PROTESE DE QUADRIL E JOELHO | TRATAMENTO DA ARTROSE
Prótese de Joelho: Guia Completo da Artroplastia Total
O que é a prótese total de joelho?
A prótese total de joelho, chamada pelos médicos de artroplastia total de joelho, é a cirurgia que substitui as superfícies desgastadas da articulação. O cirurgião retira a camada de cartilagem e osso já comprometida da extremidade do fêmur, do topo da tíbia e, em parte dos casos, da patela, e coloca no lugar componentes de metal com um espaçador de polietileno — um plástico de alta resistência — entre eles. O osso não é retirado inteiro: o que se substitui é a superfície de deslizamento.
Prótese e artroplastia são a mesma coisa, ditas de dois jeitos: artroplastia é o nome do procedimento e prótese é o nome do implante. O passo a passo da operação, do posicionamento ao fechamento, está em como é feita a cirurgia de prótese de joelho.
Esta página reúne o que a evidência mostra sobre indicação, resultado, risco, durabilidade e vida depois da cirurgia. Cada afirmação traz o estudo ao lado. Nada aqui substitui a consulta: a conduta de cada paciente é decisão do médico assistente, tomada com o exame clínico e as imagens em mãos.
A prótese total de joelho no lugar: o componente recobre a extremidade do fêmur e a base apoia sobre a tíbia, substituindo a cartilagem desgastada. Ilustração: Servier Medical Art (CC BY-SA 3.0), recortada
Quando a prótese de joelho é indicada?
A indicação nasce da combinação de dor incapacitante que persiste apesar de tratamento não cirúrgico adequado com artrose avançada nas imagens. Quando o joelho dói ao andar no plano, acorda o paciente à noite e já não responde a exercício orientado, controle de peso e medicação bem conduzidos, a conversa sobre cirurgia entra — sinal de que a artrose avançou, não de que o tratamento foi malfeito.
É honesto dizer o que a literatura não tem: não existe escore ou limiar validado que defina sozinho a hora de operar. Um estudo que comparou dois sistemas formais de critérios de indicação, em 602 artroplastias de joelho classificáveis, concluiu que nenhum dos dois se associou ao resultado a longo prazo, e que apoiar-se neles para prever o desfecho não se justifica.[3] A decisão é clínica e compartilhada, não uma conta.
O ensaio clínico que testou a pergunta de frente foi dinamarquês: 100 pacientes com artrose de moderada a grave, já elegíveis para a cirurgia, foram sorteados entre prótese somada a tratamento não cirúrgico e tratamento não cirúrgico isolado. Em 12 meses, o grupo operado melhorou mais, mas 26% do grupo não cirúrgico acabou operando dentro do ano e 74% não precisou naquele período.[2] Ou seja: mesmo entre quem já tem indicação, adiar é uma escolha possível para muitos.
Artrose avançada do joelho: a seta mostra o espaço articular quase desaparecido — é esse desgaste, somado à dor que limita a vida, que leva à indicação da prótese. Radiografia: James Heilman, MD via Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Prótese de joelho vale a pena? O que muda na dor e na função
No ensaio dinamarquês, o ganho medido por um escore validado de dor e função foi de 32,5 pontos no grupo operado contra 16,0 no grupo tratado sem cirurgia, numa escala de 0 a 100, com diferença ajustada de 15,8 pontos.[2] É o dado mais forte disponível, e vem de um ensaio de 100 pacientes com um ano de seguimento: serve para dimensionar a ordem de grandeza, não para prever o resultado de uma pessoa.
A cifra de que "20% ficam insatisfeitos" circula muito e não tem fonte. O que existe é registro: no Registro Sueco de Artroplastia de Joelho, entre 8.745 pacientes que melhoraram em dor ou função depois da prótese, 11% ainda assim se declararam insatisfeitos com o resultado.[4] O mesmo trabalho mostra o que pesa nessa insatisfação: ansiedade ou depressão relatadas pelo paciente aumentaram o risco de insatisfação mesmo entre quem melhorou.[4] Isso não é falha de quem opera nem de quem é operado: é um dado que serve para cuidar do humor e da dor junto com o joelho, antes e depois da cirurgia.
