PROTESE DE QUADRIL E JOELHO | TRATAMENTO DA ARTROSE

Artrose no Joelho: Guia Completo

Casal de idosos fazendo exercicio de fortalecimento das pernas com faixa elastica

O que é a artrose de joelho (gonartrose)?

A artrose de joelho, chamada pelos médicos de gonartrose ou osteoartrite do joelho, é o desgaste progressivo da cartilagem que reveste as superfícies do joelho, entre o fêmur, a tíbia e a patela. A cartilagem é a camada lisa que permite o deslizamento; quando ela se gasta, o osso por baixo reage, o espaço da articulação diminui e aparecem dor, rigidez e limitação. O que é artrose em geral, e por que o laudo usa nomes diferentes, está em o que é artrose (osteoartrite, osteoartrose), e a diferença em relação à artrite está em artrose e artrite não são a mesma coisa.

É a artrose mais comum de todas. Na análise mundial de carga de doenças, 595 milhões de pessoas tinham artrose em 2020, 7,6% da população do planeta, com aumento de 132% dos casos desde 1990; o joelho é a localização mais afetada, e a projeção é de que os casos de joelho cresçam 74,9% até 2050. A mesma análise registra que não há cura eficaz para a artrose e que a prótese é altamente eficaz na fase avançada do joelho e do quadril.[1]

Não é doença exclusiva de idosos: pessoas na faixa dos 40 e 50 anos também são afetadas, sobretudo depois de lesões, como explica artrose atinge pessoas jovens. E existe uma escada de cuidados com boa evidência, do exercício orientado à prótese de joelho.

Comparação anatômica de uma articulação: à esquerda a saudável, com cartilagem íntegra, cápsula, sinóvia e líquido articular; à direita a mesma articulação com artrose, com cartilagem desgastada, espaço articular reduzido, cistos no osso e inflamação da sinóvia
Articulação saudável à esquerda e com artrose à direita: a cartilagem se desgasta, o espaço entre os ossos diminui, o osso desenvolve cistos e a sinóvia inflama. Ao lado, os fatores que aceleram esse processo — sobrecarga, trauma, inflamação, obesidade e envelhecimento. Ilustração: Damerau A et al., Front Immunol 2024 (CC BY 4.0), com os rótulos traduzidos para o português

Quais são os sintomas da artrose de joelho?

A dor costuma ser mecânica: piora com o uso, ao caminhar mais tempo, ao subir e descer escada e ao levantar da cadeira, e alivia com o repouso. Nas fases avançadas ela aparece também à noite. Uma revisão publicada no JAMA descreve o quadro típico como dor, rigidez e limitação funcional, e aponta o aumento ósseo palpável no joelho como um achado útil do exame físico.[2] Cada situação do dia a dia tem artigo próprio: dor ao subir e descer escada, dor ao agachar e levantar da cadeira e rigidez matinal no joelho.

Outros sinais frequentes são o inchaço da articulação, os estalos e a crepitação ao movimentar, e a sensação de que o joelho falseia. Esses três têm resposta detalhada em inchaço no joelho e artrose e estalos e crepitação no joelho. O quadro completo, com o que merece avaliação sem demora, está em sintomas da artrose de joelho e em dor no joelho: o que fazer.

Vale saber que a artrose de joelho anda junto com o sono ruim e com o humor, e dor e sono ruim costumam andar juntos. Os temas estão em sono e artrose e artrose, depressão e ansiedade. Sobre o frio, que quase todo paciente pergunta, a resposta está em o clima frio piora a artrose?.

Como o diagnóstico é feito, e por que a radiografia não explica a dor?

O diagnóstico é clínico e radiográfico. Na consulta avaliam-se a dor, o movimento, a estabilidade e os achados do exame físico. Na radiografia, a artrose aparece como osteófitos nas bordas (as pontas de osso) e redução do espaço articular, sinal indireto de que a cartilagem, que não aparece no raio X, está mais fina.[2] Como se lê um laudo e o que ele deve descrever está em diagnóstico da artrose de joelho.

