operatório. As avaliacoes destacam: atendimento humanizado, comunicação clara, pontualidade e acompanhamento próximo durante toda a jornada.

Referencias cientificas 5 estudos revisados por pares — toque para ver a lista
  • Ferguson RJ, Palmer AJ, Taylor A, et al. Hip replacement. Lancet. 2018;392(10158):1662-1671. doi:10.1016/S0140-6736(18)31777-X
  • Price AJ, Alvand A, Troelsen A, et al. Knee replacement. Lancet. 2018;392(10158):1672-1682. doi:10.1016/S0140-6736(18)32344-4
  • Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 ACR/AF Guideline for Management of Osteoarthritis. Arthritis Rheumatol. 2020;72(2):220-233. doi:10.1002/art.41142
  • Pincus D, Jenkinson R, Paterson M, et al. Association Between Surgical Approach and Major Surgical Complications in Hip Arthroplasty. JAMA. 2020;323(11):1070-1076. doi:10.1001/jama.2020.0785
  • Evans JT, Walker RW, Evans JP, et al. How long does a knee replacement last? Lancet. 2019;393(10172):655-663. doi:10.1016/S0140-6736(18)32531-5

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Consultas presenciais em três unidades: SOS Santa Mônica (Av. Madre Benvenuta, 920, Florianópolis), Ortho&Co (Square SC, Rod. José Carlos Daux/SC-401, 5500, Saco Grande, Florianópolis) e SOS Kobrasol (Av. João Ledio Martins, 314, São José). Também há teleconsultas para todo o Brasil. Agende pelo WhatsApp: (48) 99125-6222, ou preencha o cadastro da primeira consulta, que é por onde a equipe organiza o atendimento.

Leitura Complementar e Recursos

O que dizem os pacientes

Avaliacoes reais de pacientes no Google, todas 5 estrelas. Ver todas as avaliacoes no Google.

Rodrigo ★★★★★

Excelente profissional, uma pessoa tranquila e atenciosa. Dr. Daniel é muito detalhista nas suas explicações deixando o paciente tranquilo e confiante em relação ao procedimento. Estou super feliz com o resultado da cirurgia. Já tinha feito essa cirurgia no meu outro quadril e é incrível a diferença entre a primeira cirurgia para esta feita com o dr. Daniel. O pós operatório, a recuperação foram excelentes, a assistência da equipe no pós operatório fisioterapeuta Júnior... enfim muito feliz de p

Simone Adriana Hoffmann ★★★★★

Gostaria de expressar minha imensa gratidão ao Dr. Daniel Fernandes e toda a sua equipe. Recentemente, meados de 2024, minha mãe foi submetida a uma cirurgia de prótese total no quadril esquerdo e o resultado superou todas as nossas expectativas. Desde a primeira consulta, o Dr. Daniel demonstrou um profissionalismo e uma empatia incríveis. Ele esclareceu todas as nossas dúvidas, explicou detalhadamente o procedimento e nos transmitiu total confiança, o que foi essencial para reduzir a ansiedade

JU COSTA ★★★★★

Quero agradecer imensamente ao Dr. Daniel Fernandes e sua equipe pelo maravilhoso atendimento em todo o processo cirúrgico que precisei fazer no quadril em outubro/2021. Apesar de trabalhar há muito tempo na área da saúde, me impressionei muito e até me emocionei com o atendimento, atenção e acolhimento que recebi, principalmente do Dr Daniel e a querida Mada, Dr.Daniel Filho, também a equipe hospitalar do SOS CÁRDIO. Todos foram incríveis ao passar confiança, tranquilidade e carinho. Sou muito

Tamara Weimer ★★★★★

Sem palavras para descrever o excelente profissionalismo do Dr Daniel Araujo Fernandes e toda a sua equipe. Desde o primeiro diagnóstico até o dia de hj, com minha ATQ bilateral realizada a última há 1 ano, continuam a me acompanhar neste processo de recuperação; que aliás estou quase no meu 100%. Levo uma vida sem mais dor é muito cuidada graças a essa equipe maravilhosa. Só tenho agradecer e colocar todas as estrelinhas que existem para avaliar todos e cada um deles. Grata por ter tido a oport

Luis Carlos Auler ★★★★★

Uma singela homenagem ao Dr. Daniel Araujo Fernandes. Inicialmente desejo me apresentar a todos, que me chamo Luis Carlos Auler, nascido no município de Sapiranga RS. Sou professor de Matemática no Município de Palhoça. O relato a seguir é direcionado a todas as pessoas com dores agudas, tanto nos joelhos quanto no quadril. Sendo que os mesmos aderem a relaxantes musculares e analgésicos, para suportar tal dor insuportável diariamente. A grande maioria dessas pessoas é relutante às intervenções

claudia simões ★★★★★

Estou muitíssimo satisfeita com todo o processo da total do quadril esquerdo a qual fui submetida, com relação ao trabalho do cirurgião, do anestesista, do clínico, da fisioterapeuta e do atendimento no hospital, tanto no pré e no pós-operatório quanto durante a internação. Fui muito bem acolhida e informada sobre os procedimentos, os riscos e os benefícios desta cirurgia. Um ótimo trabalho de equipe. Recomendo sem sombra de dúvida.

Adriano Enderle ★★★★★

O Dr. Daniel e sua equipe são excelentes profissionais. Experientes, atualizados e capacitados. Do principio ao fim, muito atenciosos e dedicados. A cirurgia de artroplastia total de quadril foi um sucesso. Hoje tenho muito mais qualidade de vida.

silvana bortoluzzi ★★★★★

Não tinha idade para fazer a cirurgia mas também não tinha mais qualidade de vida. Muita dor. A cirurgia devolveu a mobilidade e vontade de viver. Hoje faço pilates duas vezes por semana e academia 3 vezes. Tudo com acompanhamento. A equipe deu total acompanhamento para reabilitação. Só tenho a agradecer a todos.

Foco exclusivo: artrose avançada de quadril e joelho

O Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes dedica todo o seu tempo de trabalho a uma área só: o tratamento da artrose — o desgaste avançado — do quadril e do joelho, do tratamento sem cirurgia até a prótese total (artroplastia) e as cirurgias de revisão.

Ele não atende ombro, coluna, pé, mão ou cotovelo. Quem procura o consultório com essas queixas é orientado a buscar o profissional da área, sem uma consulta intermediária que não resolveria o problema.

O que essa dedicação significa na prática — formação, ensino, pesquisa e o que a ciência mostra sobre concentrar a prática: Totalmente especializado em quadril e joelho.