E o que mais governa a satisfação é a dor. Numa análise do registro neozelandês com 9.384 próteses totais de joelho acompanhadas por até 15 anos, a pergunta sobre dor geral foi a que mais se associou à satisfação em todos os momentos, dos 6 meses aos 15 anos.[5] Cuidar da dor é cuidar do resultado percebido.
O mesmo joelho depois da prótese total: o componente femoral recobre a extremidade do fêmur e a base apoia sobre a tíbia, recriando o espaço que a artrose havia destruído. Radiografia: Mikael Häggström via Wikimedia Commons (CC0)
Colocar prótese no joelho é perigoso?
É uma cirurgia de grande porte e tem risco, e o risco tem tamanho conhecido. Num registro nacional holandês com 132.726 próteses de joelho operadas por artrose entre 2015 e 2021, a mortalidade por todas as causas foi de 0,12% em 30 dias e 0,27% em 90 dias — cerca de 1 em cada 370 pacientes em três meses, contando qualquer causa de morte, não apenas as ligadas à cirurgia.[6] O mesmo trabalho mostra que o risco não é igual para todos: homens acima de 80 anos chegam a pelo menos 3% de risco somado de complicação cardiovascular grave e óbito em 90 dias — e os próprios autores registram que esse número é subestimado, pela mesma falha de captação descrita adiante.[6]
Sobre infecção, a âncora vem de uma coorte canadense com 39.038 próteses de joelho por artrose: 0,7% desenvolveram infecção profunda da ferida em 90 dias.[7] Naquela coorte, a infecção precoce não se associou a aumento de mortalidade em 90 dias.[7] Sinais de alerta e prevenção estão em infecção na prótese.
Sobre rigidez, uma base estadual americana com 100.613 próteses primárias registrou 2,8%, ou 1 em cada 36, submetidos a manipulação sob anestesia — quando o cirurgião dobra o joelho com o paciente anestesiado, em centro cirúrgico, para recuperar a dobra que faltava.[8] O que fazer quando o joelho não dobra está em rigidez após a prótese de joelho.
Sobre lesão de nervo, uma série norueguesa de 7.704 próteses encontrou paralisia do nervo fibular em 0,32%, e nela dois terços das paralisias completas se recuperaram por inteiro.[9] Complicações arteriais são mais raras ainda: uma revisão sistemática as agrupa em torno de 0,06% a 0,17% conforme o tipo, e alerta que, quando ocorrem, ameaçam o membro.[10]
Sobre trombose, o mesmo registro holandês mostra tromboembolismo venoso — a trombose na veia e sua migração para o pulmão — em 0,34% em 90 dias.[6] Esse número vem de eventos registrados no sistema; estudos que procuram ativamente por trombose encontram mais, porque incluem tromboses de perna que os registros muitas vezes não captam — os próprios autores dizem que sua estimativa provavelmente é baixa.[6] Como a prevenção é feita está em trombose e anticoagulação após a prótese.
Estes números não se somam nem formam uma tabela única. Cada um vem de um país, de um período e de um jeito diferente de registrar, e nenhum deles descreve o risco de uma pessoa específica: quem estima isso é o médico assistente, com as condições de saúde do paciente na frente. Como as doenças associadas mudam o preparo está em prótese com osteoporose e diabetes, e os exames que antecedem a cirurgia em exames pré-operatórios da prótese.
Quanto tempo dura a prótese de joelho?
A síntese mais ampla disponível reuniu registros nacionais e chegou a: 93,0% das próteses de joelho seguem sem revisão — sem precisar de uma cirurgia de troca — aos 15 anos, 90,1% aos 20 anos e 82,3% aos 25 anos.[1] Quatro avisos honestos acompanham esses números. Eles medem quantas ainda não foram trocadas, e não vida útil garantida. Vêm de registros nacionais, e o número de 15 anos foi obtido dos registros australiano e finlandês. Para os prazos de 20 e 25 anos, o resumo e o texto completo do próprio artigo não descrevem a origem do mesmo modo, e por isso não afirmamos aqui de que registros eles vêm. Os de 15 e 20 anos não estão no resumo do artigo, e sim no texto completo. E uma prótese com 25 anos de acompanhamento é uma prótese implantada por volta de 1990, não a de hoje. O próprio trabalho é de 2019, e não localizamos síntese de sobrevida de registros mais recente que o substitua.