Aqui está um dado que muda a conversa na consulta: a imagem explica muito pouco da dor. Num estudo com 4.796 pacientes acompanhados por dez anos, com mais de 24 mil leituras de radiografia e quase 3 mil de ressonância, nem os achados da radiografia nem os da ressonância previram a dor ou os sintomas. O poder de previsão chegou no máximo a 0,15 para a radiografia e a 0,28 para a ressonância. Nessa escala, 0 significa não explicar nada da dor e 1 significaria explicar toda ela, ou seja, os exames ficaram perto do começo da escala. Nos pacientes com sintomas mais graves, o poder de previsão foi ainda menor.[6] Ou seja: existe joelho muito desgastado na imagem com pouca dor, e joelho com pouca alteração e muita dor.

A consequência prática é simples e importante: trata-se o paciente, não a radiografia. A imagem serve para confirmar o diagnóstico e avaliar o estágio, não para decidir sozinha o tratamento. O diagnóstico da artrose de joelho é clínico e radiográfico; a ressonância entra na avaliação de dúvidas ou de suspeita de outra lesão associada, e essa decisão é individual.

Radiografia de joelho de frente com artrose: a seta aponta o espaço entre o fêmur e a tíbia quase desaparecido no lado interno da articulação
É assim que a artrose aparece na radiografia: a seta marca o espaço articular reduzido, sinal do desgaste da cartilagem que não aparece em foto nem em exame de sangue. Radiografia: James Heilman, MD via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Artrose no joelho tem cura?

Cura, no sentido de a cartilagem voltar a ser o que era, não existe. A análise mundial de carga de doenças registra que não há cura eficaz para a artrose.[1] Existem compostos em pesquisa que tentam frear a progressão estrutural, e uma revisão do JAMA os descreve como resultados promissores em ensaios clínicos, ou seja, seguem em pesquisa.[2] Nenhum tratamento disponível hoje mostrou reverter cartilagem já perdida, e promessa de regeneração definitiva não tem respaldo na evidência atual. A resposta completa está em artrose de joelho tem cura?.

O que existe, e funciona, é controle: da dor, da função e do ritmo de progressão. E o prognóstico é melhor do que o medo sugere. Num registro sueco com 72.069 pacientes encaminhados a tratamento conservador, 1 em cada 5 com artrose de joelho (20%) havia chegado à prótese em cinco anos — ou seja, a maioria não precisou de cirurgia nesse período. Os próprios autores destacam que boa parte dos pacientes não parece precisar de cirurgia em cinco anos, especialmente no joelho.[3]

Duas ressalvas honestas sobre esse número: a população é de pacientes suecos já encaminhados a um programa de tratamento, portanto sintomáticos, e é estudo de registro, não ensaio clínico. Serve para dar ordem de grandeza e desmontar a ideia de que artrose de joelho significa cirurgia inevitável. Quando o conservador chega ao limite, o caminho está em quando o tratamento conservador falha.

O que piora a artrose no joelho?

Vale dizer antes de tudo: artrose não é culpa de quem tem. Ninguém escolheu o peso, a lesão que sofreu aos vinte anos ou o trabalho que precisou fazer. Os fatores abaixo interessam por um motivo só: alguns deles ainda dão para mudar, e é aí que o tratamento tem mais a ganhar. O peso é o fator modificável com dado mais direto no joelho: no mesmo registro sueco, estar acima do peso ou com obesidade associou-se a 25% mais chance de progredir para a cirurgia entre os pacientes com artrose de joelho. Esse aumento é relativo: aplica-se sobre a base de 1 em cada 5 que chegou à prótese em cinco anos, e não é a chance de cada pessoa. No quadril, o mesmo efeito não apareceu.[3] Na análise mundial, o índice de massa corporal alto respondeu por cerca de 20% da carga de artrose, com margem de estimativa ampla e considerando todas as articulações.[1] Quanto cada quilo pesa na prática está em cada quilo conta.

Lesão prévia é o segundo fator bem medido, e é o mais específico do joelho. Numa revisão sistemática de 66 estudos sobre joelhos após lesão traumática, houve evidência de certeza moderada, uma classificação em que os autores dizem quanta confiança o conjunto dos estudos merece, de alta a muito baixa, de que lesões de ligamento, de menisco e da cartilagem aumentam a chance de artrose sintomática. Para a artrose vista na imagem, e aí com certeza muito baixa, a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado combinada à retirada parcial do menisco (meniscectomia parcial) teve chance quase duas vezes maior, e com retirada total do menisco medial, cerca de três vezes maior.[4] Esses números comparam grupos de pessoas e não preveem o caso de ninguém: quem teve lesão de menisco não vai necessariamente ter artrose. Nos estudos incluídos, a idade média na época da lesão era de até cerca de 30 anos.

O esforço ocupacional repetido por anos também conta: numa revisão de 80 estudos, com 71 deles reunidos na análise, trabalhos fisicamente exigentes associaram-se a 52% mais chance de artrose de joelho em relação a trabalhos sentados ou de baixa exposição. As exposições citadas foram carregar peso, ajoelhar, subir, agachar e permanecer em pé. De novo, é uma comparação entre grupos ao longo de décadas, e não o destino de quem trabalha em pé.[5] É evidência de qualidade moderada e do tipo que observa o que acontece com as pessoas, sem intervir, sobre exposição de anos no trabalho, e não se transpõe para exercício orientado na academia. O tema está em artrose e trabalho, e a influência da herança familiar em artrose é hereditária?.

O que não entra nessa lista, apesar da fama: caminhar e se exercitar. A evidência aponta na direção oposta, como mostra a pergunta sobre exercício mais abaixo, e o assunto tem artigo próprio em a artrose melhora com movimento e caminhada e artrose de joelho.

Qual é o tratamento para artrose no joelho?

A base é exercício orientado, e é o tratamento com o maior volume de estudos no joelho, com um contraponto que vale ler até o fim. Numa meta-análise em rede (um método que junta muitos estudos e compara vários tratamentos entre si, mesmo os que nunca foram testados um contra o outro) publicada no BMJ com 217 ensaios clínicos e 15.684 participantes, o exercício aeróbico mostrou a maior probabilidade de ser o melhor tratamento, com melhora grande da dor no curto e no médio prazo; o fortalecimento melhorou a função, e o trabalho neuromotor melhorou a marcha.[7] O contraponto honesto vem de uma revisão Cochrane, da rede internacional independente que reúne e avalia estudos com método rígido, com 139 ensaios e 12.468 participantes: comparado a placebo ou a atenção equivalente, o ganho do exercício sobre a dor foi pequeno, cerca de 9 pontos numa escala de 0 a 100, com certeza baixa, ou seja, novos estudos ainda podem mudar esse número.[8] As duas coisas são verdadeiras: o exercício é a intervenção mais recomendada e mais segura, e o efeito médio sobre a dor é modesto. O que fazer e como começar está em fisioterapia e exercício e em o que a evidência mostra sobre exercício.

Perda de peso tem dois ensaios que, lidos juntos, dão o quadro real. Num ensaio com 823 pacientes acima de 50 anos com sobrepeso ou obesidade, dieta com exercício levou a 8% de perda de peso e a uma redução de dor estatisticamente significativa, mas pequena, que os próprios autores classificaram como de importância clínica incerta.[9] Já num ensaio com 407 pacientes com obesidade e artrose de joelho, o uso semanal de semaglutida 2,4 mg levou a 13,7% de perda de peso contra 3,2% do placebo, e a dor caiu 41,7 pontos contra 27,5 do placebo, numa escala de 0 a 100.[10] Esse tipo de medicamento não é tratamento da artrose, e o uso depende de indicação individual. A leitura: perda pequena traz alívio pequeno; perda grande traz alívio grande. Esse segundo ensaio foi financiado pela indústria farmacêutica e exigiu obesidade para entrar, o que limita a extrapolação.

Sobre remédio, esta página não repete o que já está detalhado em outro lugar: qual anti-inflamatório tem mais evidência no joelho, o que esperar do paracetamol e dos suplementos, quando o comprimido deixa de ser a melhor escolha e por que nenhum deles reverte o desgaste está em anti-inflamatório para o joelho: qual o melhor.

Entre as infiltrações, o corticoide funciona e funciona por poucas semanas: numa meta-análise de ensaios randomizados, foi superior ao placebo no curto e no médio prazo, mas o benefício perdeu relevância clínica já depois de seis semanas e não houve diferença no longo prazo.[13] Uma segunda síntese, restrita a ensaios grandes, concorda: a triancinolona, um dos corticoides usados na infiltração, teve a maior probabilidade de alívio relevante nas semanas 2 e 6.[14] O ácido hialurônico, ao contrário, não se sustenta: numa meta-análise com 169 ensaios e 21.163 participantes, a diferença em relação ao placebo, o comprimido ou a injeção sem efeito usados para comparação foi de 2 milímetros numa escala de 100, com mais efeitos indesejados graves, e os autores afirmam que não há apoio para uso amplo.[15] A ordem prática das infiltrações está em infiltrações no joelho e em ácido hialurônico e corticoide.