Idade sozinha não indica nem contraindica. O que ela muda é o risco de precisar de uma troca ao longo da vida, porque quem opera mais cedo convive mais tempo com o implante. No registro neozelandês, esse risco na prótese total de joelho vai de 22,4% nos mais jovens a 1,6% nos mais idosos.[11] Um estudo de registros britânicos mostra o mesmo padrão e acrescenta que o tipo de implante também pesa.[12]
Há um contraponto importante de escala: no registro australiano, o risco de uma pessoa da população vir a passar por uma revisão de joelho ao longo da vida foi de cerca de 1 em 45 mulheres e 1 em 50 homens.[13] As duas cifras respondem perguntas diferentes — uma é por prótese implantada, a outra é por pessoa na população — e não podem ser comparadas lado a lado.
No outro extremo da vida, uma revisão que reuniu 479.630 pacientes mostrou que pacientes na casa dos 90 anos alcançam o mesmo benefício clínico dos que estão na casa dos 80, com risco maior de complicação no período em torno da cirurgia e de óbito em um ano, o que torna essencial a avaliação cuidadosa antes.[14] Vale a ressalva: esse trabalho reuniu artroplastias de quadril e de joelho, e não é um estudo exclusivo de joelho.
Nos serviços que trabalham com recuperação acelerada, a maioria das pessoas vai para casa em poucos dias. Em nove centros de recuperação acelerada, a mediana de internação de 7.708 próteses totais de joelho foi de 2 dias; a alta no mesmo dia da cirurgia foi rara na prótese total (0,5% dos casos), diferente da parcial (que troca só uma parte do joelho), em que aconteceu em cerca de 1 em cada 5.[33]
Os protocolos de recuperação acelerada — que incluem caminhar cedo, prevenir náusea e vômito e usar anestesia local e bloqueios para a dor — encurtam a internação. Numa revisão com 47 estudos e quase 77 mil pacientes, eles reduziram a internação de forma significativa, sem aumentar complicações nem reinternações; a ressalva é que esse trabalho reuniu quadril e joelho juntos, e não é exclusivo de joelho.[34] O número varia muito com o serviço: num estudo feito em vários hospitais com 320 pacientes de prótese de joelho, a média de internação foi de 5,9 dias com o protocolo acelerado e de 8,2 dias sem ele.[35]
Por isso não existe um prazo único. O tempo de cada pessoa depende de como ela caminha, do controle da dor e do enjoo, de outras doenças que precisem de ajuste e do preparo da casa; essa decisão é revista a cada dia pelo seu médico assistente. O que esperar logo depois da alta está em primeiros dias após a prótese de joelho.
Qual é o tempo de recuperação da prótese de joelho?
A recuperação não é uma linha reta que sobe. Num estudo com 1.005 próteses de joelho acompanhadas com sensores de atividade, os escores relatados pelo paciente — questionários em que o próprio operado pontua sua dor e sua função — já melhoravam cedo, mas a velocidade de marcha, os lances de escada por dia e a simetria ao andar pioraram no primeiro mês e só voltaram a melhorar até o sexto.[16] Saber disso muda a experiência: o mês inicial costuma parecer um retrocesso e não é.
A maior parte do ganho se concentra nos primeiros três a seis meses,[16] com melhora ainda mensurável até um ano e estabilização entre o primeiro e o segundo ano — este último dado vem de um estudo que reuniu próteses de quadril e de joelho, com os resultados relatados em separado.[15] Mas média não é destino: numa coorte acompanhada por sete anos, cerca de um terço dos pacientes que não haviam melhorado no primeiro ano ainda melhorou entre o primeiro e o segundo.[17]
Você começa a andar com apoio muito cedo: nos protocolos de recuperação acelerada caminhar logo faz parte do programa, e o tempo até andar sem a ajuda de outra pessoa — com muleta permitida — foi menor nesse grupo do que no grupo sem o protocolo.[35] O apoio tem uma função concreta: tirar parte da carga do joelho operado e também da outra perna. Num estudo pequeno de análise da marcha, com oito mulheres, andar com duas bengalas ou com andador reduziu em cerca de 20% a carga na parte de dentro do joelho operado, medida por um indicador usado em laboratório de marcha, na comparação com andar sem apoio.[36]
Controlar quanto peso se coloca na perna é mais difícil do que parece. Mesmo quando se orienta apoiar só parte do peso, a maioria dos pacientes não consegue manter essa restrição: num estudo com 50 pacientes logo depois da prótese, a maior parte apoiou mais do que o orientado — chegando a 50% do peso do corpo no primeiro dia após a cirurgia e a 57% mais perto da alta. Por isso, a orientação de carga dada pela sua equipe deve ser seguida e revista com ela.[37]
Os estudos que encontramos medem dor, função e marcha, e não trazem um número fixo de dias ou semanas de uso de muleta ou andador: o tempo de uso varia de pessoa para pessoa e é definido pelo seu médico assistente. O que se sabe é que caminhar e o uso de muleta ou andador estão entre os temas de recuperação mais citados pelos pacientes, junto com a dor e as tarefas do dia a dia.[38] O tempo exato, no seu caso, é decidido pelo seu médico assistente junto com a fisioterapia, olhando a sua dor, a sua força e o seu equilíbrio, e o passo a passo da caminhada está em recuperação da prótese de joelho semana a semana.
Preciso de fisioterapia supervisionada ou dá para fazer em casa?
Um ensaio clínico britânico com 621 pacientes comparou um programa de reabilitação domiciliar com a fisioterapia ambulatorial habitual em pacientes identificados como de maior risco de mau resultado. Em 12 meses, não houve diferença na função nem nos desfechos secundários.[18]
Essa é uma das perguntas que mais trazem pacientes a esta página, e a resposta franca é que ajoelhar é um dos resultados mais limitados da prótese de joelho. Uma revisão que reuniu 36 estudos encontrou 36,8% dos pacientes capazes de ajoelhar com pelo menos um ano de cirurgia e 47,6% com pelo menos três anos — melhora com o tempo, mas segue sendo dificuldade da maioria.[19]
Sobre substituir ou não a patela para melhorar o ajoelhar, a evidência é discordante: numa revisão de oito estudos, dois encontraram ligação com o ajoelhar e apontaram em direções opostas, e os autores concluem que faltam ensaios grandes para resolver a questão.[20] Não há, portanto, o que prometer nesse ponto.
Dá para voltar ao esporte e à vida ativa depois da prótese?
Dá, e a maioria volta — para atividades de baixo impacto. Numa revisão com 44 estudos, a taxa agrupada de retorno ao esporte foi de 82%, com tempo médio de cerca de 20 semanas; separando por intensidade, o retorno foi de 76% nas atividades de baixa intensidade e de 35% nas de alta intensidade.[21] Outra revisão, com 6.035 próteses, mostra o mesmo movimento: caminhada, bicicleta e natação crescem, e as modalidades de impacto intermediário e alto são em boa parte abandonadas.[22]
Uma pesquisa de opinião com 120 cirurgiões europeus lista atividades recomendadas por fase: caminhada, subir escada, natação, hidroginástica e bicicleta estacionária nas primeiras seis semanas; bicicleta no plano e ioga entre seis e doze semanas; e, depois de doze semanas, tênis em duplas, golfe, musculação, ginástica aeróbica, caminhada na natureza, caminhada nórdica e vela — com o squash apontado como não liberado.[23]Isso é consenso de especialistas, não desfecho medido, e vale como orientação geral, não como regra.
Duas honestidades necessárias. Sobre dançar, não há estudo específico após prótese de joelho: a orientação vem do padrão geral de baixo impacto e é individualizada com o cirurgião. E nenhum desses trabalhos mediu se a modalidade esportiva encurta a vida do implante — essa relação não está provada em nenhuma direção.