O PRP (plasma rico em plaquetas, concentrado preparado do sangue do próprio paciente) é o ponto em que as melhores fontes divergem, e você merece saber disso. Uma meta-análise de 18 ensaios randomizados com 1.995 pacientes encontrou melhora funcional relevante até 12 meses e alívio de dor aos 3 e 6 meses em relação ao placebo, com resultado melhor nas preparações com mais plaquetas.[16] Já a síntese restrita a ensaios grandes concluiu que 16 de 18 tratamentos injetáveis no joelho e no quadril tiveram efeito menor que a diferença mínima que o paciente consegue perceber como melhora real (a chamada diferença minimamente importante), a maioria compatível com efeito placebo.[14] Nenhum dos dois mediu regeneração de cartilagem. A posição completa está em ortobiológicos e medicina regenerativa, em o PRP funciona na artrose de joelho? e em quantas aplicações de PRP.

A artroscopia para artrose não é o caminho. Num ensaio desenhado para testar se um tratamento não é pior que o outro (estudo de não inferioridade), com 321 pacientes de 45 a 70 anos com lesão degenerativa do menisco, acompanhados por cinco anos, a fisioterapia baseada em exercício não foi inferior à cirurgia, e a progressão da artrose na radiografia foi comparável entre os dois grupos.[17] Isso vale para joelho degenerativo, não para lesão traumática ou bloqueio mecânico verdadeiro, em que a avaliação é outra. A escada completa de tratamento está em tratamento conservador da artrose de joelho. A decisão sobre qual conduta tomar no seu caso é exclusiva do seu médico assistente, que avalia o conjunto: seu quadro clínico, seus exames, suas outras doenças e seus objetivos.

Joelho preparado com antissepsia e campos estéreis durante uma infiltração intra-articular, com o médico de luvas posicionando a seringa
Infiltração intra-articular do joelho, com antissepsia e campo estéril. No joelho, guiar a punção por ultrassom é decisão do médico, quando é preciso mais informação; no quadril, a infiltração é sempre guiada por ultrassom. Foto: PainDoctorUSA via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Qual é o melhor remédio para artrose no joelho?

A resposta com melhor evidência surpreende quem espera um comprimido: é o anti-inflamatório em gel. Numa meta-análise em rede com 192 ensaios e 102.829 participantes, os autores afirmam que o diclofenaco tópico deve ser considerado o tratamento medicamentoso de primeira linha para a artrose de joelho, por ser eficaz e mais seguro; nenhum dos géis e pomadas aumentou o risco de abandono por efeito indesejado.[11] Os autores atribuem essa vantagem à dose menor e à menor exposição do corpo todo ao medicamento.[11]

Entre os comprimidos, a mesma análise aponta o etoricoxibe 60 mg e o diclofenaco 150 mg ao dia como os mais eficazes, com a ressalva dos próprios autores de que provavelmente não são apropriados para quem tem outras doenças nem para uso prolongado: cerca de 30% dos anti-inflamatórios orais mostraram risco aumentado de efeitos indesejados.[11] Todos exigem receita e avaliação individual, porque a escolha depende do estômago, dos rins, da pressão, do coração e dos outros remédios em uso. A escolha, a dose e o tempo de uso são decisão exclusiva do seu médico assistente, que avalia o conjunto: seu quadro clínico, seus exames, suas outras doenças e seus objetivos.

Sobre os opioides, a resposta é direta: não. Na mesma análise, nenhum opioide teve alta probabilidade de superar o mínimo clinicamente relevante e 89,5% apresentaram risco aumentado de efeitos indesejados; a conclusão literal dos autores é que o benefício clínico não compensa o dano.[11] A duloxetina, um medicamento que age nos mecanismos da dor no sistema nervoso e é usado também como antidepressivo, tem eficácia demonstrada em alguns casos selecionados, com efeito modesto e mais efeitos indesejados; a indicação é individual.[12][2]

O guia completo, com nomes, doses de referência e quem precisa de cuidado redobrado, está em anti-inflamatório para o joelho. Sobre o que não tem evidência de funcionar, veja suplementos para artrose, vitamina D e artrose e dieta anti-inflamatória. Para alívio caseiro, calor ou gelo.