Para o trabalho, a mesma revisão de 44 estudos encontrou retorno agrupado de 65%, com tempo médio de cerca de 13 semanas. O número que importa aqui é outro: as taxas dos estudos individuais variaram de 10% a 98%.[21] Com essa dispersão, não existe prazo padrão — depende do tipo de trabalho e do caso.
Para dirigir não existe prazo fixo, mas as duas melhores medições apontam para a mesma janela, por caminhos diferentes. Um estudo com simulador de direção mediu a frenagem de volta aos valores de antes da cirurgia em seis semanas, em pacientes operados do joelho direito.[24] Uma revisão com meta-análise de doze estudos chegou à mesma janela: nela, o tempo total de frenagem nunca ficou pior do que era antes da cirurgia e, a partir dos três meses, ficou melhor do que era antes; e o tempo de movimento do pé — o parâmetro que os autores consideram mais confiável — já estava no patamar de antes a partir da sexta semana.[25] Nenhum dos dois mediu acidente de trânsito: são testes de laboratório. Por isso a liberação para dirigir é individual, do médico assistente.
Prótese total ou parcial: qual é a melhor para o meu joelho?
A prótese parcial, ou unicompartimental — de um só compartimento do joelho —, substitui só um lado do joelho e é opção quando a artrose está limitada ao compartimento interno. O ensaio clínico que comparou as duas, com 528 pacientes de 27 hospitais, chegou aos 10 anos sem diferença clinicamente relevante na função, com reoperações em 9% nos dois grupos e revisão em 6% na parcial contra 4% na total.[26]
Os dados de registro contam outra história: uma revisão que reuniu ensaios, registros nacionais e coortes encontrou revisão consistentemente mais frequente na parcial aos cinco anos, com internação mais curta e função relatada melhor nos registros e coortes — vantagem que não apareceu nos ensaios clínicos.[27] A leitura equilibrada é que, com indicação correta e cirurgião experiente, os resultados se aproximam; em dados amplos de população, a parcial é revisada mais. Nenhuma das duas afirmações pode ser dada como fechada. Vale registrar que autores do ensaio e da revisão declaram vínculo financeiro com um fabricante de implantes, incluindo royalties ligados à prótese parcial.[26][27]
Na recuperação inicial há vantagem da parcial: num ensaio com 99 pacientes, a distância caminhada em dois minutos foi maior na parcial das seis semanas aos seis meses, e as duas se igualaram em um e dois anos.[28]
A cirurgia com robô melhora o resultado da prótese de joelho?
Melhora a precisão do posicionamento, e isso está bem demonstrado. O que não se demonstrou é que essa precisão chegue ao paciente como menos dor ou melhor função. Um ensaio clínico cego com 303 pacientes, publicado em 2026, não encontrou diferença nos escores relatados pelo paciente, na satisfação nem na dor, dos três meses aos dois anos.[29] Uma meta-análise só de ensaios clínicos, com 1.942 joelhos, conclui o mesmo: alinhamento melhor, desfechos clínicos e taxa de complicação semelhantes.[30]
Duas ressalvas de método. O ensaio de 2026 comparou o robô com a cirurgia assistida por navegação por computador, não com a instrumentação convencional. E o seguimento máximo dessas fontes é de dois anos, de modo que nada se pode afirmar sobre durabilidade do implante com robô. Autores do ensaio declaram vínculo com fabricantes de sistemas robóticos.
Uma parte dos pacientes segue com dor, e é preciso dizer isso antes da cirurgia. Uma revisão que reuniu 68 estudos e quase 600 mil pacientes estimou dor relatada em 21,9% aos três meses, 14,1% aos seis, 12,6% em um ano e 14,6% em dois anos.[31] Os próprios autores registram que a heterogeneidade entre os estudos e a perda de seguimento reduzem a confiança nesses números, e que a análise vai só até dois anos.
Sobre quem tem mais chance de continuar com dor, uma meta-análise de 30 estudos observacionais com 26.517 pacientes encontrou associação com dor pós-operatória aguda de moderada a intensa, catastrofização da dor — o modo de vivenciar a dor antecipando sempre o pior, medido por questionário — e idade mais jovem, com certeza alta.[32] São associações, não causas comprovadas. E um achado que contraria o senso comum, e que vale dizer a quem já ouviu que a culpa seria do peso: não houve associação com índice de massa corporal, amplitude de movimento antes da cirurgia, cirurgia de um ou dos dois joelhos, nem com a classificação de risco anestésico.[32]
Quanto tempo dura uma prótese de joelho? - A síntese mais ampla de registros nacionais mostra 93,0% das próteses de joelho sem revisão aos 15 anos, 90,1% aos 20 anos e 82,3% aos 25 anos. Esses números medem quantas ainda não foram trocadas, e não vida útil garantida. O trabalho é de 2019, e uma prótese com 25 anos de acompanhamento é uma prótese implantada por volta de 1990, não a de hoje.
Quem tem prótese no joelho pode ajoelhar? - Ajoelhar é um dos resultados mais limitados da prótese de joelho. Uma revisão de 36 estudos encontrou 36,8% dos pacientes capazes de ajoelhar com pelo menos um ano de cirurgia e 47,6% com pelo menos três anos. Melhora com o tempo, mas segue sendo dificuldade da maioria.
Quem usa prótese total no joelho pode dançar? - Não existe estudo específico sobre dança após prótese de joelho. O que a literatura mostra é que a maioria retorna a atividades de baixo impacto, como caminhada, bicicleta e natação. Se dançar entra nessa faixa depende do estilo e do caso, e a orientação é individual, dada pelo médico assistente.
Colocar prótese no joelho é perigoso? - É cirurgia de grande porte e tem risco mensurado. Num registro holandês com 132.726 próteses de joelho por artrose, a mortalidade por todas as causas foi de 0,12% em 30 dias e 0,27% em 90 dias. O risco não é igual para todos: homens acima de 80 anos chegam a pelo menos 3% de risco somado de complicação cardiovascular grave e óbito em 90 dias. Esses números descrevem populações, não uma pessoa: quem estima o risco de cada paciente é o médico assistente, com as condições de saúde dele em mãos.
Qual é o tempo de recuperação da prótese de joelho? - A maior parte do ganho se concentra nos primeiros três a seis meses, com melhora ainda mensurável até um ano. Vale saber que a velocidade de marcha e a capacidade de subir escada costumam piorar no primeiro mês antes de melhorar, o que faz o início parecer um retrocesso sem ser.
Prótese de joelho dói muito depois da cirurgia? - A dor dos primeiros dias é esperada e é tratada. A questão diferente é a dor que persiste: uma revisão com quase 600 mil pacientes estimou dor relatada em 21,9% aos três meses e 12,6% em um ano, com os próprios autores registrando confiança limitada nesses números.
Existe idade limite para colocar prótese no joelho? - Idade sozinha não indica nem contraindica. Ela muda o risco de precisar de uma troca ao longo da vida, que na prótese total de joelho vai de 22,4% nos mais jovens a 1,6% nos mais idosos em registro nacional. Nos muito idosos o benefício clínico se mantém, com risco maior de complicação no período em torno da cirurgia.
Prótese de joelho total ou parcial: qual é melhor? - A parcial é opção quando a artrose está limitada a um compartimento. Um ensaio clínico com 528 pacientes chegou aos 10 anos sem diferença clinicamente relevante de função entre as duas. Já dados de registros nacionais mostram revisão mais frequente na parcial aos cinco anos. As duas leituras têm fonte de qualidade e a escolha é individual.
A cirurgia com robô é melhor para a prótese de joelho? - O robô melhora a precisão do posicionamento, e isso está demonstrado. Um ensaio clínico cego com 303 pacientes não encontrou diferença em dor, função ou satisfação até dois anos, e uma meta-análise só de ensaios chegou à mesma conclusão. Sobre durabilidade do implante com robô ainda não há dado, porque o seguimento não passa de dois anos.