Como desinflamar o joelho com artrose?

Quando o joelho com artrose incha e dói mais de repente, isso pode ser uma crise da própria doença, e o médico assistente confirma a causa. Num estudo com adultos com artrose de joelho ou com risco de desenvolvê-la, em que 376 pessoas registraram 568 crises, a crise foi definida como um aumento súbito dos sintomas que dura pelo menos 24 horas, e a duração mediana foi de 5 dias, com metade dos casos entre 3 e 8 dias.[23] Vale saber que a artrose não é só desgaste da cartilagem: a membrana que reveste a articulação por dentro também pode inflamar, e essa inflamação, chamada sinovite, vem sendo estudada, sobretudo por ressonância, como um alvo importante nas pesquisas sobre artrose.[24]

As crises costumam ter gatilhos. No mesmo estudo, 13 situações apareceram associadas ao começo da crise, a maioria delas ligada à atividade — a mais forte foi o joelho falhar ao pisar, e o tempo frio e úmido foi a associação mais fraca.[23] Quem convive com essas crises costuma se virar com as próprias estratégias, e procura ajuda quando essas estratégias se esgotam, quando a dor atrapalha o sono ou quando a dor está pior do que o de sempre.[25]

Sobre o que ajuda: o frio (gelo) tem efeito sobre a dor na artrose de joelho, mas os estudos são poucos e os autores concluem que o frio pode ser útil como parte de um tratamento mais amplo, sobretudo junto com exercícios, e que como tratamento isolado ainda faltam estudos.[26] Entre os remédios, uma grande revisão de estudos aponta o diclofenaco em gel como a primeira escolha entre os remédios que ela comparou para a artrose de joelho, por ser eficaz e em geral mais seguro, por agir menos no organismo como um todo do que o comprimido — se ele serve para você, e de que forma, é o seu médico quem avalia.[11] O exercício orientado e o controle de peso continuam sendo a base do tratamento, detalhados mais acima nesta página, e o alívio caseiro está em calor ou gelo na artrose. Nenhum tratamento tira a artrose nem faz o inchaço sumir de uma vez — o que existe é controle, como está explicado mais acima nesta página: o que se controla é a crise, e quanto tempo cada uma dura e o que usar em cada caso é decisão do seu médico assistente, que avalia você e não só o joelho.

O que uma pessoa com artrose no joelho não pode fazer?

Menos coisas do que se imagina, e a lista de proibições costuma ser mais curta que a de recomendações. Caminhar, nadar, pedalar, fazer hidroginástica, subir escada com apoio, viajar e trabalhar continuam liberados na grande maioria dos casos. O que pede cautela é o impacto repetitivo e a carga extrema em articulação já sintomática, e mesmo aí a orientação é individual.

O que a evidência realmente mostra sobre restrição vem da exposição ocupacional: agachar, ajoelhar e carregar peso por anos no trabalho associou-se a mais artrose de joelho.[5] Isso é diferente de agachar numa série orientada de exercício. Alternativas de baixa carga estão em exercícios de baixo impacto, e o calçado, que quase ninguém considera, em calçado e artrose de joelho.

A bengala é usada para aliviar a carga do lado afetado; a indicação e o lado corretos são avaliados na consulta, como explica bengala na artrose. E prevenir queda é proteger o joelho: o tema está em artrose e quedas depois dos 60. Sobre órteses e palmilhas, são usadas como medida de alívio mecânico, mas não localizei meta-análise recente de alta qualidade que quantifique o benefício; a decisão é individual.

Quais exercícios são indicados, e exercício piora a artrose?

Exercício não piora a artrose, e é o que há de mais próximo de um tratamento de base. Na meta-análise em rede de 217 ensaios, não houve diferença clara de efeitos indesejados entre exercício e controle, com a ressalva de que apenas 18% dos estudos relataram segurança.[7] Na revisão Cochrane, comparado a placebo ou a atenção equivalente, o exercício pode não aumentar os efeitos indesejados, com certeza baixa, e provavelmente não aumenta as desistências, com certeza moderada; já comparado a nenhum tratamento houve sinal de mais efeitos indesejados, também com certeza baixa.[8] E num grupo de 1.212 pessoas acima de 50 anos com artrose de joelho, acompanhadas por quatro anos, quem caminhava para se exercitar teve menos chance de desenvolver dor frequente nova, e a redução do espaço articular foi menos comum entre os caminhantes.[18] Esse último observa o que aconteceu com as pessoas, sem intervir, e os próprios autores o tratam como prova de conceito que merece mais pesquisa.

Sobre o que fazer: na maior e mais recente meta-análise em rede, o aeróbico teve o melhor desempenho geral em dor, função, marcha e qualidade de vida; o fortalecimento mostrou benefício claro em função; o trabalho neuromotor, de equilíbrio e controle do movimento, melhorou o jeito de caminhar no curto prazo; e as práticas que integram corpo e respiração melhoraram a função no curto prazo.[7] Caminhada, bicicleta e natação são as formas mais usadas na prática por carregarem menos a articulação.

A honestidade pede duas ressalvas. Primeira: os ganhos são médias de grupo, não promessa individual. Segunda: lesões leves acontecem — no ensaio de dieta com exercício, os eventos relacionados ao estudo se concentraram no grupo que se exercitava.[9] Por isso a progressão é orientada, e não por conta própria. O detalhe está em fisioterapia e exercício supervisionado e em fisioterapia para artrose.

Quem tem artrose no joelho pode parar de andar? É perigoso?

Parar de andar não é o desfecho esperado com tratamento. É o medo mais comum e a evidência aponta na direção contrária: quem caminha para se exercitar teve menos dor nova e menos progressão do estreitamento do espaço articular, e os autores do estudo recomendam que a caminhada seja encorajada em quem tem artrose de joelho.[18] O que tira a autonomia é o ciclo de dor, imobilidade e perda de força, não o movimento.

Sobre gravidade, sem alarme e sem minimizar: a artrose de joelho é doença crônica que incomoda e limita, e a gravidade dela se mede pelo quanto tira da pessoa o que ela faz e gosta de fazer. Há riscos associados que valem atenção. Numa revisão sistemática com 862.849 pessoas, a artrose de joelho que dói associou-se a mais quedas repetidas, isto é, mais de uma queda no período (chance 55% maior). Já a artrose que aparece na radiografia associou-se a mais quedas em geral (28% maior). As duas comparações são sempre com quem não tem artrose, e sem associação estatística com fraturas.[19] Dos 17 estudos reunidos, 2 tinham alto risco de viés, o que limita a precisão desses números. Vale dizer o outro lado: queda tem causa somada (força muscular, equilíbrio, visão, remédios em uso, pressão, calçado e o próprio ambiente da casa), e é justamente por isso que fortalecer e manter-se em movimento protege.

Quando a dor passa a mandar no dia, acorda a pessoa à noite ou impede o que ela gosta de fazer, apesar de exercício, peso e remédio bem usados, é sinal de que o tratamento conservador chegou ao limite. A prótese existe justamente para esse ponto, e a análise mundial de carga de doenças a classifica como altamente eficaz na artrose avançada do joelho e do quadril.[1] Uma revisão do JAMA registra que, em quem tem sintomas avançados e dano estrutural, a substituição da articulação alivia a dor de forma efetiva.[2] Se esse é o seu ponto, quem define é o seu médico assistente, avaliando o conjunto: seu quadro clínico, seus exames, suas outras doenças e seus objetivos.

Posso trabalhar, correr e praticar esporte com artrose de joelho?

Trabalhar, na grande maioria dos casos, sim, e o ajuste depende do tipo de trabalho: a evidência de risco está na exposição de anos a agachar, ajoelhar e carregar peso, não no trabalho sentado.[5] O que se faz é adaptar a tarefa, distribuir a carga e tratar a dor, não parar. O tema tem artigo próprio em artrose e trabalho.

Sobre correr, o dado mais recente e específico é sobre o efeito imediato na cartilagem: numa revisão de 24 estudos com 446 joelhos avaliados por ressonância, a corrida reduziu momentaneamente a espessura e o volume da cartilagem, e também os tempos de relaxamento no exame, que voltaram ao valor inicial em cerca de 91 minutos; as falhas de cartilagem já existentes não mudaram nas 48 horas seguintes; os autores concluem que uma sessão de corrida não é prejudicial à cartilagem do joelho, com certeza da evidência muito baixa.[22] Isso responde ao efeito agudo de uma corrida, e não ao efeito de anos correndo nem ao caso de quem já tem artrose estabelecida. O assunto tem artigo dedicado em a corrida causa artrose no joelho?.