Quando posso voltar a dirigir depois da prótese de joelho? - Não há prazo fixo. Um estudo com simulador de direção mediu a frenagem de volta aos valores de antes da cirurgia em seis semanas, em pacientes operados do joelho direito, e uma meta-análise de doze estudos chegou à mesma janela: o tempo de frenagem nunca ficou pior do que era antes da cirurgia, e o parâmetro mais confiável já estava no patamar de antes a partir da sexta semana. Nenhum dos dois mediu acidente de trânsito, e a liberação é individual, dada pelo médico assistente.
É verdade que 20% dos pacientes ficam insatisfeitos com a prótese de joelho? - Essa cifra circula sem fonte. O dado de registro é outro: no Registro Sueco, entre 8.745 pacientes que melhoraram em dor ou função, 11% ainda assim se declararam insatisfeitos com o resultado. O mesmo estudo mostra que ansiedade ou depressão relatadas aumentaram o risco de insatisfação mesmo entre quem melhorou.
Vale a pena operar ou dá para adiar? - No ensaio clínico que testou essa pergunta de frente, com 100 pacientes já elegíveis para a cirurgia, o grupo operado melhorou mais em um ano, e 74% do grupo tratado sem cirurgia não precisou operar dentro daquele ano. Ou seja, mesmo com indicação, adiar é possível para muitos. A decisão é clínica e compartilhada com o médico assistente.
Guia da prótese de joelho: do preparo à vida depois
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PROTESE DE QUADRIL E JOELHO | TRATAMENTO DA ARTROSE
Prof. Dr. Daniel Fernandes - Formação Acadêmica e Credenciais
O Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes e Doutor (PhD) em Ciencias Medicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Mestre (MSc) em Ciencia do Movimento Humano, e Professor de Cirurgia Ortopedica da Faculdade de Medicina da UFSC. Atua como Pesquisador do LEBm (Laboratorio de Engenharia Biomecanica) - UFSC e e Chefe do Programa de Especializacao em Cirurgia do Quadril - SBQ. Registros: CRM-SC 18567 · TEOT 12687 · RQE 10353. Com fellowship internacional e mais de 15 anos dedicados a cirurgia de quadril e joelho, o Dr. Daniel Fernandes combina excelencia academica com pratica cirurgica de ponta. Conheca a trajetoria academica completa.
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A equipe do Prof. Dr. Daniel Fernandes trabalha com foco na qualidade do atendimento, acolhimento e dedicacao. Cada membro foi selecionado com foco numa experiência de cuidado integral, da recepção ao pós-operatório. As avaliacoes destacam: atendimento humanizado, comunicação clara, pontualidade e acompanhamento próximo durante toda a jornada.
Referencias cientificas 5 estudos revisados por pares — toque para ver a lista
Kolasinski SL, Neogi T, Hochberg MC, et al. 2019 ACR/AF Guideline for Management of Osteoarthritis. Arthritis Rheumatol. 2020;72(2):220-233. doi:10.1002/art.41142
Pincus D, Jenkinson R, Paterson M, et al. Association Between Surgical Approach and Major Surgical Complications in Hip Arthroplasty. JAMA. 2020;323(11):1070-1076. doi:10.1001/jama.2020.0785
Evans JT, Walker RW, Evans JP, et al. How long does a knee replacement last? Lancet. 2019;393(10172):655-663. doi:10.1016/S0140-6736(18)32531-5
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Revisado medicamente por: Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes, PhD - Doutor em Ciências Médicas pela UFSC, Professor de Cirurgia Ortopédica. Última atualização: . Saiba mais sobre o autor.
Não tinha idade para fazer a cirurgia mas também não tinha mais qualidade de vida. Muita dor. A cirurgia devolveu a mobilidade e vontade de viver. Hoje faço pilates duas vezes por semana e academia 3 vezes. Tudo com acompanhamento. A equipe deu total acompanhamento para reabilitação. Só tenho a agradecer a todos.