Para esporte, a regra prática é preferir baixo e médio impacto, progredir devagar e tratar a dor que aparece, em vez de conviver com ela. Quem quer voltar a competir ou treinar forte deve dizer isso na consulta: o objetivo esportivo faz parte do planejamento, inclusive na decisão sobre cirurgia. Depois da prótese, o retorno ao esporte tem evidência própria em retorno ao esporte após prótese de joelho.

Quando a prótese de joelho é indicada, e qual o resultado esperado?

A prótese entra quando a artrose é avançada, a dor e a limitação atrapalham o dia a dia e o tratamento não cirúrgico bem feito já não resolve. Sobre o momento, um painel internacional de reumatologistas e cirurgiões de quadril e joelho, em 2023, recomendou, de forma condicional, não adiar a cirurgia para tentar mais fisioterapia, anti-inflamatório, bengala ou infiltração em quem esses recursos já não ajudam; recomendou adiar para parar de fumar e para melhorar o controle do diabetes, sem estabelecer um valor de exame; e registrou consenso de que a obesidade, sozinha, não é motivo para adiar. O próprio painel classificou a evidência de todas as recomendações como de baixa ou muito baixa qualidade, e as recomendações valem para quadril e joelho em conjunto.[20] Os critérios em detalhe estão em quando operar a artrose de joelho e em vale a pena a prótese de joelho?.

Sobre o resultado esperado, é justo dizer o número em vez do slogan. Num registro nacional australiano com 8.299 joelhos avaliados antes da cirurgia e cerca de 5 mil reavaliados seis meses depois, entre os que responderam no pós-operatório 81,6% relataram a articulação como muito melhor e 80,8% se declararam satisfeitos ou muito satisfeitos; cerca de 1 em cada 10 (10,5%) declarou-se insatisfeito. No quadril, a proporção que relatou a articulação muito melhor foi maior, 92,6%.[21] São análises descritivas, com seguimento de seis meses, em população australiana. A leitura honesta: a prótese de joelho alivia dor e devolve função na maioria, e um paciente em cada dez fica insatisfeito, o que precisa ser dito antes da cirurgia e não depois.

Como é a cirurgia, quanto tempo dura o implante, a recuperação e a vida depois estão no guia de prótese de joelho, com os detalhes em total ou parcial, quanto tempo dura, recuperação semana a semana e existe idade ideal para operar?. Nada disso substitui a avaliação individual: a indicação da prótese, o momento e o tipo de cirurgia são decisão do seu médico assistente junto com você, considerando exames, outras doenças e o que você quer voltar a fazer.

Assista: Dr. Daniel explica musculação e artrose

Neste vídeo (27 min), o Prof. Dr. Daniel Fernandes mostra, com os artigos na tela, que o treinamento de resistência é uma das atividades com mais benefícios para quem tem artrose no joelho e no quadril: reduz a dor, melhora a função e a saúde geral. Explica o que é musculação de verdade, por que não é preciso academia nem aparelhos para fazê-la, e por que quem já tem prótese de quadril ou joelho também pode e deve treinar.

Assistir no YouTube: Musculação e Artrose — Faz Bem ou Faz Mal? Ortopedista Explica a Verdade

Guias detalhados por tópico (Artrose de Joelho)