José Joaquim Goulart★★★★★
Tive problemas com meu joelho direito, minha perna era arqueada (cambota) mas fui levando sempre com cuidados médicos em Porto Alegre, mas o Médico que me atendia me informou que enquanto eu estive aguentando a situação era pra seguir assim, mas me alertou que ia chegar a hora de fazer uma cirurgia para colocar uma prótese. A hora chegou e pesquisei 5 médicos mas quem fez minha cirurgia foi o Dr Daniel Fernandes. Acertei na mosca. Médico muito atencioso e cuidadoso com todo o processo cirúrgico,
Edir VASSALO RAMOS VIDAL★★★★★
A experiência foi maravilhosa! Minha perna era arqueada, e eu tinha até vergonha de usar calção. Deixei de ir até na praia que eu tanto amo. Hoje vejo a minha perna reta -com antes- e estou muito feliz. Vou fazer a segunda em breve e estou muito feliz. O dr.Daniel e sua equipe são extremamente dedicados! Além de ser como pessoa excelente, educado e gentil. E de extremo bom humor! Muito obrigado, dr.Fernandes, o sr. devolveu minha auto-estima. Que Deus lhe ilumine sempre!
Rozvitha Komora★★★★★
Dr. Daniel Fernandes, médico ortopedista e cirurgião maravilhoso. Sempre muito zen e acolhedor, transmite segurança e tranquilidade aos seus pacientes, esclarecendo todas dúvidas suscitadas. Realizei uma artroplastia do joelho esquerdo com ele, e voltarei a procurá-lo, se necessitar de outra cirurgia de joelhos ou quadril. Dois meses, estou andando quase normal, sem dor e com uma cicatriz praticamente invisível. Dr. Daniel Fernandes possui uma equipe maravilhosa, em especial sua Assistente Camil
Mestre Kadu★★★★★
A escolha da cirurgia com a orientação, o esclarecimento e a execução, com o Dr. Daniel foi a melhor escolha que fiz. Minha recuperação foi excelente e o apoio da equipe foi nota 1000. Depois de alguns meses, seguindo as orientações de reabilitação e fortalecimento, retomei minhas atividades esportivas e estou cada vez melhor. Continuo com o contato com o Dr. pois meu objetivo é manter atividade física até os 90 anos.
ROSANE WEBER★★★★★
A experiência foi muito boa, com uma equipe de profissionais altamente competente. Recebi todas as orientações possíveis e necessárias antes da cirurgia, o que me deixou muito tranquila e confiante sobre o procedimento de prótese de joelho a qual fui submetida. O acompanhamento pós cirurgia, foi excelente, podendo tirar minhas dúvidas a qualquer momento. Fiquei muito satisfeita com o resultado.
Iara Maria Telles★★★★★
Excelente cirurgião. Não tenho mais cirurgia de problemas articulatórios para fazer, pois tenho prótese nos dois quadris e nos dois joelhos. Mas, se tivesse que fazer cirurgia novamente, seria com Dr Daniel. Coloquei prótese nos dois joelhos com ele. Atendimento excelente através da equipe que tem. Camila, secretária, muito eficiente e atenciosa, está pronta para resolver qualquer dúvida, pois se comunica com Dr Daniel e nos dá o retorno. Júnior, fisioterapeuta muito competente, nos dá um suport
Carlos Henrique da Silva★★★★★
Eu realizei a cirurgia de prótese de joelho com muito sucesso pelo Dr Daniel Fernandes. Estou me preparando para fazer a cirurgia do segundo joelho. Aproveito para agradecer a equipe do Dr Daniel, pois fui atendido com muito carinho. Não tenha medo de fazer a cirurgia, a recuperação é boa e rápida.
Foco exclusivo: artrose avançada de quadril e joelho
O Prof. Dr. Daniel Araujo Fernandes dedica todo o seu tempo de trabalho a uma área só: o tratamento da artrose — o desgaste avançado — do quadril e do joelho, do tratamento sem cirurgia até a prótese total (artroplastia) e as cirurgias de revisão.
Ele não atende ombro, coluna, pé, mão ou cotovelo. Quem procura o consultório com essas queixas é orientado a buscar o profissional da área, sem uma consulta intermediária que não resolveria o problema.