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Perguntas Frequentes

  • Artrose no joelho tem cura? - Não, no sentido de a cartilagem voltar ao que era: a análise mundial de carga de doenças registra que não há cura eficaz para a artrose, e os compostos que tentam frear a progressão seguem em pesquisa. O que existe é controle da dor e da função. Num registro sueco com 72 mil pacientes, 1 em cada 5 com artrose de joelho chegou à prótese em cinco anos, ou seja, a maioria não precisou de cirurgia nesse período.
  • Qual é o tratamento para artrose no joelho? - Exercício orientado como base, com o aeróbico à frente numa meta-análise de 217 ensaios; perda de peso quando há sobrepeso; anti-inflamatório em gel como primeira opção medicamentosa; infiltração de corticoide para alívio de poucas semanas em casos selecionados; e prótese quando o conservador não basta. Ácido hialurônico não se sustenta nas meta-análises grandes, e a fisioterapia não foi inferior à artroscopia em cinco anos na lesão degenerativa do menisco.
  • O que piora a artrose no joelho? - O peso, associado a 25% mais chance de progredir para cirurgia no joelho num registro sueco; lesão prévia de ligamento, menisco ou cartilagem, que aumenta a chance de artrose sintomática (os números de duas a três vezes referem-se à artrose vista na imagem, com certeza muito baixa, o nível mais baixo de confiança que os autores atribuem a um conjunto de estudos); e esforço ocupacional repetido por anos, com 52% mais chance em trabalhos fisicamente exigentes. Caminhar e se exercitar não entram nessa lista.
  • Qual é o melhor remédio para artrose no joelho? - Numa meta-análise em rede com 192 ensaios e 102.829 participantes, os autores indicam o diclofenaco em gel como tratamento medicamentoso de primeira linha para o joelho, por ser eficaz e mais seguro. Entre os comprimidos, o etoricoxibe e o diclofenaco em dose plena foram os mais eficazes, com a ressalva de não serem apropriados para quem tem outras doenças nem para uso prolongado. Opioides não: o benefício não compensa o dano. Todos exigem receita, e a escolha, a dose e o tempo de uso são decisão do seu médico assistente.
  • O que uma pessoa com artrose no joelho não pode fazer? - Menos do que se imagina. Caminhar, nadar, pedalar, fazer hidroginástica, viajar e trabalhar seguem liberados na maioria dos casos. O que pede cautela é o impacto repetitivo e a carga extrema. A evidência de risco vem da exposição ocupacional por anos a agachar, ajoelhar e carregar peso, não do exercício orientado.
  • Exercício físico piora a artrose de joelho? - Não. Na meta-análise de 217 ensaios não houve diferença clara de efeitos indesejados entre exercício e controle, e na revisão Cochrane o exercício pode não aumentar efeitos indesejados frente a placebo, com certeza baixa. Num grupo de 1.212 pessoas acompanhadas por quatro anos com artrose de joelho, quem caminhava teve menos dor nova e menos redução do espaço articular. Lesões leves acontecem, e por isso a progressão deve ser orientada.
  • Quem tem artrose no joelho pode parar de andar? - Não é o desfecho esperado com tratamento. A evidência mostra o contrário: quem caminha para se exercitar teve menos dor nova, e os autores recomendam encorajar a caminhada. Há mais risco de quedas recorrentes na artrose sintomática de joelho, sem associação estatística com fraturas. Quando o conservador chega ao limite, a prótese é classificada como altamente eficaz na fase avançada.
  • Infiltração de ácido hialurônico funciona no joelho? - Numa meta-análise com 169 ensaios e 21.163 participantes, a diferença em relação ao placebo foi de 2 milímetros numa escala de 100, com mais efeitos indesejados graves, e os autores afirmam que os achados não apoiam o uso amplo. O corticoide, por outro lado, funciona, mas o benefício perde relevância clínica já depois de cerca de seis semanas.
  • O PRP funciona na artrose de joelho? - As melhores fontes divergem, e é justo dizer isso. Uma meta-análise de 18 ensaios randomizados encontrou melhora funcional até 12 meses e alívio de dor aos 3 e 6 meses em relação ao placebo. Já a síntese restrita a ensaios grandes concluiu que 16 de 18 tratamentos injetáveis tiveram efeito abaixo da diferença mínima que o paciente percebe como melhora real. Nenhum dos dois mediu regeneração de cartilagem. A indicação, no seu caso, é decisão do seu médico assistente.
  • Quando a prótese de joelho é indicada e qual o resultado esperado? - Quando a artrose é avançada, a dor e a limitação atrapalham o dia a dia e o tratamento não cirúrgico já não resolve. Um painel de especialistas recomendou, de forma condicional, não adiar a cirurgia apenas para tentar mais tratamento conservador que já não ajuda. Num registro australiano, entre cerca de 5 mil joelhos reavaliados seis meses depois da cirurgia, 81,6% relataram a articulação como muito melhor e cerca de 1 em cada 10 declarou-se insatisfeito. A indicação, o momento e o tipo de cirurgia são decisão do seu médico assistente junto com você.
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Referencias cientificas 5 estudos revisados por pares — toque para ver a lista
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